segunda-feira, 30 de julho de 2012

Curtinhas IV

Eu tinha razão quando afirmei em outro post que a nova empresa seria fonte inesgotável de riqueza para este blog.
Hoje mesmo situação merecedora de registro aconteceu.
Não vou dar o nome da protagonista, quem a conhece irá facilmente identificá-la pela reação.
Ela merece também o registro de que é excelente profissional.
Quem me conhece sabe que  assim não qualifico aqueles que de fato não  merecem.
Nos conhecemos há mais de 20 anos, trabalhamos juntos 10 anos em outra empresa, sempre nos demos muito bem, é pessoa querida por todos que a conhecem e carrega consigo o respeito profissional adquirido por acertos e histórias de sucesso incontáveis .
Tenho por ela profundo respeito, admiração e carinho e também certeza de seu carinho por mim e minha família .
Mas uma boa estória deve ser contada.
Pois hoje sentamos juntos em uma  mesa para debater a estratégia de um projeto que vai começar.
Além de nós dois estavam presentes os responsáveis pelo desenvolvimento e outra profissional que cuida da liberação de atualizações.
Discutíamos a estratégia de ambientes de desenvolvimento, a liberação de software considerado premissa para o início da construção e outros cuidados.
Afinados pelo longo tempo que trabalhamos juntos nossas perguntas e assertivas se complementavam.
Tudo ia bem até que ela fez a pergunta ao responsável pelo desenvolvimento :
- Precisamos criar uma sigla com três letras para este projeto, o projeto SRM virou SRM , que sigla você quer dar ?
Não deixo uma bola dessas quicando na minha frente e respondi na lata .
- Ainda bem que virou SRM  não é , foi difícil essa escolha  ....
Na hora a reação dela  foi de procurar alguma coisa para me bater , chegou a levantar o caderno e pedir a outra pessoa  que estava entre nós :
- Esse garoto é terrível , bate nele por favor .....

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Curtinhas III

Emprego novo, novas pessoas, mas pelo tamanho da empresa prevejo que será fonte de muitos casos.
Como os dois ocorridos já em curto espaço de tempo.

Volto do almoço e após alguns instantes o estagiário me pede o celular emprestado.
Não estava conseguindo encontrar seu aparelho, tinha certeza que o havia trazido de casa.
Iria circular pelo andar, pelos lugares onde havia estado, ligando e assim esperando ouvir o toque.
Emprestei sem problema algum.
Depois de alguns minutos voltou, não havia encontrado seu celular.
Mais tarde soube que uma colega, dona de aparelho igual, o havia pego por engano.
Estou saindo de uma reunião horas depois  quando meu celular toca.
Reconheço a voz de imediato, é ele o estagiário que me diz :
- Boa tarde, existem várias chamadas de seu número para meu celular, posso saber em que posso ajudar ?
Não resisto ao comentário :
- Tá doido, parecendo Mané, foi você mesmo que ligou procurando seu aparelho, esqueceu ?
- Foi mesmo , é isso aí .....

Em outro dia volto do almoço e um dos membros da equipe me fala :
- Ô meu, esperamos você para o almoço e você não apareceu .
- Esperou como, cheguei na mesa meio-dia e cinco , vocês já tinham saído ....
- É , esperamos até meio-dia ......



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Usando o Aprendizado


Gosto de cozinhar quando me dá vontade.
Esta acredito é a minha grande diferença para aqueles ou aquelas que são obrigados a fazê-lo todos os dias.
Voltando de casa no metrô sinto cheiro de massa com carne.
Procuro e logo vejo um rapaz com uma embalagem do Habib´s nas mãos.
Não sei porque mas resolvo parar no mercado e comprar açafrão para fazer um arroz.
Não há conexão nenhuma com a embalagem que o rapaz segurava mas, foi o que me deu vontade de fazer, ao começar a pensar em comida.

Encontro o que procuro, pego outras coisas pequenas e vou para a fila do caixa.
O mercado não está cheio mas, com apenas três caixas funcionando, filas com cerca de 5 pessoas estão em cada caixa.
Escolho o caixa do meio.
A minha frente está uma senhora com poucos itens.
Chega a sua vez e ela começa a passar cada item.

