sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Desejos para um novo ano.

Gosto de dedicar aos meus amigos e entes queridos um conjunto de pensamentos no início de cada ano.

Sei que não podemos mudar em nada o que passou mas podemos desejar ter um presente e um futuro de alegria e felicidade , em que gastemos menos tempo em coisas e mais tempo com pessoas.

Desejo de coração que no próximo ano os dias lhe sejam brilhantes e floridos, que risos e alegria estejam a sua volta e mesmo naqueles dias em que não parecer ser assim que flores , sorrisos e abraços lhe apareçam. 

Que o ano lhe seja ruidoso com os sons da alegria e também com momentos de silêncio, pois por vezes do silêncio do coração e de nossos pensamentos partem nossos melhores votos.

Que o ano lhe seja de paz, que seus desejos bons e puros presentes em seu coração aconteçam a você e a seus entes queridos. 

Tenha a certeza que no próximo ano estaremos lado a lado, como amigos que somos, e que ao final de 2013, ao olhar para trás, a lembrança de tantos bons momentos vividos lhe aflore e traga um sorriso e saudade , pois este será um ótimo ano .

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

No Supermercado


Fila de caixa de supermercado é um dos lugares onde podemos observar como anda o nível de civilidade e educação de nossos vizinhos.
Como no dia de ontem, domingo antes de Natal, a loja está cheia e com filas grandes.
Havia pensado que isto iria ocorrer, final de semana imediatamente depois do dia 20, dia de pagamento da 2ª parcela do 13º salário, é minha culpa não ter vindo na noite de sexta-feira .
Observo as filas de cada caixa antes de escolher uma.
Carrinhos de compras com volumes diferentes estão em cada fila , faço as contas tentando visualizar como se equiparam , e assim escolho uma fila.
Ao me posicionar observo quem está em cada fila, faço assim marcações de quão certo estava em minha escolha.
A minha esquerda , duas posições atrás da equivalente a minha, está um senhor negro enorme, camisa do Flamengo de 92 , carrinho cheio de carnes e cerveja.
Penso que o churrasco vai ser bom, pelo menos a cerveja é boa.
A minha direita , quase ao meu lado, uma posição atrás, está um rapaz falando ao celular em voz alta, é impossível não ouvi-lo falando da festa de fim de ano da empresa, de quem ficou mal, de quem ficou com quem , de quem saiu antes.
Enquanto fala mexe os braços e as mãos sem parar, os trejeitos são femininos.
Desconfio que está aborrecido, não pegou ninguém .
A minha frente está um casal e um senhor mais velho.
Falam sobre a melhor maneira de se preparar o bacalhau que estão levando.
Noto que esqueci de pegar pasta de dentes, atrás de mim está um carrinho também cheio com muitos itens, também devem ter esquecido algo e foram buscar eu pensei.
Largo o carrinho e vou até a seção de higiene.
No caminho falo com o senhor do carrinho de carnes e cerveja.
- Meu senhor, vejo que o senhor tem bom gosto para se vestir e para a escolha da cerveja.
Ele me responde com um sorriso enorme.
- É Natal , temos que festejar.
Na volta surpresa, um senhor com dois filhos está com seu carrinho a minha frente.
Vejo que percebe minha chegada mas não se altera, continua falando com os filhos.
Fico parado a observar a quantas vai a cara de pau do sujeito.
O senhor com a camisa do Mengão me sorri reconhecendo minha situação de surpresa , está com uma garrafa de cerveja aberta bebendo aos goles.
Não resisto e falo ao cidadão agora a minha frente.
- Desculpe, eu saí para buscar dois itens, não me lembro de ter visto o senhor antes na minha frente.
Com ar de enfado o cidadão mal se vira para me responder .
- Não havia ninguém na fila, só os carrinhos, assim estou aqui.
- Desculpe mas isto não está certo, não demorei 2 minutos , o senhor me viu chegar e continuou como se nada houvesse acontecido.
Ele então se vira mas ao acabar de se virar ouve o enorme rubro-negro da fila ao lado falar :
- O rapaz está certo, ele estava há muito tempo aí . Não é certo o que o senhor está fazendo, furando a fila na maior cara de pau.
Está com as duas mãos postadas em seu carrinho de compras, a cerveja largada no carrinho,o rosto está sério.
Penso que ganhei um trunfo enorme.
As pessoas se voltam para o sujeito, o rapaz que falava ao celular traz uma das mãos a boca.
O cidadão percebe meu olhar direto e mais ainda o olhar de todos, meu agora amigo rubro-negro o está encarando com firmeza.
Puxa o carrinho irritado dizendo , está bem , não vou brigar por isso e sai em direção a outras filas.
Ocupo novamente minha posição, escuto agora um monte de comentários sobre a cara de pau do sujeito.
Meu amigo rubro-negro me sorri e levanta a cerveja em saudação.
Sorrio de volta e digo :
- Obrigado, saudações rubro-negras, Feliz Natal .
Ele agradece e empurra seu carrinho, as filas voltaram a andar.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O perigo está no chão

Todo mundo tem uma estória para contar sobre viagem em avião. Eu mesmo já contei algumas, como a de passageiro apavorado antes da decolagem e outras com situações engraçadas.
As vezes porém o perigo está no chão.
Cheguei no Aeroporto do Galeão e sem bagagem desci direto para o local onde param os táxis comuns.
Espero o táxi encostar e entro no banco traseiro.
Ao entrar digo boa noite, vamos para a Tijuca por favor ?
O motorista quase calvo por completo, com um resto de cabelos brancos continua parado, não me responde, com um olhar fixo a frente.
Insisto e volto a falar :
- Senhor, boa noite, vamos para a Tijuca por favor .
Nada acontece. Insisto mais uma vez e nada muda, o homem parece congelado.
Resolvo sair e nesta hora ao mexer no trinco da porta para sair ele se vira e em voz alta me diz :
- Boa noite, para onde vamos ?
Tomei um tremendo susto .
- Eu lhe disse, vamos para a Tijuca.
- Para onde ?
Ao perguntar novamente ele se aproxima para me ouvir.
O homem é surdo concluo , repito agora em voz alta.
- Para a Tijuca , o senhor pegue por favor a Av Paulo de Frontin e depois a rua Barão de Itapagipe.
- O senhor vai pagar em voucher ?
- Não , com dinheiro ?
- Com voucher ?
- Nãooo, em dinheirooo. Ao falar chego a sacar a carteira para mostrar.
O carro finalmente se move.
Na subida da rampa de saída do aeroporto ele se volta totalmente para a minha direção, deixa de olhar a frente, e pergunta novamente:
- Vamos pela avenida Maracanã ?
Estou com medo agora , além de surdo o homem não tem cuidado nenhum ao volante e anda com o pé embaixo, falo quase que aos berros .
- Pelo amor de Deus senhor olhe para a frente. Vamos pela Avenida Paulo de Frontin.
Deve ser uma pegadinha de Tv, começo a procurar onde estão as câmeras .
Na Linha Vermelha ao cruzar de pista o homem não escuta a buzina de outro carro e dá uma fechada espetacular em uma Blazer.
A Blazer chega a queimar os pneus na freada para não bater.
Se o meu vôo tinha sido monótono como todos são em sua maioria, a estar dentro de uma caixa fechada esperando o tempo passar, minha volta para casa em um táxi estava sendo emocionante.
No final da Francisco Bicalho ao invés de seguir em frente para pegar a Av Paulo de Frontin ele vira em direção a Praça da Bandeira.
Desta vez é meu grito que dá um susto nele.
- Não, era para seguir em frente , eu lhe disse Av Paulo de Frontin.
O homem chega a cruzar os braços na direção tentando fazer a volta na contramão.
Resolvo chegar perto e falar mais próximo dele  ainda em voz alta.
- Tudo bem senhor, continue por favor, entre na rua Mariz e Barros e depois vamos em direção a Afonso Pena.
- O senhor tem razão, não vou lhe cobrar este desvio , não sei porque fiz isso . Será que eu comi muito queijo, esqueci mesmo.
- Não tem problema, eu pago. Vamos seguir.
Próximo a poltrona, falando alto consigo fazer com que siga o caminho que dito.
Ao chegar pago a corrida, não espero o troco e salto rapidamente.
Não sei porque ainda dizem que viajar de avião é mais perigoso.

