sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ser educado ajuda

A empresa onde trabalhava , meu primeiro emprego, tinha escritório central em João Pessoa, responsável pela operação de subsidiária.
Como responsável por sistemas administrativos ( Folha , Contabilidade, ...) para lá fui para conversar com os responsáveis de cada área visando a implantação dos sistemas da matriz.
O escritório ficava em uma boa casa, próxima ao parque Solon de Lucena.
Logo ao chegar, já na metade da manhã, fui procurar C. , responsável pelo Departamento Pessoal .
Bati à porta, escutei o "entre "e vi C. conversando com um senhor forte.
- Desculpe C. , não sabia que estava ocupada, volto depois .
- Não Ely , fique , nossa conversa já está terminando.
Sentei-me a cadeira próxima ao senhor , lhe estendo a mão para o cumprimentar em seguida :
- Bom dia , sou Ely Barbosa, prazer em conhecê-lo .
A resposta e o cumprimento forte na mão vieram em seguida .
- Prazer, sou A., o senhor é o contador da empresa ?
- Não , sou analista de sistemas da matriz, acabei de chegar do Rio, espero não o estar atrapalhando, peço-lhe descupas.
Virando-se para C. ele então respondeu :
- A Sra veja o que é educação Dona C., este rapaz nunca me viu na vida, mas sentou-se a seu convite, me cumprimentou com respeito e ainda me pediu desculpas. Tá-se vendo que é gente de bem , não como esses trastes que existem por aí e dão aporrinhação na nossa vida .
- É assim mesmo A., mais alguma coisa que possa fazer ?
- Não Dona C. , agora vamos ver como vai ficar , não é ?
- Isto mesmo , até a próxima !
Virando-se para mim disse-me :
- Bom dia para o senhor !
- Bom dia , passe bem !
Levantou-se e saiu sem olhar mais para trás.
Depois que saiu C. me perguntou :
- Você sabe quem é esse aí ?
- Não , não sei , quem é ?
- Você soube que na semana passada um sujeito passou a faca em outro lá na mina ?
- Sim , ouvi isso lá no Rio .
- Pois é , esse é o sujeito que puxou a faca .
Um riso nervoso me apareceu .
- E porque perguntou se eu era o contador ?
- Porque dissemos a ele que estava sendo demitido por ordem do contador da empresa.
Em pensamento agradeci a meus pais a minha educação .

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Teatro do Oprimido

O Teatro do Oprimido, criação de Augusto Boal, tinha por base a participação de espectadores na ação, produzindo através da ação a transformação de papéis, mudando o rumo da estória.
Disso me lembrei quando recebi o caso abaixo enviado pelo Jackson , pai da Camila.
Não posso atestar sua veracidade mas achei muito engraçado.

"O dono de um circo, em passagem pelo interior da Paraíba, ao saber que determinada cidade possuía comunidade muito religiosa resolveu encenar a Paixão de Cristo na Sexta-Feira Santa.

Para completar o elenco, empregando estratégia de marketing, resolveu o empresário circense escolher moradores locais .

Assim mais pessoas compareceriam para assistir a atuação de seus vizinhos e amigos.

Para o papel de Jesus um rapaz da cidade foi escolhido.

Os ensaios começaram a acontecer, não se falava de outra coisa na cidade .

Todos os ingressos já estavam vendidos quando, na véspera do evento tão esperado, o palhaço foi contar ao dono do circo que sua esposa estava de caso com o intérprete de Jesus.

Furioso com o desrespeito a sua pessoa pensou o empresário o que fazer.

Fazer escândalo, pegar o rapaz, interpelar a esposa , intérprete de Madalena , nada podia fazer pois colocaria em risco o espetáculo já totalmente vendido , lucro que não via acontecer há algum tempo.

Pois chegou a uma conclusão em como ter sua vingança.

Reuniu o elenco e avisou que participaria da encenação.

Como seria, você nada ensaiou , disseram-lhe os atores.

Não se preocupem , farei o papel de centurião romano, este nada fala, não irei atrapalhar.

Nada podendo fazer o elenco concordou.

Finalmente chegou o dia do espetáculo.

A área da platéia botando gente pelo ladrão assiste em comovido silêncio e dor as estações da Paixão de Cristo.

O Nazareno, coroa de espinhos a testa, carregando a cruz a suas costas com o centurião romano a lhe dar chibatadas.

Só que eram de verdade.

- Oxente, cabra , tá machucando!

