sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Pagode no Piscinão de Ramos

Um dos colegas de empresa conta a N. a estória do porteiro do prédio de minha mãe que acabou de ler aqui no Blog.
Pois vi um caso assim parecido me diz ele.
Então conta logo disse para provocá-lo .
Ele começou a contar .
Era um fim de semana a tarde, estava em casa sem fazer nada, e aí lembrou que sempre rola um pagode nos quiosques do Piscinão de Ramos.
Vestiu uma bermuda, botou uma camisa e foi para lá.
Perguntei , e sua mulher ?
Disse para ela que ia dar um rolé, encontrar a rapaziada, assim ela não pergunta nada e nem quer vir junto.
Deu sorte e pegou a última vaga no estacionamento.
Andou em direção aos quiosques próximos do quiosque do Dicró.
Sempre rola um pagode por lá.
Parou em um quiosque e pediu uma cerveja e um tira-gosto.
Nem sentou, colocou a cerveja e o prato na mesa, ficou olhando em volta.
De repente viu uma prêta maravilhosa caminhando por entre as mesas.
Vai passar na minha frente pensou logo.
Quando passa em frente, uma mulatona, alta, maravilhosa,mandou o agá para cima dela:
- Sempre quis ter uma mulher deste tamanho!
Ela parou e perguntou olhando para baixo:
- O que foi?
- Não vai me bater? Eu disse que sempre quis ter uma mulher deste tamanho .
Ela sorriu.
Para onde vai perguntou.
Ela disse que ia ao banheiro.
Então vá e pára aqui na volta, vamos conversar , tomar uma cerveja, respondeu.
Ela voltou e perguntou se estava sozinho.
Estou sem ninguém , só esperando você, respondeu de bate pronto.
Ela estava em uma mesa logo ali, com os 2 filhos pequenos, a irmã e o namorado dela.
Tudo bem, vamos acabar a cerveja e depois vamos para lá, propôs.
Caminhou com ela já segurando na cintura.
Sua cabeça batia um pouco acima dos peitos dela.
Chegou na mesa e cumprimentou todos.
Tudo bom ? Sou N. , tudo bom ?
A mesa estava cheia de garrafas de cerveja e pratos de peixe.
As crianças,3 na verdade, estavam dormindo em uma canga estendida no chão.
Na hora viu que o cara tinha conhecido a irmã dela ali mesmo.
Ficou na sua, pediu uma cerveja ao garçom e pagou na hora.
Levantou e ficou na ponta do pé tentando alcançar a prêta.
Daqui a pouco o cara levanta, pede licença e diz que vai ao banheiro.
Pediu outra cerveja e pagou.
Passa o tempo e nada do cara voltar.
A irmã chamou a prêta para conversar e ela voltou .
- Escuta, na verdade minha irmã conheceu ele aqui, foi ele quem pediu isto tudo que está na mesa, estamos sem grana, se ele não voltar como é que fica ? Minha irmã está nervosa.
Voltou da ponta do pé e falou:
- Vai ver que o cara ainda está no banheiro. Fala para tua irmã ir até lá ver .
Ela volta, o cara sumiu mesmo.
- Ai meu Deus e agora meu nêgo ?
- Olha só, o que eu consumi eu paguei. Faz o seguinte, eu vou sair. Depois sai você e depois sua irmã, devagar, para não dar na pinta.
- Tá bom !
Saiu devagar e caminhou para outro quiosque. Olhou para trás e as duas vinham logo coladinhas nele, arrastando as crianças pelo braço.
Encostou noutro quiosque , de costas para elas, e pediu uma cerveja.
Logo sentiu o tapinha no ombro.
- Nêgo, o garçom está aqui ,querendo receber.
Desenrola aí, desenrola aí, respondeu.
Deixaram os celulares e as carteiras de identidade com o garçom.
Quando pagassem a conta receberiam de volta os celulares e os documentos.
Foram logo embora.
Acabou que não arrumou nada , provoquei .
Que nada , dei um monte de beijinhos, me respondeu e com um sorriso saiu da sala.