domingo, 4 de novembro de 2012

Entre cães e gatos


Sou apaixonado por cães e admiro gatos . Tenho várias pessoas amigas com paixão por gatos, por sua independência, por sua quietude, afinal o gato não vive em uma matilha, ele simplesmente admite o convívio de pessoas a sua volta.
Este último fim de semana porém coloquei mais um argumento em minha balança a favor dos cães .
Não são ainda 6 da manhã e acordo no domingo com um som de um alarme.
Olho para o lado pensando que é o relógio da mesinha mas não, o som vem de fora.
Meu apartamento fica no 12o andar mas o som de alarme que descubro depois ser de uma casa vizinha chega como se estivesse em meu quarto.
Totalmente zen, em plena paz de espírito,  levanto a me  indagar se o mistério deste alarme tem algo a ver com a profissão da mãe de alguém.  
Não me lembro de ser vizinho de deputado, senador, vereador ou demais membros da classe política do país.
Relaxados e concentrados como eu outros vizinhos estão na varanda a observar. Uma mulher presente em uma varanda usa um robe com flores e o que parece ser uma touca na cabeça. Meu deus do céu, é assim que seu marido a vê penso eu.
Um carro de uma empresa de segurança chega, outras pessoas estão na calçada.
Não  demorou o carro a chegar, fiquei impressionado.
O sujeito sai do carro armado e pula o muro da casa. O alarme enfim é desligado.
Observo que o sujeito volta e pula o muro com um gato nas mãos. Deve ter sido o alarme de movimento que o gato disparou. Coloca o gato no carro e vai embora.
Nestas horas entendo porque gosto mais de cachorros .

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Serviço de Entrega


Há 10 anos atrás meus primeiros projetos de e-commerce eram implantados, lembrei disso lendo artigos sobre erros e acertos em iniciativas Web. Estórias curiosas guardo desta época como a entrevista que fiz com a então maior usuária de nosso serviço de entrega de sanduíches.
Ela morava na Tijuca, no Rio , assim me pediram que a entrevistasse em nome da empresa. Queríamos saber o que ela enxergava de positivo e negativo em nossa operação. Levei-lhe brindes e fui simpaticamente recebido em sua residência. Sua estória era simples, era professora com aulas em 3 colégios todos os dias, vivia correndo de um emprego para o outro, não almoçava, assim quando chegava exausta em casa queria distância do fogão e da cozinha. A facilidade de pedir a entrega de sanduíches variados e saladas em casa a satisfazia, sabendo que eram produtos tratados com higiene.
Pensando bem vejo que em 10 anos a vida de professores não mudou muito. Mas o mais curioso eram as estórias de atendimento. Guardo uma em especial me contada por um colega da operação americana quando falávamos de atendimento .
Agentes do FBI conduziam uma operação de busca e apreensão de documentos e evidências em um hospital psiquiátrico em São Francisco suspeito de fraudes em seguros médicos e cobranças fraudulentas ao sistema de saúde federal.
Depois de horas de revisão de milhares de documentos os agentes sentiram fome.
Todas as conversas estavam sendo gravadas e o que se registrou é o descrito abaixo quando um dos agentes resolve telefonar para um serviço expresso de entrega de pizzas.
- Alô, eu gostaria de pedir 20 pizzas grandes e 50 latas de Coca-Cola.
- E onde será a entrega ?
- Aqui no hospital psiquiátrico XXX  na rua XXXXXXX.
- No hospital psiquiátrico XXX ?
- Sim , isso mesmo, sou um agente do FBI.
- Você é um agente do FBI ?
- Está correto, todos aqui a minha volta são agentes.
- E você está em um hospital psiquiátrico?
- Correto,  e por favor avise a quem vier fazer a entrega que não o faça pela porta da frente. As portas estão lacradas. Vai ter que dar a volta por trás até a entrada de serviço para fazer a entrega.
- E você diz que você e os demais são agentes do FBI ?
- Isso mesmo, quão rápido você pode fazer a entrega ?
- E todo mundo no hospital é agente do FBI ?
- Isso , a gente está aqui o dia inteiro e estamos morrendo de fome.
- Ok , como será feito o pagamento por tudo ?
- Em cheque.
-  Para todos os agentes do FBI aí no hospital?
-  Isso mesmo , todo mundo aqui é agente do FBI. Por favor não se esqueça de que a entrega tem que ser feita pelas portas de serviço atrás do prédio. As portas da frente estão lacradas.
- Eu acho que não.
O atendente desligou.

sábado, 29 de setembro de 2012

Apelidos Carinhosos

Alguns apelidos dados a pessoas são óbvios.
Lula (o do bem) meu fraterno amigo chama-se Luiz Alberto, mas não conheço quem o chama pelo nome, até no crachá de identificação da empresa está escrito Lula. Sim este Lula trabalha e muito.
Se perguntarem quem é Luiz Alberto na loja de departamentos ninguém sabe mas Lula é fácil de achar.
Carminha, apelido de outra grande amiga tem origem em seu nome Maria do Carmo. As vezes pessoas chegam procurando por Maria do Carmo e confesso que de imediato não faço a associação.
Para mim ela é Carminha, não é Maria do Carmo.
Ainda na loja de departamentos era impossível chamar o coordenador da operação Rato de Otávio.
Apelidos as vezes podem surgir de situações não muito agradáveis, ficam assim difíceis de ser explicados a quem pergunta o porque.
Lembro de funcionário da mesma  loja de departamentos que caiu na besteira de contar em uma roda que, certa vez, fez exame delicado em que um médico introduziu uma sonda com um luz em seu reto.
Ganhou o apelido de Vagalume , não havia mais como chamá-lo de outra forma.
Há algumas semanas vi uma situação engraçada que deu ensejo a um quase apelido.
Fui chamado pela coordenação do programa de pós-graduação da universidade para uma reunião onde seria apresentado o modelo a seguir nos trabalhos de dissertação de conclusão do MBA.
Geralmente sou escolhido por alguns alunos para a orientação de trabalhos  e assim a coordenação pediu minha presença,já que na data deveria conversar com quatro alunos que pediram meu nome como orientador.
Estava entrando na sala quando ouvi a pergunta do aluno ao colega professor que explicava a estrutura do modelo a ser seguido.
- Professor, mas o modelo é mesmo para ser seguido ?
- Juju, o nome assim já indica , é modelo .
- Mas professor, tem muitas regras, fonte de letra e tamanho determinado, introdução, estrutura de texto, citações, referências, é demais fazer isto.
- Juju, a boa norma técnica para publicação de trabalhos científicos assim o determina. Busca padronização que leva a facilidade de leitura, exame do texto por seu orientador e pela banca.
O aluno ainda não convencido se calou.
Aproximei-me do colega professor e perguntei por pura curiosidade :
- Porque você chamou ele de Juju ?
Antes de responder ele sorriu .
- É só uma forma carinhosa de se chamar ao invés de Jumento.



