sábado, 24 de abril de 2010

Brigando com o sistema

Fico muitas vezes surpreso com o que pessoas dizem sobre sistemas de informação.
Ao sistema é dado poder absoluto, se for algo que escrito está numa página Web então se adquire caráter sempre verdadeiro, não pensando as pessoas que o texto lido foi por alguém escrito, de veracidade igual ao presente em jornais, revistas, etc.
Estou na Tijuca, sábado de tempo fechado, resolvo ir ao InfoShopping comprar um pen drive de 16 GB.
Há um estacionamento próximo e para lá me dirijo.
Pego o comprovante e saio.
O local é próximo, não demoro mais que 20 minutos para voltar ao estacionamento.
Vou ao caixa pagar o estacionamento e estendo uma nota de cinco reais.
A caixa recebe a nota e o diálogo doido começa :
- O Sr não vai dar o restante ? Está faltando muito !
- Que restante, a taxa não é de 4 reais a hora ? Fiquei no máximo 20 minutos .
- O sistema está dizendo que o Sr deve 180 reais .
- Como é ? Como chegou neste valor ? Veja por favor o recibo que lhe entreguei.
- Sr isto aqui é coisa do computador, o sistema não erra, é informática .
- Minha querida , é só fazer a conta , 4 reais a primeira hora , meu carro não ficou parado no estacionamento mais que 1 hora , veja o recibo por favor.
- O Sr não está entendendo, se o sistema diz que são 180 reais é porque ele calculou isso .
- Minha querida, sou profissional de informática há mais tempo do que você provavelmente tem de idade, há um erro enorme aqui. Veja o recibo por favor.
Ela não se convence e chama outra pessoa que me parece ser um encarregado.
Diz ao sujeito que não estou aceitando o que o sistema aponta como devido, que não sabia ela como explicar.
O sujeito me olha com ar de superioridade e começa a falar das maravilhas do sistema.
Nisto vira o monitor em minha direção e de imediato identifico a razão da bobagem.
No local onde aparece a placa do veículo, ao invés de um "W", está um "Q".
Na descrição da marca, ao invés de "Honda ", aparece "Toyota ".
O sistema deve estar certo digo ao encarregado,faço uma pausa e percebo o sorriso no rosto dele, só que este carro aí descrito não é o meu digo em seguida para desfazer o sorriso.
Peço mais uma vez para pegar o recibo que havia entregue com a placa correta.
Consultando o recibo percebeu ele então o erro de digitação.
Faz o pedido de desculpas e me afirma que o sistema afinal estava certo.
Respondo que sim , o sistema está certo, o problema está na interface entre a cadeira e o teclado.
Saio e vejo que não ele não havia entendido o que disse.

sábado, 17 de abril de 2010

O jeito certo de falar

Estava no escritório da empresa e vi que precisava falar com o gerente de RH.
Na sala dele fui informado que ele estava no sala da gerente do departamento jurídico.
Lá chegando o encontro já de saída se despedindo da advogada.
Brinco com ele dizendo que é pessoa difícil de se encontrar, havia ido 2 vezes a sala dele não o encontrando.
Devia ele parar de agir assim e, ainda brincando, perguntei a advogada se não cabia um mandato de injunção para interromper este comportamento.
Ela , rindo, perguntou-me se havia estudado Direito pois volta e meia ao conversarmos percebia que usava alguns termos próprios do falar de advogados.
Retruquei que havia percebido há tempos que cada tribo de profissionais usa por vezes termos próprios, quase que para se determinar diferente, como os sinais secretos que maçons trocam entre si.
Como tenho boa memória guardo estes termos e assim brinco.
Uma vez indo visitar uma colega que havia passado por uma cirurgia cheguei já depois das 18 horas na entrada da casa de saúde onde ela estava internada.
Ao me ver o vigia disse que não podia entrar , estavam as visitas encerradas e não havia vaga disponível.
Mesmo para médicos perguntei, estava indo ver uma paciente que havia "feito " uma determinada alteração vaso constritora e estava internada.
Para médicos pacientes não "tem " , pacientes "fazem" determinada coisa.
O vigia não titubeou , abriu o portão e me indicou onde estacionar.
Cheguei com facilidade no apartamento para a visita.
Naquele hora , andando de paletó e gravata pelo hospital, estava na cara que eu era médico.
De outra feita estava no aeroporto de Recife aguardando a conexão para Maceió e resolvi andar pelo aeroporto.
Percebo um grupo de pessoas em volta de um oficial da FAB , vestido com uniforme de vôo, pedindo um jeitinho para embarcar no vôo já lotado que ia para o Rio.
Ao chegar perto reconheço o piloto, é Sergio, meu primo.
A dois passos do grupo falo em voz alta :
- Major, ainda não confirmei meu embarque, há algum problema ?
Surpreso ao meu ver ele embarca na brincadeira, presta continência e responde:
- Não senhor, estava aguardando sua confirmação senhor.
Deve ser uma autoridade,assim acredito que foi o que as pessoas pensaram, pois para mim se viraram a pedir o jeitinho para embarcar.
Respondo que o comandante do vôo é o Major, a ele cabe a decisão.
Peço licença e afasto Sérgio pelo braço do meio do grupo.
Mais afastados trocamos um abraço e ele me perguntou se queria mesmo ir para o Rio.
Permitiria que eu viajasse na cabine.
Disse-lhe que não, estava indo para Maceió, mas não podia perder a oportunidade de brincar com ele.

sábado, 10 de abril de 2010

Um milagre de 4 dedos

Uma gota caiu , outra gota logo veio , virou uma poça.

A poça virou uma lagoa , a lagoa virou rio forte.

Parado na rua Almte Cochrane , indo buscar Elisa , estou ilhado.

A água sobe , rezo e peço a Deus uma pausa na chuva agora tempestade.

A água continua a subir .

Abro a porta do carro e vejo a água chegando na metade da roda, já no estribo.

Peço por um milagre aos santos.

O carro parado a minha frente, maior e mais alto, resolve enfrentar a sorte.

Avanço 3 metros. Estou em posição mais alta .

Meço novamente a distância para a água, são agora 4 dedos.

Estes 4 dedos me salvaram, atrás de mim não há ninguém parado.

Aguardo por mais 3 horas para poder enfim tentar sair.

Depois de sair fiz a reflexão .

A quatro santos pedi ajuda, cada um me ofereceu um dedo, um milagre de 4 dedos me salvou.