quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Pessoas especiais

Tenho a sorte de encontrar pessoas especiais, acredito que uma das melhores coisas do viver é encontrar pessoas de riso fácil, de bom coração, que gostam de jogar conversa fora, de maneira descontraída , de fazer de cada momento uma situação agradável.
Algumas delas são minhas amigas há dezenas de anos, com uma delas brinco que faremos bodas de prata no ano que vem.
Pois na empresa onde trabalho agora em 2014 conheci mais uma destas figuras especiais..
Fizemos parte do mesmo time de implantação do ERP em empresas do grupo, não vou citar seu nome apenas as iniciais ML .
Quem o conhece o vai identificar de imediato.
Seus causos são muito engraçados , como os que contou hoje no almoço .
Trabalhava ele em Mariana, MG , e tinha acabado de comprar um carro .
Saindo de Mariana para voltar a Belo Horizonte um pneu do carro furou .
Procurou um lugar para parar e o único local era logo na saída de um motel .
Não sabia como agir, trocar o pneu era enigma a decifrar , nunca o havia feito.
Estava assim pensando quando a porta do motel se abre e um carro começou a sair. Não pensou duas vezes, partiu em direção ao carro abanando os braços forçando o motorista a parar.
No banco do carona a mulher que acompanhava o motorista começou a esconder o rosto, a se abaixar..
O motorista desconfiado abaixou um pouco o vidro e perguntou :
- O que houve moço, o senhor é marido de alguém ?
- Não moço , é que meu pneu furou .Meu carro está ali ó !
-  E daí moço ? Por isso fica assim na porta do motel dando susto nos outros ?
-  É que não sei trocar o pneu, me ajude por favor.
-  O senhor tem macaco no carro ?
-  Se é item de fábrica deve estar no carro.
Com pena de ML o sujeito desceu do carro e o ajudou a trocar o pneu,

De outra feita ao entrar em um posto de gasolina , apertou sem querer o botão do alerta.
Quando o frentista chegou pediu ajuda :
- Olha acho que esse trem quebrou, estas luzes não param de piscar .

O último caso presenciei.
Estávamos falando em torno da mesa dele , senta-se em frente a S., a gerente responsável por tecnologia SAP na empresa.
Falávamos até que ele nos chamou a atenção :
- Pera aí gente, fala mais baixo, a S. está falando no telefone e assim eu não consigo ouvir o que ela fala .....
As risadas ecoaram .

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Um Grito na Noite ou uma Donzela em Perigo e seu Cavaleiro Negro com sua Assistente.

Passava de meia-noite, noite quente, abafada , quando o grito de Elisa me acordou .
Um grito de puro terror, em seguida ao grito ouvi um latido alto, grave e curto seguido pelo pulo de Jolie de minha cama atrás de Apolo que já havia aberto a porta de meu quarto e disparado escada acima .
Meus cães nestes dias de verão se abrigam em meu quarto , Jolie em minha cama, Apolo e Gerard em tapetes de tecido próximos a cama.
O quarto de Elisa fica em cima, junto ao escritório e ao terraço.
Para lá  Apolo e Jolie voaram, Biscoitinho que não sobe escadas estava ao pé do primeiro degrau olhando para cima quando por ele passei .
Estava ainda subindo a escada quando Elisa gritou mais uma vez , desta vez para os cães :
- Um bicho , pega Jolie, pega Chuvisco ( apelido de Apolo ) !
Chegando ao final da escada vi os dois correndo no terraço .
Elisa me pediu desculpas :
- Pai , desculpa o grito, mas era uma barata voadora enorme , desse tamanho !
Com as mãos mostrava um tamanho de mais de 20 cm .
- Ela entrou em meu quarto , por uma fresta da janela que deixei aberta , peguei uma vassoura no terraço e quando fui bater nela  voou em minha direção .
Não resisti ao comentário :
- Minha filha desse tamanho era um passarinho,  não uma barata !
- Pai , era uma barata sim !
Fui atrás dos cães , no chão perto do vaso da pitangueira vi o que parecia ser restos de asas de barata . A barata mesmo não sei que fim levou.
Estão os dois com vermifugação em dia . Lavei-lhes as barbas e a boca .

O que me deixou feliz foi a reação deles . Um Scottish  Terrier reage de imediato a qualquer ameaça a alguém de sua família . O latido curto e grave foi o chamado , e o pequeno cavaleiro negro e a assistente partiram para salvar a donzela .  

sábado, 15 de novembro de 2014

Mendigo Poliglota II

A mesma situação, em cenário diferente, ocorreu comigo. Contei no post Mendigo Poliglota que está neste blog. 