domingo, 16 de setembro de 2012

Conversa pelo rádio


Ouvi este caso uma vez em um voo internacional contado pelo passageiro que estava a meu lado. Infelizmente não me recordo de seu nome.
Busquei e encontrei a narrativa oficial na Web que traduzi.
O que aparece mais abaixo é aparentemente  a transcrição de uma conversa pelo rádio entre um navio da marinha americana e autoridades canadenses na costa da Terra Nova em Outubro de 1995.
A conversa pelo rádio foi liberada pelo Chefe de Operações Navais em 10 de outubro de 1995.
A fala inicial é do navio americano.
- Por favor mude sua direção 15 graus para o Norte para evitar uma colisão.
A resposta veio imediatamente.
- Recomendo que você mude SEU  curso 15 graus para o sul para evitar uma colisão
- Aqui fala o capitão de um navio da Marinha Americana. Repito, mude SEU curso.
- Não, digo novamente, você que mude SEU curso.
- AQUI É O PORTA-AVIÔES ENTERPRISE, NÓS SOMOS O MAIOR NAVIO DE GUERRA DA MARINHA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. MUDE SEU CURSO AGORA !
- Nós somos um farol. Sua vez .

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Casos de Advogados


Este é um post recorrente, volta e meia volta a circular via e-mails.

São estórias retiradas do livro ‘Desordem no tribunal’.
São coisas que as pessoas realmente disseram, e que foram transcritas textualmente pelos taquígrafos, que tiveram que permanecer calmos enquanto estes diálogos realmente aconteciam à sua frente.
______________________________________________
Advogado : Qual é a data do seu aniversário?
Testemunha: 15 de julho.
Advogado : Que ano?
Testemunha: Todo ano.

Advogado : Essa doença, a miastenia grave, afeta sua memória?
Testemunha: Sim.
Advogado : E de que modo ela afeta sua memória?
Testemunha: Eu esqueço das coisas.
Advogado : Você esquece… 
Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido ?

Advogado : Que idade tem seu filho?
Testemunha: 38 ou 35, não me lembro.
Advogado : Há quanto tempo ele mora com você?
Testemunha: Há 45 anos.

Advogado : Qual foi a primeira coisa que seu marido disse quando acordou aquela manhã?
Testemunha: Ele disse, ‘Onde estou, Bete?’
Advogado : E por que se aborreceu minha senhora?
Testemunha: Meu nome é Célia..

Advogado : Seu filho mais novo, o de 20 anos…
Testemunha: Sim.
Advogado : Que idade ele tem?
 
Advogado : Sobre esta foto sua…. o senhor estava presente quando ela foi tirada?

Advogado : Então, a data de concepção do seu bebê foi 08 de agosto?
Testemunha: Sim, foi.
Advogado : E o que você estava fazendo nesse dia?

Advogado : Ela tinha 3 filhos, certo?
Testemunha: Certo.
Advogado : Quantos meninos?
Testemunha: Nenhum
Advogado : E quantas eram meninas?

Advogado : Sr. Marcos, por que acabou seu primeiro casamento?
Testemunha: Por morte do cônjuge..
Advogado : E por morte de que cônjuge ele acabou?

Advogado : Poderia descrever o suspeito?
Testemunha: Ele tinha estatura mediana e usava barba.
Advogado : E era um homem ou uma mulher?
Testemunha: Mulher só se houvesse um circo na cidade doutor.

Advogado : Doutor, quantas autópsias o senhor já realizou em pessoas mortas?
Testemunha: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas…

Advogado : Aqui na corte, para cada pergunta que eu lhe fizer, sua resposta deve ser oral, Ok? Que escola você freqüenta?
Testemunha: Oral.

Advogado : Doutor, o senhor se lembra da hora em que começou a examinar o corpo da vitima?
Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30 h.
Advogado : E o sr. Décio já estava morto a essa hora?
Testemunha: Não… Ele estava sentado na maca, se perguntando porque eu estava fazendo aquela autópsia nele.

Advogado : Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor checou o pulso da  vítima?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor checou a pressão arterial?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor checou a respiração?
Testemunha: Não.
Advogado : Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a autópsia começou?
Testemunha: Não.
Advogado : Como o senhor pode ter essa certeza?
Testemunha: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa.
Advogado : Mas ele poderia estar vivo mesmo assim?
Testemunha: Sim, é possível que ele estivesse vivo e praticando Direito em algum lugar !

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Mal entendidos da vida de hoje

O texto original está circulando sem autoria apontada. Fiz a tradução e aqui a reproduzo.

Um casal de meia idade , morador em estado do norte dos Estados Unidos, estava passando muito frio em um longo inverno e resolveu voltar a Flórida , no mesmo hotel onde haviam passado a lua de mel dezenas de anos antes.
Não querendo esperar ainda muito o marido resolveu viajar  um dia antes da esposa para ver se o hotel ainda valia a pena.
Chegando lá viu que o hotel ainda existia e maravilha , agora tinha computadores com livre acesso para e-mails.
Resolveu então enviar e-mail para a esposa contando a novidade.
Não o conseguiu fazer, errou uma letra no nome da caixa postal  de destino, seu e-mail foi parar na caixa postal de uma viúva de um sacerdote em Houston no Texas  que, ao retornar do funeral do marido, acessou sua caixa postal para ler mensagens de pêsames de amigos e familiares.
Seu filho a encontrou desacordada com o seguinte texto na tela :

Assunto : Minha esposa amorosa

Cheguei !
Eu sei que você deve estar muito surpresa por já ouvir sobre mim.
Eles tem computadores agora por aqui e podemos mandar e-mails para nossos entes queridos.
Acabei de chegar. Tudo já está preparado para sua chegada amanhã .
Estou muito ansioso para vê-la.
Espero que sua viagem seja tão boa quanto a minha.