Reclamou “Jesus “ em voz baixa.

- É para dar maior veracidade a cena, assim respondeu o centurião.

E tome chicotada, lept,lept,lept no lombo do infeliz ator.

Assim foi até que enfurecido com tamanha dor , larga “Jesus” a cruz no chão, alcança uma peixeira e parte para cima do centurião.

- Vem desgraçado, vem que vou te ensinar a não bater num indefeso !

O centurião parte em desabalada carreira e a platéia explode em delírio :

- É isso aí , Pega ele Jesus, pega esse romano fio de uma égua ! "

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Verdadeira Autoridade

Nunca gostei da postura daqueles que empregam a frase “Você sabe com quem está falando “ ?

Esperam em uma discussão resolver a situação, não com a predominância de idéias e valores mas, simplesmente, pelo seu pretenso status.

Quase sempre não são de fato poderosos, o poderoso mesmo ,de fato, não precisa se identificar.

Um de meus ex-vizinhos, juiz federal aos 25 anos , foi detido arbitrariamente por equipe da polícia civil que abusou do uso da autoridade, não acreditaram que um rapaz de bermudas em dia de carnaval fosse um juiz , e não o deixaram se identificar.

Resultado todo mundo afastado quando na delegacia ele se identificou.

O falecido coronel Cerqueira , da PM do Rio, uma vez saindo de uma reunião no centro do Rio , em roupas civis , acompanhado de mais três oficiais , também em roupas civis, teve seu carro parado por uma patrulha da PM no Aterro do Flamengo.

O soldado ao se aproximar do carro, não o reconheceu , pediu os documentos e antes mesmo de os verificar disparou :

- Aí hein Negão ? Tirando onda com o carro do patrão ?

Situação pior aconteceu na Tijuca.

O senhor , já de idade , ao sair da garagem de seu prédio deixou o carro morrer, um Opala, logo após pegar a Rua Conde de Bonfim.

Atrapalhou-se e não conseguiu fazer o carro pegar novamente.

Estava nesta situação quando passou um camburão da PM e , de uma das janelas, um dos policiais lhe gritou para tirar a lataria da rua e ir para casa já que era velho.

Não pensou duas vezes, aconselhou o policial a fazer algo.

O camburão parou , de dentro saltaram os bravos ocupantes, e a força enfiaram o senhor na caçamba da patrulha.

Um dos soldados assumiu a direção do Opala e retirou o carro da rua.

A cena foi assistida pelo porteiro do prédio onde o senhor morava que logo avisou sua filha quando esta chegou em casa.

Preocupada procurou a delegacia mais próxima , na rua José Higino .

Não , lá ele não estava disse-lhe o escrivão que a atendeu.

Veja se não o levaram para a delegacia da Praça da Bandeira.

Para lá ela foi e também não o encontrou.

Resolveu ir até o quartel mais próximo, na rua Barão de Mesquita.

Lá chegando avistou o carro do pai estacionado .

Pediu para falar com o oficial de dia , responsável pela guarda.

Depois de muito esperar um cabo veio lhe falar.

- Senhor eu pedi para falar com o oficial de dia , o senhor não é oficial, conheço as divisas de seu uniforme.

- Mas o que a Sra deseja ?

- Aquele carro estacionado é do meu pai , ele está aqui ?

- Ah, a Sra é filha daquele senhor, ele está detido aqui sim, está muito nervoso. Vamos leva-lo para a delegacia para identificação e registro da ocorrência .

- Como ? Vocês o detiveram há mais de 2 horas , não o identificaram , é um senhor de idade, não o respeitaram na rua pois assim me disse quem assistiu ao que ocorreu, e ainda o mantêm detido ?

Por favor chame o oficial de dia.

- Quem é a Sra ?

- Por favor chame o oficial de dia.

Mais um período de espera e finalmente um tenente apareceu.

O diálogo se repetiu, o tenente negou a liberação do senhor.

Pois se é assim , se o senhor não quer resolver , vou achar quem vai resolver , disse-lhe a senhora.

Mas quem é a senhora, perguntou o tenente enquanto esta se afastava e sacava um celular.

Quinze minutos depois um caminhão com soldados da PE, comandados por um major, toma o quartel da PM , dá voz de prisão a todos e vai liberar o velho senhor.

Ato contínuo o major ordenou que todos entrassem em forma e desfilassem prestando continência ao velho senhor .

O velho senhor era um general de exército , na reserva , que a tudo assistiu com indisfarçável sorriso .