O problema acontece quando ela faz a observação ao caixa, um senhor de óculos, meio atrapalhado ao passar cada item na leitora de códigos de barra .
- Este item que apareceu como 4,99 está com a etiqueta de 4,25 na gôndola.
- Como, o que a senhora disse ?
- O senhor me cobrou a mais, 4,99 , está 4,25 na etiqueta.
-  Ih não sei como fazer ....
-  Espere um instante, vou pegar a etiqueta.
Ela sai para ir pegar a etiqueta, a venda pára.
Dois minutos depois volta, a marcação na etiqueta é clara, está impresso 4,25.
O caixa pega a etiqueta, examina, olha do outro lado, não sei até agora porque o fez, e depois de pensar fala :
- Mas aqui a descrição está diferente, no produto diz “ molho com cebola para frango suculento “ e na etiqueta está só “molho com cebola “.
A senhora não se contêm e diz o óbvio :
- Será que o espaço da etiqueta não é menor que a descrição inteira do produto ?
O caixa pára e fica a refletir com a etiqueta na mão.
Resolve então pedir ajuda a outro funcionário .
- Valdecir , vai lá no corredor e vê o preço deste item.
Resolvo intervir .
- Meu senhor, me desculpe , mas como seu amigo vai conferir se a etiqueta está aqui em suas mãos ?
Aliás este assunto está demorando muito. Vale o preço que está na etiqueta de gôndola, a legislação é clara sobre este ponto, não há o que discutir.
- Moço estou tentando resolver .
- Desculpe , não está, o senhor está dando voltas, não sai do lugar, cumpra a lei.
- Mas como vou resolver, o item já foi registrado, se cancelar e passar de novo vai aparecer de novo 4,99, é o sistema , ele lê o código.
Atrás de mim um velho dá razão ao caixa .
- É isto mesmo, é o computador . É melhor cancelar o item e deixar .
A senhora protesta :
- Mais eu quero levar e pagar o preço certo, é meu direito.
Penso que sistemas de automação de caixa não são tão diferentes assim.
Olho a tela e vejo que o operador de caixa não encerrou a venda ainda.
Faço a sugestão ao caixa :
- Registre como cobertura de preço de concorrência e encerre o assunto por favor.
Ele retira um cartão do bolso, passa na leitora e registra o desconto encerrando a venda.
Quando o ticket é impresso as pessoas na fila me aplaudem.
Passo rapidamente os itens e vou embora sorrindo.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sanduíche em Francês


Havíamos chegado por volta de 5 horas da tarde em Neuchatel , Suíça , em um domingo, já que na segunda-feira tínhamos o primeiro de 3 dias de agenda a cumprir .
Chegamos no hotel e para aproveitar as horas de folga saímos a andar pela cidade vazia, a observar o belíssimo lago, a descobrir uma igreja construída dentro de um castelo com muralhas, a perceber notadamente o silêncio em casas e prédios baixos de onde nada se ouvia .
Por isto nós andamos e por volta de 7 horas da noite perguntei a Márcia o que achava de procurarmos um local aberto para pedirmos sanduíches, já que havíamos tido um excelente almoço em Genebra, estávamos sem fome. A idéia seria retornar ao Hotel logo após e checar slides, para a primeira apresentação do dia seguinte, e depois tratar e-mails não respondidos.
Em uma praça percebi no brilho do néon verde , em um prédio lateral , a palavra Sandwich . Já havíamos tentado em outras ruas e lugares sem sucesso .
Para lá fomos e nos deparamos com um local pequeno , poucas mesas com toalhas xadrez , duas ocupadas com pessoas comendo sanduíches e refrigerantes .
Sentamos e logo veio o garçom com um menu em francês , nos saudando em francês .
Tenho um conjunto de palavras decoradas em francês em que digo , desculpe , não falo francês , você fala inglês ?
O abano lateral da cabeça do garçom foi resposta contundente.
Tentei a saída com o pedido :
- Menu Anglais ?
A resposta foi novamente negativa .
Lembrei de que queijo em francês era fromage e perguntei :
- Fromage Sandwich ?
A resposta desta vez veio acompanhada de um grande sorriso do entendimento .
Márcia repetiu então que queria o sanduíche de queijo e uma Coca Cola , a palavra Coke sem dificuldade de entendimento .
Sentindo-me confiante resolvi pedir algo diferente.
Havia visto no menu em mais de um item a palavra poulle , em espanhol pollo é frango , certo da raiz latina do termo mas ainda incerto arrisquei :
- Poulle SandWich ?
A resposta positiva do garçom veio acompanhada de outras frases que desmontaram minha confiança . Pensei em bater os braços como asas e cacarejar para fazer entender o que queria . Um segundo pensamento me salvou da cena ridícula.
Provavelmente ele me perguntava se desejava mais alguma coisa. Sem constrangimento apontei para a mesa ao lado onde havia um prato de batatas fritas .
Sucesso total , agradecendo o garçom se retirou retornando minutos depois com os sanduíches de queijo branco e frango com curry em pão ciabata .
Na hora saída para pedir a conta fiz o sinal clássico de uma mão a riscar a palma da outra .
Pagamos a quantia e Márcia agradeceu ao garçom dizendo “Muito obrigado" .