Beijos,

P.S. Está muito quente aqui embaixo




terça-feira, 21 de agosto de 2012

Uma Mão Santa

Estava saindo de uma reunião, já no fim de dia de trabalho, quando o celular tocou.
A chamada era de casa, Leila me pediu para comprar um medicamento no caminho de volta
No trajeto até a estação de metrô Carioca lembro da loja das Drogarias Pacheco.
Entro, faço o pedido, recebo o medicamento e vou para a fila de check-out.
A minha frente está uma senhora bem vestida  e na frente dela um senhor que me parece meio abobado . Quando me aproximava da fila não conseguia entender o que dizia .
Agora logo a minha frente ouço-o dizer com um sorriso meio bobo :
- Tenho duas graduações em universidades federais, falo cinco idiomas .Aqui a maioria é de bobos, idiotas .
Não entendo o que se passa, qual a razão para os comentários, mas na hora percebo que é um imbecil de primeira classe.
A moça atrás de mim me pergunta se ele está bêbado, respondo que não , é apenas um idiota. Caso fosse educado de verdade não estaria fazendo comentários tão imbecis.
Ele percebeu o que disse e armou um sorriso debochado.
Começou então a disparar uma mesma frase em idiomas diferentes, a ofender a mãe de todos que estavam a sua volta.
Identifico de imediato o que disse em espanhol, inglês e francês .
Começo a lhe dizer para calar a boca ou ia se arrepender quando a senhora a minha frente lhe desfere tremenda bofetada que o tira do equilíbrio.
Com a mão a segurar o lado da face onde a mão da senhora havia lhe marcado os dedos, olhos arregalados, o bobão  a escuta dizer:
- Pois se o senhor tem duas graduações em universidades federais e fala cinco idiomas, eu sou doutora pela Universidade de Cornell, tenho pós-doutorado pelo MIT e falo 6 idiomas. Que isto lhe sirva de lição já que parece que sua mãe não lhe ensinou a respeitar o próximo.
O bobão é chamado ao caixa, paga rapidamente e sai em silêncio.
A senhora se dirige a mim me pedindo desculpas :
- O senhor me perdoe, não costumo agir assim, mas a pretensa arrogância daquele homem que se dizia educado me tirou do sério.
- Não há o que perdoar, a senhora tem uma mão santa, acabou rapidamente com o problema.
Peço-lhe a mão e a beijo.
Seu sorriso foi a melhor resposta.



domingo, 12 de agosto de 2012

Ser Pai

Soube de imediato que minha vida tinha mudado quando meu filho nasceu.
Novos papéis me esperavam , eu deveria a partir daquele momento ser novas coisas.
Ser pai é estar sempre pronto,
É ser a mão estendida para ajudar a levantar,
É ser o meio de braços abertos para o abraço,
É ser o guia do caminho, a orientar,
É ser o exemplo de atitude,
É ser a pessoa que sabe ouvir ,
É saber acordar no meio da noite para o pedido “ Pai, vem me buscar “,
É ser aquela voz inconfundível na torcida dizendo “Vai “ ,

É ser a imagem da vibração com a conquista deles em um dia bom,
É ser a voz com conteúdo dizendo foi “Você foi bem, vamos treinar e melhorar “ no dia não tão bom,
É saber ser o porto, pois se em um dia estão firmemente atracados em outro seus veleiros irão partir,
Vão cruzar mares fazendo trajetos próprios,
Sabendo que a qualquer momento poderão voltar em segurança, 
Pois em um dia levantastes velas fortes e os ensinastes a navegar.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Suporte a Usuário

Diz o chavão que a profissão de analistas de sistemas é maldita.
Só analistas de sistemas e traficantes de drogas  tem clientes como usuários.
Pois deve ter origem nesta maldição a multiplicação de casos engraçados envolvendo analistas de sistemas, notadamente aqueles envolvidos em suporte ao cliente final.
Virou lenda urbana o caso da resposta de um usuário após um atendimento ao telefone.
Reclamava o usuário que seu desktop havia apagado.
Estava o usuário sozinho no andar, ninguém mais lá estava.
Depois de pedir para verificar o cabo de força, verificar as demais conexões, pediu o operador da central o número presente na etiqueta de identificação do equipamento.
Para sua surpresa o cliente pediu para esperar, iria procurar uma lanterna, estava a sala muito escura depois que a luz havia acabado.

As vezes o caso ocorre entre profissionais de tecnologia da informação.
Já contei aqui no blog alguns casos envolvendo este profissional.
Ficou famosa na loja de departamentos a resposta  " Esta Letra Não é Minha "  quando confrontado sobre uma alteração mal feita por ele  em um programa fonte.
Ou ainda quando reclamou o dia inteiro que um programa que estava testando se comportava de maneira diferente em dois terminais.
Ele passou o dia inteiro sem perceber que executava ações diferentes.
Pois era verão forte no Rio de Janeiro.
Com a demanda por ar refrigerado no centro do Rio a luz oscilava muito.
Até aquele instante a contingência para a falta de energia funcionava bem.
Percebíamos a oscilação por leves piscadas nas lâmpadas.
Tantas vezes aconteceu que uma determinada hora a contingência não funcionou , o fornecimento de energia parou e com ela todos os servidores do data center também caíram.
Furioso porque havia perdido todo o trabalho que executava, não o havia salvo, subiu em uma cadeira para falar conosco no suporte a banco de dados acima da baia que dividia os departamentos.
- Vocês derrubaram o servidor ? Perdi tudo, levei dois dias para preparar o algoritmo e agora perdi tudo, vocês não podiam ter derrubado o servidor.
Com a maior calma do mundo respondi :
- Não fomos nós , houve um pique de luz e o gerador não entrou , os servidores caíram.
A resposta dele foi sensacional :
- Pois então avisa antes de acontecer o próximo ....


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Curtinhas IV

Eu tinha razão quando afirmei em outro post que a nova empresa seria fonte inesgotável de riqueza para este blog.
Hoje mesmo situação merecedora de registro aconteceu.
Não vou dar o nome da protagonista, quem a conhece irá facilmente identificá-la pela reação.
Ela merece também o registro de que é excelente profissional.
Quem me conhece sabe que  assim não qualifico aqueles que de fato não  merecem.
Nos conhecemos há mais de 20 anos, trabalhamos juntos 10 anos em outra empresa, sempre nos demos muito bem, é pessoa querida por todos que a conhecem e carrega consigo o respeito profissional adquirido por acertos e histórias de sucesso incontáveis .
Tenho por ela profundo respeito, admiração e carinho e também certeza de seu carinho por mim e minha família .
Mas uma boa estória deve ser contada.
Pois hoje sentamos juntos em uma  mesa para debater a estratégia de um projeto que vai começar.
Além de nós dois estavam presentes os responsáveis pelo desenvolvimento e outra profissional que cuida da liberação de atualizações.
Discutíamos a estratégia de ambientes de desenvolvimento, a liberação de software considerado premissa para o início da construção e outros cuidados.
Afinados pelo longo tempo que trabalhamos juntos nossas perguntas e assertivas se complementavam.
Tudo ia bem até que ela fez a pergunta ao responsável pelo desenvolvimento :
- Precisamos criar uma sigla com três letras para este projeto, o projeto SRM virou SRM , que sigla você quer dar ?
Não deixo uma bola dessas quicando na minha frente e respondi na lata .
- Ainda bem que virou SRM  não é , foi difícil essa escolha  ....
Na hora a reação dela  foi de procurar alguma coisa para me bater , chegou a levantar o caderno e pedir a outra pessoa  que estava entre nós :
- Esse garoto é terrível , bate nele por favor .....