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Imigração em Aeroportos

Li no jornal de domingo matéria em que um jornalista descreve situação em que teve que ficar nu para conseguir entrar na Suécia.

Por tal situação nunca passei mas com cara e jeito de latino aprendi que falar de maneira gentil e atenciosa é sempre a melhor maneira de quebrar desconfianças e assim, as vezes, ganhar um sorriso de quem te examina.

Como uma vez passando pela imigração americana ainda em área no aeroporto de Montreal voltando para NY.

A oficial do Homeland Security Department era uma senhora negra , com grandes brincos nas orelhas , que me recebeu com um cumprimento protocolar.

- Boa tarde , para onde está indo ?

Meu passaporte e cartão de embarque já estavam em suas mãos .

- Boa tarde senhora, vou para NY .

- NY , o que está acontecendo em NY ?

- Olha , algumas peças e shows muito interessantes estão na Broadway mas infelizmente tenho uma reunião no escritório de minha empresa antes de voltar para o Rio. Assim não vou fazer nada de bom mesmo.

- Sua empresa ? Onde você trabalha ?

- Em uma rede de joalherias brasileira , uma das quatro maiores redes do mundo, tem escritório na 5ª avenida . Aliás seus brincos são bonitos.

O sorriso veio na hora junto com a despedida .

- Meu marido os comprou para mim , tenha uma boa estada e faça uma boa viagem .

No aeroporto , no Rio , antes de embarcar para os Eua em outra vez , a funcionária da companhia americana de aviação ao pegar e examinar meu passaporte , durante o questionário sobre quem arrumou a bagagem , quem a transportou , etc me perguntou:

- O que você foi fazer em Israel ?

- Olha isto parece pergunta de filme. Se fosse um filme era a deixa para falar que era segredo e não poderia nunca te contar . Mas como não é filme fui a trabalho mesmo.

Sorrindo me devolveu o passaporte e me encaminhou para o check-in.

Nada disso entretanto funcionou quando desembarquei uma vez em Paris para escala de vôo com destino a Tel Aviv . Na saída do finger, no início mesmo da área de desembarque, uma gendarme me pede o passaporte que entrego junto com o cartão do próximo vôo que iria pegar. A pergunta que me faz em francês respondo com a frase, em francês, que sempre digo nestas horas.

- Não falo francês , você fala inglês ?

A resposta foi um Oui meio titubeante e me logo me pergunta algo que entendo ser para onde vou .

- Tel Aviv , tenho uma conexão para fazer daqui a uma hora .

- Tel Aviv ?

- Sim, Tel Aviv .

Para minha surpresa manteve meu passaporte e cartão junto com outros que já tinha em mãos e apontou para um recuo onde outras pessoas esperavam .

Não entendi o que aconteceu mas para a direção que apontou me dirigi.

Lá encontro um casal jovem , vestidos de jeans e camisetas, e pelo menos três travestis.

Entendi de imediato , ela não entendeu o que lhe disse e me juntou a aqueles que julgava ser passageiros tentanto imigração ilegal .

Ainda a chamo mas não me dá atenção.

Fiquei preocupado , não podia perder a conexão.

Para minha sorte vejo outro gendarme se aproximando e a ele me dirijo :

- Por favor senhor , tenho uma conexão de outro vôo que sai em menos de uma hora e sua colega policial está com meu passaporte e cartão de embarque . Pediu que aqui ficasse.

Ele pareceu compreender o que disse e me pergunta em bom inglês ;

- Para onde vai senhor ?

- Tel Aviv ,Israel , não vou permanecer em Paris .

- Para Tel Aviv ? Porque ela pegou seu passaporte ?

- Não sei senhor , o senhor poderia me devolver meu passaporte e cartão de embarque ?

- Por favor espere.

Ele se dirigiu a policial e claramente escuto Tel Aviv , Israel quando para mim aponta .

Ela então procura e lhe entrega meu passaporte e cartão que logo me são devolvidos.

Agradeço ao gendarme e apressado busco a saída , o grupo de travestis atrás de mim já estava maior .

sábado, 9 de julho de 2011

Contrabando de Cerveja

Ainda na convenção da rede de lojas de departamentos no ano 2000 outras coisas engraçadas aconteceram.

A empresa elaborou para a convenção programação diária em que uma parte do dia era voltada para os assuntos em discussão , ficando a tarde ou a manhã livres para os funcionários aproveitarem a permanência no resort .

