sábado, 31 de julho de 2010

Atendendo a porta

Um domingo deste mês de julho acordo com os dois cães latindo.
Alguém está a porta .
Olho o relógio, são 8 e meia, quem será tão cedo num domingo?
Meus filhos estão em casa, havíamos voltado de madrugada , era também muito cedo para a entrada de nossa faxineira que vem aos domingos.
Os cães continuam a rosnar e latir, tenho mesmo que levantar.
Troco a bermuda do pijama, coloco uma camiseta e cheio de bom humor vou ver o que se trata.
São 3 meninos, idades entre 8 e 10 anos.
Mantenho a porta entreaberta , os meninos se aproximam com vontade da porta o que é a senha para os dois cães ameaçarem atacar.
- Moço, o senhor sabe o que é Haloween ?
Meu bom humor está no máximo, dormi pelas minhas contas cinco horas em um domingo.
- Sei sim , e é só em 31 de outubro nos Eua, o que vocês querem acordando todo mundo domingo pela manhã ?
Os cães estão em excitação máxima , rosnados e latidos a toda, tentando passar por mim para pegar os meninos.
Eles percebem a situação mas continuam .
- Então Tio , o que vai ser, doces ou travessuras ?
Seguro então meu cão macho pela coleira e o trago perto da porta.
Os dentes estão a mostra com vontade.
Faço a contraproposta aos meninos .
- Eu é que pergunto, vocês saem já ou querem mordidas ?
Acho que só neste momento percebem o perigo e saem correndo pelo corredor, a porta de acesso as escadas bate com força.
Penso que agi com maldade mas meu sono é maior que meu remorso, voltei a dormir.





Pedido de propina

Estava voltando de São Paulo em uma sexta-feira à noite.
Nos quase três anos em que trabalhei na sede da rede americana de restaurantes não passei um fim de semana em SP.
Dizia aos colegas de trabalho que iria passar o fim de semana na casa de praia.
Pois naquela sexta-feira estava voltando de carro .
Meu trajeto sempre foi usar a Airton Senna e Carvalho Pinto saindo na Dutra já em Taubaté.
Logo depois de passar por Taubaté percebo na faixa a direita mais a frente, parada no acostamento, uma viatura policial.
Reduzo a velocidade e ao aceno do policial paro no acostamento.
Pelo espelho retrovisor acompanho sua aproximação e separo imediatamente os documentos do carro e a carteira de habilitação.
Ele chega junto ao carro e me pede:
- Boa noite, documentos do carro e a carta por favor ?
Minha vontade é responder que não havia escrito para ele, mas sabendo que todo policial paulista chama a carteira de habilitação de carta entreguei os documentos.
- Boa noite, aqui estão !
Ele examina os documentos com a ajuda de pequena lanterna.
Está tudo absolutamente em ordem, imposto e licenciamento em dia, carteira de habilitação válida.
Ele me devolve os documentos e me pede para abrir a mala do carro.
Saio do carro e abro a mala .
Está vazia , minha bolsa com roupas está no banco de trás.
O policial verifica a presença do macaco, do pneu reserva , da chave de roda , do triângulo de sinalização, tudo em ordem.
Penso no que ele poderia pedir mais.
Ele me diz :
- O carro não é seu , é da empresa M.
- Sim, sou gerente da empresa , a empresa cede automóveis para seus gerentes e diretores respondi.
- Está quase tudo em ordem , só tem um problema .
- Qual , perguntei com calma .
- O Sr estava fumando.
- Sim , o carro tem cinzeiro, não jogo nada na pista e tenho saco de lixo também no carro.
- Pois é , para fumar o Sr precisa retirar uma das mãos do volante, o que é proibido pelo artigo número tal do Código Nacional de Trânsito . É infração leve, perda de 5 pontos , multa de R$ 74,00 reais.
Ao invés de sacar o bloco de multas ele permanece me olhando.
Está claro que espera a oferta da "cerveja " , afinal é sexta-feira a noite.
Retruco apenas para ver até ele onde vai .
- Sr , não sou advogado, mas como meu carro não é automático tenho que retirar uma das mãos da direção para usar a alavanca de câmbio. O Sr. tem certeza quanto a redação do artigo citado ?
- Sim , certeza absoluta . Ele diz isso arrumando a postura , enchendo o peito de ar.
Penso que na frente de um delegado ou um juiz a postura dele seria diferente.
Para encerrar logo a conversa digo-lhe então :
- Certo , estou convencido, por favor registre a infração e me dê o recibo.
Minha resposta o desarrumou.
- Como , o senhor quer ser multado ?
- Sim, o senhor me convenceu, citou o artigo do código. Peço-lhe, por favor, que registre o artigo em campo de observações do formulário da multa.
- Mas serão R$ 74,00 e perda de 5 pontos , o Sr quer isso ?
- Sim senhor, se errei devo pagar a multa.
Ele me olha de cima a baixo, está de fato desconcertado.
Adota então outra postura .
- Já que o Sr admitiu o erro merece outra chance. Não vou lhe multar , pode retomar sua viagem.
Certos indivíduos tem que "vencer " sempre.
Resolvo lhe conceder a vitória , agradeci e voltei a dirigir.