Desta vez aconteceu com minha filha . Elisa estava no local onde espera pela carona das amigas em direção a universidade do outro lado da ponte Rio-Niterói. 
Parada na loja carregava livro com título em inglês e bebia um Guaravita quando foi abordada por uma senhora .
A senhora estava suja, roupas mal cuidadas,a típica representante de moradores de rua.
Ao ver o Guaravita pediu a Elisa :
- Paga um Guaravita por favor para mim ?
Elisa disse sim, pago, e estendeu a moeda de R$ 1 para o rapaz no balcão da loja.
A senhora entrou na loja,pegou o que queria e antes de sair ao ver o livro nas mãos de Elisa lhe disse :
- Livro interessante este, é um belo tratado mas tem visão muito a esquerda.
Surpresa, o título do livro está em inglês, Elisa não se conteve:
- A Sra fala inglês ? Já leu este livro ?
- Sim já li, falo inglês, francês e alemão.
Desta vez a surpresa foi do rapaz no balcão :
- Inglês, francês e alemão ? Mentira, não mete essa.
A Sra o olhou com um leve sorriso e se despediu :
- Morning,have a nice day, em francês Bonne journée , em alemão Einen schönen Tag noch .
As bocas abertas foram o aplauso de sua performance.



domingo, 22 de junho de 2014

Confie no instinto de seu cão.

Passeio sempre que posso com meus cães.
É coisa que relaxa a todos , eles ficam mais tranquilos e eu também . Os 30 a 40 minutos de caminhada me fazem bem .
Tomo alguns cuidados, levo sacos plásticos para recolher “presentes” que deixam nas ruas , observo sempre a presença de outros cães vindo no mesmo sentido , as guias estão sempre em meu pulso  e deixo espaço nas calçadas para pessoas passarem por nós .

Procuro não fazer o mesmo trajeto sempre para que não tomem o passeio como algo já de seu espaço conhecido.
Sempre atraem a atenção, Scottish Terriers não são comuns e modéstia a parte seu jeito de andar, seu porte  são muito bonitos.
Frequentemente nos param, perguntam,elogiam.
Acho que o fato de andar com três em cor de pelagens da mais clara a mais escura chama mais atenção ainda .
Nestas paradas, quando somos abordados, eles ficam calmos, sentados a meus pés.
Não atendem a chamados, a assovios,  ficam relaxados em sua pose distante.

Acredito que por me perceber calmo ficam também.
César Milani, o grande adestrador, diz que cães conseguem captar nossa energia.
Quando quem lidera está tenso a matilha percebe e também fica tensa. Se a matilha é equilibrada ela reage de acordo com a reação do líder.
O que percebo com meus cães é algo além disso .
Eles fazem a leitura de pessoas e se interpretam algo como ameaça reagem rápido, mesmo não tendo eu percebido nada.

Hoje no passeio aconteceu assim. 
Estávamos descendo a rua próxima como sempre fazemos quando um homem a atravessou vindo em nossa direção mas ainda longe . O vi atravessar , homem branco, por volta de 40 anos, camiseta branca, bermuda jeans, sandálias de dedo. 
Ao se aproximar de nós, sem nenhum motivo aparente, Apolo deu o bote ainda a uns dois metros do cidadão .
Segurei a guia, o puxei de lado ,dando espaço para o sujeito passar que olhou para Apolo com interesse enquanto este continuava a mostrar todos os caninos grandes latindo com vontade.
Quando ele estava de costas para nós percebi a razão da reação de meu preto .
Uma bainha de grande facão aparecia nas costas do sujeito, abaixo da camiseta.

Não acredito que fosse nos assaltar ou oferecer ameaça mas algo em seu estado de espírito alarmou meu cão  que reagiu.
Confie em seu cão, ele consegue avaliar pessoas.