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Curtinhas III

Emprego novo, novas pessoas, mas pelo tamanho da empresa prevejo que será fonte de muitos casos.
Como os dois ocorridos já em curto espaço de tempo.

Volto do almoço e após alguns instantes o estagiário me pede o celular emprestado.
Não estava conseguindo encontrar seu aparelho, tinha certeza que o havia trazido de casa.
Iria circular pelo andar, pelos lugares onde havia estado, ligando e assim esperando ouvir o toque.
Emprestei sem problema algum.
Depois de alguns minutos voltou, não havia encontrado seu celular.
Mais tarde soube que uma colega, dona de aparelho igual, o havia pego por engano.
Estou saindo de uma reunião horas depois  quando meu celular toca.
Reconheço a voz de imediato, é ele o estagiário que me diz :
- Boa tarde, existem várias chamadas de seu número para meu celular, posso saber em que posso ajudar ?
Não resisto ao comentário :
- Tá doido, parecendo Mané, foi você mesmo que ligou procurando seu aparelho, esqueceu ?
- Foi mesmo , é isso aí .....

Em outro dia volto do almoço e um dos membros da equipe me fala :
- Ô meu, esperamos você para o almoço e você não apareceu .
- Esperou como, cheguei na mesa meio-dia e cinco , vocês já tinham saído ....
- É , esperamos até meio-dia ......



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Usando o Aprendizado


Gosto de cozinhar quando me dá vontade.
Esta acredito é a minha grande diferença para aqueles ou aquelas que são obrigados a fazê-lo todos os dias.
Voltando de casa no metrô sinto cheiro de massa com carne.
Procuro e logo vejo um rapaz com uma embalagem do Habib´s nas mãos.
Não sei porque mas resolvo parar no mercado e comprar açafrão para fazer um arroz.
Não há conexão nenhuma com a embalagem que o rapaz segurava mas, foi o que me deu vontade de fazer, ao começar a pensar em comida.

Encontro o que procuro, pego outras coisas pequenas e vou para a fila do caixa.
O mercado não está cheio mas, com apenas três caixas funcionando, filas com cerca de 5 pessoas estão em cada caixa.
Escolho o caixa do meio.
A minha frente está uma senhora com poucos itens.
Chega a sua vez e ela começa a passar cada item.

O problema acontece quando ela faz a observação ao caixa, um senhor de óculos, meio atrapalhado ao passar cada item na leitora de códigos de barra .
- Este item que apareceu como 4,99 está com a etiqueta de 4,25 na gôndola.
- Como, o que a senhora disse ?
- O senhor me cobrou a mais, 4,99 , está 4,25 na etiqueta.
-  Ih não sei como fazer ....
-  Espere um instante, vou pegar a etiqueta.
Ela sai para ir pegar a etiqueta, a venda pára.
Dois minutos depois volta, a marcação na etiqueta é clara, está impresso 4,25.
O caixa pega a etiqueta, examina, olha do outro lado, não sei até agora porque o fez, e depois de pensar fala :
- Mas aqui a descrição está diferente, no produto diz “ molho com cebola para frango suculento “ e na etiqueta está só “molho com cebola “.
A senhora não se contêm e diz o óbvio :
- Será que o espaço da etiqueta não é menor que a descrição inteira do produto ?
O caixa pára e fica a refletir com a etiqueta na mão.
Resolve então pedir ajuda a outro funcionário .
- Valdecir , vai lá no corredor e vê o preço deste item.
Resolvo intervir .
- Meu senhor, me desculpe , mas como seu amigo vai conferir se a etiqueta está aqui em suas mãos ?
Aliás este assunto está demorando muito. Vale o preço que está na etiqueta de gôndola, a legislação é clara sobre este ponto, não há o que discutir.
- Moço estou tentando resolver .
- Desculpe , não está, o senhor está dando voltas, não sai do lugar, cumpra a lei.
- Mas como vou resolver, o item já foi registrado, se cancelar e passar de novo vai aparecer de novo 4,99, é o sistema , ele lê o código.
Atrás de mim um velho dá razão ao caixa .
- É isto mesmo, é o computador . É melhor cancelar o item e deixar .
A senhora protesta :
- Mais eu quero levar e pagar o preço certo, é meu direito.
Penso que sistemas de automação de caixa não são tão diferentes assim.
Olho a tela e vejo que o operador de caixa não encerrou a venda ainda.
Faço a sugestão ao caixa :
- Registre como cobertura de preço de concorrência e encerre o assunto por favor.
Ele retira um cartão do bolso, passa na leitora e registra o desconto encerrando a venda.
Quando o ticket é impresso as pessoas na fila me aplaudem.
Passo rapidamente os itens e vou embora sorrindo.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sanduíche em Francês


Havíamos chegado por volta de 5 horas da tarde em Neuchatel , Suíça , em um domingo, já que na segunda-feira tínhamos o primeiro de 3 dias de agenda a cumprir .
Chegamos no hotel e para aproveitar as horas de folga saímos a andar pela cidade vazia, a observar o belíssimo lago, a descobrir uma igreja construída dentro de um castelo com muralhas, a perceber notadamente o silêncio em casas e prédios baixos de onde nada se ouvia .
Por isto nós andamos e por volta de 7 horas da noite perguntei a Márcia o que achava de procurarmos um local aberto para pedirmos sanduíches, já que havíamos tido um excelente almoço em Genebra, estávamos sem fome. A idéia seria retornar ao Hotel logo após e checar slides, para a primeira apresentação do dia seguinte, e depois tratar e-mails não respondidos.
Em uma praça percebi no brilho do néon verde , em um prédio lateral , a palavra Sandwich . Já havíamos tentado em outras ruas e lugares sem sucesso .
Para lá fomos e nos deparamos com um local pequeno , poucas mesas com toalhas xadrez , duas ocupadas com pessoas comendo sanduíches e refrigerantes .
Sentamos e logo veio o garçom com um menu em francês , nos saudando em francês .
Tenho um conjunto de palavras decoradas em francês em que digo , desculpe , não falo francês , você fala inglês ?
O abano lateral da cabeça do garçom foi resposta contundente.
Tentei a saída com o pedido :
- Menu Anglais ?
A resposta foi novamente negativa .
Lembrei de que queijo em francês era fromage e perguntei :
- Fromage Sandwich ?
A resposta desta vez veio acompanhada de um grande sorriso do entendimento .
Márcia repetiu então que queria o sanduíche de queijo e uma Coca Cola , a palavra Coke sem dificuldade de entendimento .
Sentindo-me confiante resolvi pedir algo diferente.
Havia visto no menu em mais de um item a palavra poulle , em espanhol pollo é frango , certo da raiz latina do termo mas ainda incerto arrisquei :
- Poulle SandWich ?
A resposta positiva do garçom veio acompanhada de outras frases que desmontaram minha confiança . Pensei em bater os braços como asas e cacarejar para fazer entender o que queria . Um segundo pensamento me salvou da cena ridícula.
Provavelmente ele me perguntava se desejava mais alguma coisa. Sem constrangimento apontei para a mesa ao lado onde havia um prato de batatas fritas .
Sucesso total , agradecendo o garçom se retirou retornando minutos depois com os sanduíches de queijo branco e frango com curry em pão ciabata .
Na hora saída para pedir a conta fiz o sinal clássico de uma mão a riscar a palma da outra .
Pagamos a quantia e Márcia agradeceu ao garçom dizendo “Muito obrigado" .