A reação dele foi sensacional .
- Muito obrigado ? Vocês falam português ? Eu sou português , de onde vocês são ?
Levantei-me rindo da dificuldade que havia passado , respondi que eramos brasileiros, cariocas e saímos logo .

domingo, 1 de julho de 2012

Encontro com o Ladrão


Se me pedem uma definição digo que sou Carioca, Tijucano e Rubro-negro.
Acredito mesmo que os três qualificadores me definem em sua essência.
Ser Tijucano significa gostar de cozinhas grandes, de valorizar os encontros familiares,de achar que o Maracanã é seu , de gostar de jogar conversa fora, de ir a pé até a padaria e  a banca de jornal, de passear com seus cães, de saber que está próximo de tudo no Rio.

Sou do tempo da Tijuca de muito antes das UPPs , do bairro cercado de favelas mas que não explodia em violência, onde o respeito aos moradores e conhecidos era regra de lei.
Minha rua tinha um time que jogava sempre que podia nos finais de semana. Já falei dele em caso que narrei em “Pelada na Quinta “.  Disputávamos também os campeonatos que Padre Jorge promovia na quadra da Igreja . Times de todas as favelas participavam deste campeonato, assim era comum conhecer personagens que sabíamos adotar outro comportamento fora da quadra mas que na Igreja se comportavam muito bem.

Tinha acabado de começar a namorar Leila e em uma noite de sábado saímos no carro dela.
Ela havia entrado em casa, carro já guardado na garagem, quando começo a descer a rua a caminho de casa.
Mais a frente, atrás de um poste, do outro lado da rua  protegido por uma sombra vejo um sujeito parado. São quase duas da manhã, não podia ser boa coisa.
Pensei imediatamente que seria assaltado. 
Não adiantava correr, se o sujeito estivesse armado seria pior.  Resolvo esperar que me aborde , é quase do meu tamanho, se estiver de mãos limpas não vai levar nada, vai ter que brigar muito eu pensava.
Passo por ele do outro lado da rua e com o canto do olho vejo que resolve atravessar para me encontrar por detrás .
Quando atravessa é iluminado pelas lâmpadas da rua e o reconheço. 
Já havíamos jogado contra o time dele uma dúzia de vezes, mais de uma vez havia me filado cigarros depois do jogo e havíamos trocado algumas palavras.
Desta vez a vantagem é minha, diminuo o passo e me viro na hora em que parece buscar alguma coisa em suas costas.  Digo em voz alta :
- E aí Bocão , tudo bom ?
Sua reação é de clara surpresa. Neste momento percebo que me reconhece o que faz o trazer a mão detrás do corpo para a frente.
- O rapaz, tudo bom , e você , ainda joga no time do Paulinho ?
- Claro, de vez em quando a gente se reúne . Minha namorada mora nesta rua , estou indo para casa . E você o que está fazendo ?
- Eu ? Nada , tava ali parado pensando na vida .
- O Bocão , acho que você não me reconheceu e pensou que eu era um mané qualquer. Tu ia me assaltar Bocão ?
- Claro que não , claro que eu te reconheci . O sorriso que exibia era de um amarelo forçado.
- Pô Bocão , não se faz nada com quem é da área, você sabe disso .
- Não é isso não, eu te reconheci.
- Então Bocão um abraço , vamos ver se jogamos outra vez.
- Vamos sim , tchau . Disse isto e deu a volta .
Desci a rua rindo, dessa vez a surpresa foi da  “vítima “.