sábado, 21 de junho de 2014

Argentinos

Estava lendo no jornal de hoje, 21/06, as notícias de brigas entre torcedores argentinos e brasileiros em Belo Horizonte após horas de provocação dos argentinos .
Cantam sempre sua fantasiosa supremacia sobre nós, que Maradona foi melhor que Pelé , que seu futebol é melhor .
Mesmo tendo ganho somente duas copas, uma delas com providencial ajuda de goleiro de time adversário, se julgam superiores.
Gosto muito de visitar a Argentina, come-se muito bem , nossa moeda está mais forte, alguns itens ficam muito baratos.
É muito fácil esbarrar em muitos brasileiros em grupos e não nos vemos cantando nossa superioridade como nação .
Mudando de pólo lembro de quando trabalhava na rede de restaurantes americana e eles com uma quantidade muito inferior de lojas em relação ao Brasil , um quinto do total, com problemas reportados de incidentes em contaminação de alimentos que tinham frango em sua composição, tentavam demonstrar como sua operação era melhor .
Em uma dessas visitas a Argentina nesta época lembro de ter chegado a Buenos Aires com a paridade peso-dólar em vigor . Um cafézinho custava 3 USD .
O estado dos táxis é sinal da pujança de uma economia em uma cidade .
O que peguei em Ezeiza estava amassado na lateral direita mas o motorista ao que parece não via problema algum .
Reparei que era condição comum em muitos outros, carros velhos, mal cuidados..
Pois ao me descobrir brasileiro, estava a seleção brasileira disputando as eliminatórias da Copa de 2002 com dificuldade na época, ao contrário da seleção argentina no momento, desandou a falar de como era nosso destino ser ultrapassados por eles, que sempre tinham sido melhores, a Copa de 2002 iria provar isso. Que Maradona tinha sido muito melhor que Pelé , não entendia como não enxergávamos isso.
Respondi que as eliminatórias não haviam acabado , que tinhamos um bom time .
Ele insistiu , que fáriamos triste papel em 2002.
Para encerrar o assunto resolvi dar a estocada certa , perguntei :
- E a economia aqui como vai ? Pleno emprego , as pessoas estão felizes ?
Antes de calar a boca durante todo o resto do trajeto ele só perguntou :
- Seu hotel é o Sheraton  certo ?
Respondi que sim enquanto desfrutava do silêncio provocado por uma arrogância ferida .


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Conversas no Facebook

Sou usuário confesso do Facebook . Participo de um grupo de apaixonados por Scottish Terriers, leio o que amigos publicaram , muitas vezes publico o que penso sobre a situação que vivemos no país ou ainda para muitas vezes brincar com amigos.

Mas é no grupo de apaixonados por Scottish Terriers que passo a maior parte do tempo. Neste grupo converso muito com um conjunto de pessoas, do qual faço parte ,  que também se dedica a facilitar a adoção de Scottish Terriers.

Somos pessoas de formações distintas , moramos em cidades distintas , gostamos muito de nossos cães ,e nos movemos em nome dessa paixão em busca de novos lares para cães .
Gostamos muito de falar, de cerveja, de pasteis, de vinho, não necessariamente nesta ordem, mas toda noite nos falamos.
Nestas conversas surgem casos engraçados .

Como quando M. , R. , D. e  L. conversavam sobre  como conseguir a viagem de L, em dia de semana para encontro movido a vinho, pasteis e bate-papo.
D sugeriu, entregue um atestado médico no seu trabalho.
L. rejeitou , atestado assim é complicado.
Diga que um parente morreu, uma tia , sugeriu M.
De novo L. não aceitou, morte não dá, meu chefe pode desconfiar assim explicou.
Foi a vez de R sugerir, um sequestro relâmpago.
A reação de L foi espetacular .
- Quem foi sequestrado ? Onde ? R ,  você está bem ?.
Não houve mais como planejar .....

Outro caso legal surgiu hoje .
Como muitos nestes meses R. participa de um bolão de resultados da Copa, e publicou foto segurando uma lanterna, está em último lugar .
O comentário da amiga do Paraná foi ótimo :
- Que legal R. ! Ganhou uma lanterna , agora você não perde de vista seus meninos no escuro .




domingo, 11 de maio de 2014

Aviso de Assalto

Há alguns anos assisti a palestra de profissional de segurança sobre como identificar ameaças em locais públicos.
Alertava ele para sempre que entrar em um local, ao se deslocar, observe de um lado a outro quem se encontra.Aquele que pode ser ameaça vai sempre se destacar, não parece fazer parte do ambiente, não está a vontade.
Ensinou também em buscar identificar onde estão os profissionais de segurança do local .
Acontecendo alguma coisa é na direção deles que deve se dirigir para auxílio.
Pois acabei incorporando este modo de agir, observo sempre quem a minha direita ou esquerda está , quem se encontra na linha de frente.
Hoje no mercado, pela manhã, identifiquei pela postura que quem se encontrava mais a frente, a minha direita, era um segurança da loja.
A postura era clássica, olhando em volta, nada nas mãos,um crachá apenas com o nome .
Estava próximo quando um senhor dele se aproximou empurrando um carrinho e lhe disse :
- Moço, ajude por favor ! Está havendo um assalto aqui !
O segurança se empertigou .
- Um assalto ? Onde meu senhor ? Quantos são ?
- Não sei quantos são, mas é ali no Hortifruti.
- No Hortifruti ?
- Isso,o quilo do tomate está a R$ 7,80, é um assalto não é ?
Dito isso continuou a andar empurrando o carrinho.
O segurança ficou de boca aberta sem saber o que responder.
Rindo me afastei .
 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Recebendo a Palavra