A reação dele foi sensacional .
- Muito obrigado ? Vocês falam português ? Eu sou português , de onde vocês são ?
Levantei-me rindo da dificuldade que havia passado , respondi que eramos brasileiros, cariocas e saímos logo .

domingo, 1 de julho de 2012

Encontro com o Ladrão


Se me pedem uma definição digo que sou Carioca, Tijucano e Rubro-negro.
Acredito mesmo que os três qualificadores me definem em sua essência.
Ser Tijucano significa gostar de cozinhas grandes, de valorizar os encontros familiares,de achar que o Maracanã é seu , de gostar de jogar conversa fora, de ir a pé até a padaria e  a banca de jornal, de passear com seus cães, de saber que está próximo de tudo no Rio.

Sou do tempo da Tijuca de muito antes das UPPs , do bairro cercado de favelas mas que não explodia em violência, onde o respeito aos moradores e conhecidos era regra de lei.
Minha rua tinha um time que jogava sempre que podia nos finais de semana. Já falei dele em caso que narrei em “Pelada na Quinta “.  Disputávamos também os campeonatos que Padre Jorge promovia na quadra da Igreja . Times de todas as favelas participavam deste campeonato, assim era comum conhecer personagens que sabíamos adotar outro comportamento fora da quadra mas que na Igreja se comportavam muito bem.

Tinha acabado de começar a namorar Leila e em uma noite de sábado saímos no carro dela.
Ela havia entrado em casa, carro já guardado na garagem, quando começo a descer a rua a caminho de casa.
Mais a frente, atrás de um poste, do outro lado da rua  protegido por uma sombra vejo um sujeito parado. São quase duas da manhã, não podia ser boa coisa.
Pensei imediatamente que seria assaltado. 
Não adiantava correr, se o sujeito estivesse armado seria pior.  Resolvo esperar que me aborde , é quase do meu tamanho, se estiver de mãos limpas não vai levar nada, vai ter que brigar muito eu pensava.
Passo por ele do outro lado da rua e com o canto do olho vejo que resolve atravessar para me encontrar por detrás .
Quando atravessa é iluminado pelas lâmpadas da rua e o reconheço. 
Já havíamos jogado contra o time dele uma dúzia de vezes, mais de uma vez havia me filado cigarros depois do jogo e havíamos trocado algumas palavras.
Desta vez a vantagem é minha, diminuo o passo e me viro na hora em que parece buscar alguma coisa em suas costas.  Digo em voz alta :
- E aí Bocão , tudo bom ?
Sua reação é de clara surpresa. Neste momento percebo que me reconhece o que faz o trazer a mão detrás do corpo para a frente.
- O rapaz, tudo bom , e você , ainda joga no time do Paulinho ?
- Claro, de vez em quando a gente se reúne . Minha namorada mora nesta rua , estou indo para casa . E você o que está fazendo ?
- Eu ? Nada , tava ali parado pensando na vida .
- O Bocão , acho que você não me reconheceu e pensou que eu era um mané qualquer. Tu ia me assaltar Bocão ?
- Claro que não , claro que eu te reconheci . O sorriso que exibia era de um amarelo forçado.
- Pô Bocão , não se faz nada com quem é da área, você sabe disso .
- Não é isso não, eu te reconheci.
- Então Bocão um abraço , vamos ver se jogamos outra vez.
- Vamos sim , tchau . Disse isto e deu a volta .
Desci a rua rindo, dessa vez a surpresa foi da  “vítima “.

domingo, 24 de junho de 2012

Previsão Astrológica por Sistemas

Voltei depois de 11 anos a trabalhar no Centro do Rio.
O escritório de projetos fica na Av Rio Branco, próximo a duas estações de Metrô, o que aliado ao fato da dificuldade para estacionar me levou a voltar usar ônibus ou o Metrô para chegar e voltar do trabalho. Não levo mais que 30 minutos, ganhei tempo de sono e qualidade de vida.

Esta semana um dos ônibus trazia um monitor de vídeo com notícias gerais mas o que me chamou a atenção foram as previsões astrológicas. Prestei atenção aos textos e para minha surpresa todos tinham a mesma linha, a mesma motivação para todos os signos.
"Sagitário, tenha atenção com os falsos amigos,  Escorpião, amigos verdadeiros são raros", e assim ia.

Pensei  que quem escreveu os textos resolveu desabafar uma insatisfação pessoal, não é possível a mesma linha de previsão para todo mundo.
Será que quem lê presta atenção aos outros signos como eu o fiz ?

Uma vez, na primeira convenção da rede de lojas de departamentos em que apresentamos o projeto Automação de Lojas , tínhamos um stand onde apresentávamos jogos para treinamento e ganho de  desinibição com o uso de teclado e monitores.
Nosso público do projeto eram funcionários de lojas, em época em que micros e acesso a Internet estavam longe de se transformar em utensílio doméstico. Assim nossa preocupação para evitar resistências no uso das ferramentas que estávamos disponibilizando.
Montamos vários jogos simples como Caça ao Submarino, Forca, Trivia e um Horóscopo On Line.

Para nossa surpresa o campeão de acessos era o Horóscopo, filas se formavam com demonstradoras de fornecedores querendo conhecer sua previsão astrológica para o dia, a semana e o mês. Quando pensava em como tínhamos montado aquele jogo mais absurda era a situação.
Havíamos comprado uma dezena de revistas e jornais com a descrição de previsões e armazenado cada parágrafo em uma base de dados.
A chave de acesso a cada parágrafo era um número gerado aleatoriamente a partir de informações como o nome, a data de nascimento, e a quantidade de acessos do momento.
Assim gerávamos e buscávamos 3 parágrafos na base de dados para fornecer as previsões solicitadas, informando por exemplo , “Querida Érika, você é da casa de Libra, Netuno e Marte estão em confluência podendo  ...... “.
Podia-se portanto aparecer um mesmo parágrafo, apesar de termos digitado mais de 1000 textos, na previsão de Leão e na de Aquário.

No último dia, final de apresentação,  já desligando os equipamentos, uma mocinha com uniforme de uma grande marca de produtos de beleza me pede :
- Moço, deixa eu acessar o horóscopo, ele acertou tudo estes dias, não desliga agora não por favor.
- Querida, não temos mais equipamentos de comunicação ligados, sinto muito .
- Puxa eu queria tanto, ele estava me ajudando muito.
A decepção e tristeza eram genuínas, não resisti e falei tentando ajudar :
- Olha , aquilo era uma brincadeira, não era para ser levado a sério, e contei como montamos o jogo.
A resposta foi contundente depois de me escutar  :
- E você acha que eu acredito que computador pode fazer isso, se você não quer ajudar tudo bem mas não sou burra .

