domingo, 14 de dezembro de 2008

Medo em Avião

No almoço de domingo em casa, todos a mesa, meu filho comentou que o sócio no escritório tem verdadeiro pavor de voar.
Acha mesmo que todo vôo em que embarcar terá destino trágico.
Já comentei em outro post um vôo que fiz para Salvador bastante confuso.
Mas lembrei na hora de C.
A loja de departamentos onde trabalhei tinha dois aviões executivos.Um tinha o apelido de Agonia enquanto o o outro era chamado de Aflições.
Pura maldade dos funcionários, o máximo que aconteceu durante o período em que estiveram ativos foi o fato do Agonia engolir um urubu em uma de suas turbinas.
C. era o piloto encarregado dos vôos.Sujeito extremamente divertido, adorava bater papo com os colegas da sede quando encarregado de levá-los , na maioria das vezes, no trecho Rio-SP.
Acontecia quase sempre quando a empresa verificava que mais de 5 funcionários da sede tinham compromissos em SP em uma data.
Assim ficava mais barato um vôo no Agonia ou no Aflições do que a compra de passagens na aviação comercial.
No dia então íamos todos para o Santos Dumont, muito cedo , embarcar em um dos aviões.C. imediatamente reconhecia quem já tinha voado com ele antes e quem era novato.
Comandava o embarque e sempre colocava o novato no único assento próximo a cabine.Nos dias em que não havia diretor da empresa a bordo aprontava o batismo do novato.
Após decolar do Santos Dumont e ganhar altitude após uns 15 minutos de vôo, deixava o avião perder altitude por poucos segundos.
A sensação é a mesma da descida em montanha russa.
Virava-se então para o novato sentado próximo a cabine e perguntava:
- E aí , tudo tranquilo, tudo bem ?  Está com medo?
O novato, ainda se refazendo do susto, sempre dizia:
- Não , tá tudo bem, estou sem medo.
A resposta de C. produzia sempre pânico :
- Ainda bem, porque eu estou com muito medo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Cara de um , prestígio de outro

Não sei se acontece com muita gente mas, vez por outra, me tomam por outra pessoa. Entre as desculpas que ouço sempre aparece o "mas você é a cara dele ...".
Na universidade , UFRJ, achei que tinha de fato encontrado um sósia, o Cassiano.
Erámos alunos do mesmo curso e volta e meia nos perguntavam se éramos gêmeos.
Aconteceu mesmo , de uma vez, a namorada de Cassiano acenar repetidamente para mim quando ainda não nos conhecíamos.
Amigos meus me disseram, em outra oasião,ter passado por mim na rua e queixaram-se de não ter eu retribuído a chamada.
Você estava em um Fiat Branco me disseram.
Um Fiat Branco era o carro de Cassiano.
Viajando com minha mulher e filhos ao Nordeste entrei em um passeio guiado em Maceió.
No ônibus ao meu lado sentou-se uma moça, também carioca, que me olhou, olhou, e por fim disse :
- Você não é engenheiro da Petroflex?
A resposta foi fácil, era Cassiano.
Outra vez, muito tempo depois, a semelhança com outra pessoa me rendeu um jantar grátis.
Estava em São Paulo e fui jantar com meu amigo e compadre Márcio.
Saí do escritório direto e fui com ele jantar, ainda de terno, em uma casa de carnes famosa na região dos Jardins.
Quando entramos notei que a hostess me olhou como se me conhecesse, e nos encaminhou para uma mesa sem esperarmos.
Márcio também notou e me perguntou quantas vezes já tinha ido lá jantar pois parecia que todos na casa me conheciam.
Respondi que, acreditasse ele ou não, era no máximo a terceira vez em muitos anos.
A hostess volta e meia aparecia à mesa e nos perguntava se tudo estava bem.
Sim, tudo ótimo, era a resposta padrão.
No final da refeição, café sendo servido, ela voltou agora acompanhada do que me pareceu ser o gerente geral da casa.
Perguntam novamente o que achamos do serviço e novamente elogiamos.
Meio sem graça, o maitre me pediu desculpas e perguntou:
- Por favor, me diga, o Sr não é o jornalista XXXXXXXX?
Antes que pudesse responder, Márcio respondeu de bate-pronto:
- Sim é ele mesmo.
Não respondi a olhar para Márcio para tentar entender o que se passava.
A reação da hostess foi imediata.
- Viu , eu disse que era ele , afastaram-se com a hostess a estampar sorriso no rosto.
Pedimos a conta .
O maitre apareceu e disse que não, a despesa corria por conta da casa.
Esperavam há algum tempo a minha visita após a reforma do restaurante e ,como havia elogiado bastante ,tinham certeza que minha avaliação no jornal seria positiva.
Tentei começar a protestar , a desfazer o engano, mas Márcio me puxou pelo braço para sairmos.
Na calçada disparou a rir, não sabia que eu era "tão famoso" , agora sempre só sairia para jantar em minha companhia.