Despesas fora da estadia ( café , almoço e jantar ) corriam por conta de cada um.

Liberados depois do almoço fomos eu e Lula ( o do bem ) para a piscina , dali para a quadra , da quadra para a sauna e depois novamente para a piscina.

Na sauna aconteceu com Lula o caso que contei aqui mesmo no blog em outro post ( Na sauna ) .

Final de tarde resolvemos passar pelo portão da piscina que dava acesso a trecho de praia dentro do resort.

Quando lá chegamos vimos um ambulante vendendo cerveja em garrafa que retirava de um isopor .

Resolvi perguntar o preço da cerveja :

- Amigo quanto é a garrafa ?

- Dois reais meu Rei .

Pagávamos algo como cinco reais em fichas em cada latinha no resort .

Perguntei ao segurança do resort que estava controlando o acesso da praia.

- Posso comprar e levar para uma mesa na piscina ?

- O senhor é hóspede , pode levar sim , ele é que não pode entrar para vender ou pegar as garrafas vazias .

- Fechado , vou levar três garrafas e depois trago as garrafas vazias , pode ser ?

Voltamos , pedimos um balde com gelo a um garçom, e começamos eu e Lula a papear.

As pessoas viam as garrafas em nossa mesa e vinham perguntar :

- Ely , onde você conseguiu cerveja em garrafa ?

- Ali na praia , tem um ambulante vendendo a 2 reais , você só tem que levar as garrafas vazias depois .

Formou-se uma fila na praia.

Os garçons começaram a nos olhar com cara feia , ninguém mais pedia cerveja na piscina.

Já caindo a noite fomos devolver as garrafas a um ambulante feliz pela venda.

Foi quando Lula ao invés de dar a volta resolveu descer por um montinho no gramado.

Escorregou e caiu de bunda deslizando até a areia.

Foi o sinal para quem viu começar a rir muito e fechar a tarde.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Na Convenção - 2000

Depois de postar a estória abaixo lembrei de outras “maldades de escritório “.

Uma também aconteceu na rede de lojas de departamentos.

O ano era 2000 e a empresa resolveu realizar sua convenção anual, com todos os gerentes, no Club Méd em Itaparica.

A então diretora de RH , como gestora do projeto SAP, resolveu levar todos os participantes do projeto para a convenção.

Assim muita gente que nunca havia ido a uma convenção deveria ir.

Algumas novidades para estas pessoas então surgiam , como descobrir com quem se dividiria o quarto no hotel.

A companhia adotava como regra manter os participantes dos anos anteriores dividindo as mesmas acomodações.

Assim, no meu caso, meu grande amigo e parceiro Alex V sempre dividia o quarto comigo.

Mas tinha eu na equipe novos participantes naquela convenção.

Um deles era Fábio Couto que me perguntou :

- Ely , você conhece o P. , funcionário da contabilidade ?

- Claro , conheço sim , porque ?

- Vai dividir o quarto comigo na convenção .

- Olha, só tem um negócio que você deve saber .

- O que ?

- O cara é viado , se ele te achar interessante, na convenção o pessoal a noite gosta de tomar algumas cervejas, fica esperto para não acordar abraçadinho ....

- Qual é Ely , se ele der em cima de mim vai se ferrar ....

Na mesma hora fui até a Contabilidade encontrar “casualmente “ o P.

- E aí P. , animado para a convenção ?

- Estou sim Ely , acho que vai ser muito legal .

- E aí , vai dividir o quarto com quem ?

- Com um cara que está no projeto SAP , Fábio, você conhece ?

- Claro ,está no meu time , só tem um porém .

- Qual é ?

- Depois que ele bebe um pouco solta a franga mesmo, sai completamente do armário .

- É viado ?

- Não é pouco não , é muito . Soube que ele gosta de um negão , assim vocês vão se dar bem .

- Nada disso , é melhor ele se comportar.

Saí de lá e passei a semana provocando Fábio depois de contar a estória a Alex V e Lula que confirmaram a ele o que eu havia dito.

Durante a convenção após a primeira noite procurei Fábio.

- E aí Fabinho , como estão as coisas , fez um ninho de amor ?

- Pô Ely , o cara é sério , quando entrou me perguntou o que achava de afastarmos as camas mais um pouco . Concordei dizendo que era bom pois eu roncava . Desse jeito não vai ter bronca.

Passaram a semana um desconfiando das intenções do outro, só na volta ao Rio contei a verdade aos dois .