Virou as costas e se foi pisando firme me deixando sem resposta. 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Cuidado com o Cão

Tenho dois Scottish Terriers, raça conhecida por sua devoção e amor a seus donos.
São cães de temperamento forte, mesmo de porte pequeno agem cegamente em defesa dos seus, de sua matilha, não importando o tamanho da ameaça.

Diogo me ligou e pediu o favor de levar até sua casa uma mala que iria usar em  viagem .
Não tem problema disse-lhe, vou levar os cães para vacinação na clínica e depois passo em sua casa para deixar a mala.
Quando chegar  eu estaciono e você desce para buscar, desta maneira combinei.

Assim fiz, quando parei o carro os cães ficaram doidos para sair e, segurando suas coleiras, fiquei em frente ao portão do prédio esperando meu filho.
Tenho o cuidado de manter a coleira curta com Apolo, ele reage muito rápido contra qualquer coisa que se mova em nossa direção, ou contra alguém que chegue perto falando alto ou com gestos bruscos.
Um amigo, Rui , tem a mania de falar abrindo e fechando os braços em gestos largos ,o que provoca reação imediata de meu cão que interpreta sua atitude como ameaça.

Diogo chegou, entreguei a mala e ficamos conversando junto ao portão, os dois cães sentados a meus pés.
Estou em posição em diagonal na calçada e na visão lateral percebo um cidadão atravessando a rua correndo, se continuar nesta linha virá de encontro a nós .
A meu lado, quase que nas minhas costas, está um poste.
Pois não deu tempo, o sujeito correu  direto em nossa direção, Apolo mesmo com a coleira curta deu o bote latindo com raiva e mostrando todos os dentes grandes.
Puxei-o para trás com o salto no ar , a boca de meu cão por centímetros não pegou a perna do sujeito que, apavorado, se abraçou ao poste.
Suas feições mostravam que o susto havia sido grande.
Por alguns instantes permaneceu abraçado ao poste.
Abaixei-me e tranquilizei Apolo, dizendo  "Quieto, Quieto, Não faz isso  ... " .
O sujeito resolveu chamar minha atenção :
- Moço, o que é isso , quase que o cachorro me pega !
- Desculpe, o senhor veio correndo em nossa direção, não deu indicação de que iria parar, o cão reagiu em defesa .
- Só porque eu corri ?
- Porque o senhor corria em nossa direção, chegou muito próximo, por isso o cão atacou .
- Mas e se fosse uma criança ? O Sr tem que ter cuidado, o cão não tem culpa .
- Sim o cão não tem culpa, mas o Sr há de concordar que uma criança não atravessaria a rua correndo como o Sr fez  na nossa direção e que segurei a coleira senão o susto seria maior.
- Maior porque ?
Quando disse isso saiu de trás do poste e deu um passo em nossa direção, Apolo deu novo bote .
Assustado novamente resolveu ir embora dizendo :
- Ele é bravo mesmo, quer me pegar ...
- Este é o susto, se o Sr se afastar ele fica calmo , desculpe-nos por favor.
Ele caminhou e ainda olhou para trás mais de uma vez .
Apolo quieto só o observou .








domingo, 13 de maio de 2012

Confusão no Velório


Catalepsia é o nome de distúrbio em que o paciente fica em estado de morte aparente . Diminui-se o batimento cardíaco e a respiração, e só com exames clínicos se comprova a permanência de vida.
Dona Arilda nada disto sabia e com certeza também não todo o povo reunido no velório do Seu Osvaldo .
Ela durante muitos anos foi empregada de minha sogra e adorava contar estórias enquanto cozinhava.
Bom ouvinte que sou sempre lhe pedia uma novo caso.
O velório corria em sala sem janelas, só um basculante em uma parede arejava o ambiente, na associação de moradores do morro.
Seu Osvaldo era pessoa conhecida , já havia passado dos 65 anos, a vida toda morando no morro ,mantinha duas casas na favela .
Uma logo na subida era da mulher oficial, a outra mais em cima era da namorada.
As duas se conheciam,  todos também sabiam do arranjo que ele mantinha com a pensão de aposentado dos Correios.
Pois numa destas subidas para a casa da namorada, após o almoço em casa e muitas doses de pinga, Seu Osvaldo apagou na rua.
Em dia de muito calor carregaram o velho para a sede da associação de moradores onde o enfermeiro de plantão deu o diagnóstico , morto.
A notícia correu e de imediato se ajeitou o velório naquela sexta-feira.
Sujeito popular que era trouxe seu velório muita gente para vê-lo .
Apareceu alguém com uma garrafa de gim, outro trouxe um conhaque , e começou-se a “beber “  o morto.
 O velório ficou animado, pouco faltava para aparecer um cavaco e um tamborim.
Tudo parou porém quando a namorada apareceu .
O perfume que havia colocado em excesso a denunciava com metros de distância.
Aproximou-se do caixão e lascou um beijo na testa do falecido enquanto dizia :
- Osvaldo meu amor , não me deixa .....
Dona Arilda acha que foi o perfume a causa pois nesta hora o morto espirrou e sentou-se no caixão perguntando :
- Gente, o que é isso , o que está acontecendo ?
Dona Arilda não sabe se alguém respondeu pois na correria e gritaria  para sair da sala todos tentavam passar pela única porta ,as pessoas se empurravam ,cadeiras foram reviradas, havia gente desmaiando ao ver o morto levantando .
Ela, mesmo gordinha, subiu em uma cadeira , passou pelo basculante sem saber como e correu muito.
Só parou ao chegar em casa quatro ruas depois.
Perguntei , e o Seu Osvaldo, viveu muito depois disso ?
Respondeu-me que o velho ainda viveu muitos anos mas ela não quis ir ao segundo velório .
Vai que ele levanta de novo me disse fazendo o sinal da cruz.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Tragédia Musical


Tive a sorte de ganhar um vizinho que estuda música.
No presente caso estuda bateria.
Assim em alguns finais de semana temos a sorte de ouvi-lo repetindo inúmeras vezes um mesmo trecho, uma mesma sequencia de passos.
Minha sorte é que ensaia em seu terraço, assim só fecho a porta de acesso ao meu e não incomoda muito.

Estudar música exige isso, por repetição exaustiva se aprende, se afina o toque.
Conversei uma vez em sala de embarque de Congonhas com um concertista de piano.
Disse-me que estudava pelo menos 4 horas diárias, a repetir várias vezes um mesmo trecho de uma obra clássica.
Nada mais chato para quem escuta é isto, ele mesmo reconhecia.

Pois outro dia F. me contou a estória de como resolveu parar de aprender a tocar guitarra.
Entrou em seu quarto para estudar e deixou o gato da casa entrar.
Fechou a porta, a janela, abriu o guarda-roupa para ajudar a absorver o som, e começou a repetir os acordes iniciais de Smoke on Water sentado em sua cama.
A introdução deste clássico do Deep Purple acredito ser uma das mais conhecidas em solo de guitarra.
O gato, sentado próximo a cama de F., tudo assistia.