Foi um comentário de Sônia Feijó hoje no FB que me lembrou este caso. Narrava Sônia a situação de pessoa que bateu a sua porta para falar da Bíblia num feriado, cedo pela manhã.
Pois comigo aconteceu quase que da mesma forma.
Meu filho mais velho tinha menos de um mês de nascido, estávamos na casa da minha sogra, no período de adaptação do bebê e da família a nova rotina. Diogo era um relógio, a cada 3 horas acordava para mamar, eu acordava também e ajudava Leila, trocava a fralda, colocava para arrotar, toda a rotina que um bebê de pouca idade impõe.
O apartamento de minha sogra ficava em andar térreo, de prédio de fácil acesso a partir da rua.
Era comum gente tocar a campainha por motivos diversos.
Não me esqueço,aconteceu em um sábado, acordei com o som da campainha.
Olhei o relógio, eram 7:55 da manhã .
Estávamos na fase de receber visitas frequentes ao bebê mas ninguém vai visitar uma família neste horário.
Levantei e fui ver quem era.
Abri a janela da sala, não parei nem mesmo antes para escovar o cabelo, devia estar com cara e aparência infernais.
Eram duas senhoras, vestidos com barra abaixo do joelho, mangas compridas,folhetos nas mãos, ao verem a janela se abrindo se aproximam da grade e dizem :
- Bom dia, nós viemos lhe trazer a palavra do Senhor !
Eu não acreditei,como alguém faz um negócio desses acordando os outros tão cedo.
Não perdi a linha, armei um sorriso e lhes disse :
- Entrem , entrem , eu estava mesmo buscando duas almas agora pela manhã .
Elas não se contiveram, sairam correndo, o portão bateu e foram.
Voltei a dormir, logo iria acordar novamente.



domingo, 30 de março de 2014

Dia a Dia na Av Rio Branco

Voltei a trabalhar no centro do Rio em 2012, mais de 10 anos depois e de trabalhar em São Paulo, Ipanema, Barra,Pavuna fora as temporadas a trabalho fora do país.
Não mudou muito, antigos restaurantes ainda estão lá, mas os tipos presentes nas calçadas são novos .
Como a turma que veste coletes da Unicef ou do Médicos Sem Fronteiras. A abordagem é sempre a mesma, rapazes e moças a estender a mão e dizendo "Oi , tudo bom ". Muitas vezes ficam com a mão estendida,outras vezes ganham um aperto de mão e um oi em resposta, poucos são os que param. Já parei para ouvir, fiz mais perguntas do que respondi, trabalham para empresa que se propõe a angariar contribuições para os programas das organizações.
Adotei depois a tática de evitar contato visual, assim consigo passar direto.
Uma vez uma moça mais insistente chegou a parar em frente a mim, respondi em francês que não falava português, ela me respondeu em inglês, continuei em francês e ela me deixou seguir . Ao ver a logomarca da empresa em minha mochila ainda disse "Ei você é brasileiro " , não pude deixar de sorrir e olhar para trás, ela sorria também.
Outro grupo, este perigoso, é de adolescentes que atacam em grupo, como uma matilha de lobos, para roubar. Correm a avenida todos os dias, sempre agindo da mesma forma. Todos os veem,acredito apenas que o comando do batalhão da polícia militar da região não os deve ver.
Escolhem quase sempre uma mulher, ou pessoa sozinha e aí tomam bolsa, celulares, cordões, carteiras e saem correndo.
Interessante é a presença atenta da guarda municipal em busca daqueles que jogam lixo no chão para os multar. Acho correta a iniciativa mas deixar o bando atacar sem reação não me parece postura apropriada .
Os camelôs vendendo chocolates, balas,capas de celular são outra presença constante . O do "Poleguinho é 2 hein " merecia ter seu slogan gravado .
Pessoas pedindo ajuda são outro tipo comum.
Fui certa vez no caminho para a Candido Mendes abordado por uma senhora acompanhada de uma adolescente. Dizia que tinha passado o dia no Hospital dos Servidores, com a filha em crise renal pela presença de cálculos. Pedia ajuda para pegar o ônibus de volta para Magé onde morava.
Perguntei qual o custo da passagem ?
Iriam gastar 4,75 cada uma.
Dei dez reais e segui meu caminho após lhe desejar boa sorte.
Passam-se dois meses e quem aparece novamente em meu caminho ?
A abordagem é a mesma, crise renal da menina, etc.
Desta vez digo-lhe :
- Minha senhora, há dois meses atrás a senhora me disse a mesma coisa e lhe dei dez reais . Esta menina deve ter a mais longa crise renal da história . Vou levar este caso agora para um amigo médico , por favor me acompanhe .
Ela agarrou a menina pelo braço e saíram correndo depois de me xingar.
Segui contente, é bom estar de volta,