Um Sábado no Jóquei

Quando mais novo , não há muito tempo atrás , tinha 18 , 19 anos , por vezes ia ao Jóquei Club nas tardes de sábado. Comigo sempre estavam Baiano , Edson , irmão mais novo do Baiano,e uma vez ou outra o pai deles , o Sr. F.
Sempre tive como norma estabelecer um teto de gastos para o Jóquei , se ganhasse alguma coisa nas apostas seria ótimo , se perdesse , perdia pouco , teria valido a pena passar a tarde em um ambiente bonito e as vêzes muito engraçado .
Prestava sempre atenção nas estórias que velhos frequentadores da tribuna volta e meia contavam entre um páreo e outro . Como a do jóquei que a uns 30 metros do disco de chegada , na frente , olha pelo lado esquerdo para trás e vê seus competidores muito distantes.
Resolve colocar o chicote debaixo do braço e faz pose, quase em pé nos estribos, pronto para cruzar o disco e ser festejado pelos proprietários do animal .
O problema é que olhou pelo lado esquerdo,se tivesse olhado para o lado direito teria visto a atropelada que uma égua castanha tinha iniciado .
Foi ultrapassado nos 2 últmos metros .
Tiveram que segurar na pista os proprietários para evitar o linchamento.
Naquele sábado o Sr F., antes de um páreo, me pergunta em quem vou apostar.
Olho o programa e digo o nome de uma égua, havia vencido 1 páreo e chegado pelo menos entre os 3 primeiros nas últimas corridas.
O jóquei era um dos melhores colocados nas estatísticas .
Não faça isso disse-me ele, esta égua não vai ganhar, aposto que cai antes da curva de chegada.
O bom é este aqui e me aponta o nome de um cavalo.
Não havia sequer se colocado nas últimas corridas, era o azarão por excelência .
Agradeço a dica mas mantenho a aposta na égua, arrisco um placê .
Antes do páreo olho a pedra, minha escolhida se ganhar vai pagar muito pouco, quase que o dinheiro da aposta de volta .
O escolhido pelo Sr F. pagará 18 para 1.
No páreo acontece o que ele havia previsto , a égua cai na entrada da curva e seu escolhido em violenta atropelada vence a prova .
O Sr F. acerta 3 vencedores em sequência no dia, a sorte estava mesmo do seu lado.
Também saí feliz.
Para o último páreo arrisco uma dupla exata, escolho os números 1 e 9 e peço no guichê duas apostas, 1 e 9,9 e 1.
O páreo é vencido pelo número 8 seguido do número 1 .
Vou rasgar o billhete e vejo que tive sorte .
Na hora de registrar a aposta a bilheteira havia marcado 8 e 1.
Recebo 9,60 para cada 1 apostado, saio feliz.

sábado, 1 de novembro de 2008

Visitante do Verão

Estou no terraço lendo e, volta e meia, escuto o bem-te-vi do alto do outro prédio a sinalizar sua presença .
Vejo também um bando de rolinhas a ciscar meu canteiro, despreocupadas com minha presença na rede. Afinal que mal pode fazer este sujeito, distante alguns metros, parado com um livro nas mãos .
Após alguns minutos percebo com o canto do olho a fuga precipitada das rolinhas .
O que as assustou ?
Meu cachorro está deitado embaixo da rede, não se mexeu.
Olho para a direita e vejo que o casal de bem-te-vis também se foi .
Curioso levanto para olhar em volta .
Um ponto na fachada do outro prédio, distante 20 metros, me chama a atenção.
Desço, pego a máquina e registro a foto.
Eles chegaram, é sinal que o verão vai começar .
Todo ano eles vêm e fazem ninho por aqui .
Uma vez o ninho foi feito no espaço entre a parede e a instalação de um ar-condicionado de um vizinho .
Sejam bem-vindos, o verão no Rio vai começar.