Depois de 1 hora e meia repetindo sempre a mesma sequencia inicial, o quarto todo fechado, sentindo calor e o ar viciado, F. resolveu abrir a janela .
Pois aí deu-se a tragédia.
Enxergando um espaço para fuga o gato saltou pela janela do 12º andar.
Suicidou-se, não aguentou mais.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Curtinhas II

Estávamos almoçando fora da empresa e não sei como surgiu o assunto de viagens de carro.

Um disse que já havia ido do Rio a Fortaleza em quase 3 dias de viagem, outro no máximo até Porto Alegre e assim falávamos da necessidade de parar a cada 3 horas, de manter a atenção na estrada etc

Porém tudo parou quando ouvimos um dos garçons falando :

- Ir até Fortaleza em 3 dias dirigindo é mole, quero ver fazer como um cliente meu fez em viagem ...

Não resisti e perguntei :

- O que ele fez ?

- Foi até a Austrália, isto sim é chão para se percorrer ....

Depois de alguns segundos a risada foi geral, o garçom se afastou sem entender .

O telefone tocou cedo pela manhã no escritório de advogacia .

- Bom dia, escritório jurídico , em que posso ajudar ?

- Bom dia, vocês cobrem oferta de honorários ?

- Não , tente no Ricardo Eletro, ele cobre qualquer oferta .

- Muito obrigado !

domingo, 8 de abril de 2012

Resposta Certa, Camisa Errada

Revendo o videotape do jogo de sábado lembrei deste caso.

Já o contei para várias pessoas, de como uma resposta em uma entrevista pode ajudar.

A estória é de E., funcionário entrevistado e contratado por Lula, o do bem, meu grande amigo.

A vida de E. sempre foi difícil .

Negro, pobre, morador de área em conflito no Rio de Janeiro, tinha tudo para se tornar mais um a engrossar as estatísticas de violência.

Foi abandonado pela mãe em um centro infantil do estado aos dois anos.

Estudando em escola pública começou a trabalhar aos 14 anos em uma serralheria. Reconhecendo seu esforço e dedicação o serralheiro ajustou seu horário para que pudesse continuar a estudar e concluísse o ensino médio.
Mais tarde resolveu prestar vestibular para uma universidade privada mas, para pagar o curso, precisaria mudar de emprego, buscando melhor remuneração .
O anúncio de recrutamento ,publicado pela grande rede de varejo nos jornais, o atraiu e deu a sorte de seu curriculum ser examinado por Lula .
Lula sempre teve preocupação em valorizar aqueles que trabalham duro, seu instinto o ajudou na identificação do caso.

Resolveu chamá-lo para a entrevista para o cargo de assistente de reposição.
Durante a entrevista contou a Lula sua estória de vida e o que precisou lutar para conquistar.
Já certo da sua decisão resolveu Lula também chamar outro colega para validar sua intuição .
Com a aprovação do colega,Lula o chamou novamente para comunicar a aprovação e, brincando, fez o que seria a última pergunta :
- Agora E., para fecharmos sua contratação, qual é o seu time ?
- Luiz, sou obrigado a confessar que sou rubro-negro.
- Está contratado !

Sempre antes de jogos do Fla no Maracanã paramos na praça Varnhagen para um chopp.
Assim foi até o dia de um Flamengo x Vasco em que vestindo a camisa que tem uma faixa em diagonal , parece um cinto de segurança , encontramos E. atravessando a praça. Não resistimos e perguntamos.
- E. , que camisa é essa , você não é rubro-negro ?
- Sabe o que é chefia , na nossa última entrevista, perguntei antes a secretária qual era o time do chefe.

Não podia dar a resposta errada .....

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Cuidado com a Marca

Ela chegou atrasada e veio se justificar comigo.

- Ely, me desculpa, ajustei meu celular para despertar as 6:30, não tocou e pior já parou de funcionar. É novo, comprei no sábado passado e já quebrou.

- Qual a marca ?

- É um Iphone 4, comprei baratinho na semana passada por menos de 300 reais na Rua Uruguaiana.

Desconfiei e pedi para ver o aparelho.

- Está com ele aí ?

- Estou, vou tentar trocar hoje no fim do dia.

Era de fato um modelo novo, a marca estampada era HIPHONE.


Ele saiu do metrô na estação Uruguaiana e acidentalmente ao passar a mão no rosto lembrou que não havia se barbeado pela manhã.

Cuidadoso de sua aparência avaliou que precisava dar um jeito.

O camelô vendendo aparelhos de barbear descartáveis era a solução logo a vista.

Comprou um e entrou na loja do McDonald´s para ir ao banheiro usar a pia.

Abriu a embalagem e ao passar as lâminas no rosto nada aconteceu.

As lâminas nada cortavam , estavam totalmente cegas.

Atrasado rumou para a reunião que tinha agendada mas não esqueceu o que havia acontecido.

Ao chegar em casa procurou o telefone do serviço de atendimento ao consumidor da Gillete.

Esperou e ao ser atendido reclamou muito, como uma empresa mundial, de produtos conhecidos como a Gillete colocava no mercado um negócio desses, lâminas que nada cortavam , totalmente cegas.

O atendente pediu que descrevesse o produto, que nome trazia na embalagem.

Não havia nome mas a marca era Gillete.

É estranho disse o atendende, o senhor tem certeza que a marca é Gillete, perguntou.

Pediu um minuto para ir pegar os óculos .

Colocou e respondeu , sim está claro aqui , a marca é , é ......GELLETI.....

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Curtinhas

Parei na banca de jornais no caminho do mercado para comprar cigarros e jornal.

O jornaleiro, sotaque forte, me avisa :

- Os preços vão subire , porque não leva mais ?

- O que vai subir de preço ?

- Os dois, o cigarro e o jornal, aproveite e leve mais cigarros e mais jornais.

- Os cigarros eu entendo, me dê mais dois maços por favor , mas porque mais exemplares do mesmo jornal, as notícias são diferentes ?

Aborrecido me entregou os maços de cigarro e nada mais falou.


Tenho a mania de comprar sapatos na mesma loja e escolho sempre os mesmos modelos de três opções.

Possuo assim pares iguais.

Resolvo no sábado a tarde levar dois pares iguais , mesmo modelo, mesma cor, ao sapateiro para trocar os saltos.

O sapateiro ao vê-los dispara :

- Ih , o senhor de vez em quando não calça um pé de um e outro pé de outro ? Deve ser um problema ....

- Senhor, os pares são iguais ...

- Ah é ....

sábado, 17 de março de 2012

Uma Carta, Um Encontro, Um Carro

Esta história aconteceu há muito tempo .
É do tempo em que as pessoas ainda mandavam cartas .
Ele, um senhor já com mais de 60 anos, era o vigia noturno do prédio onde minha mãe morava.
Falante , gostava de contar estórias do tempo em que havia servido ao exército , tendo participado das tropas brasileiras enviadas pela ONU para o canal de Suez , no final dos anos 50 , início dos 60 .
Sempre que eu voltava da rua parava para ouvir um de seus causos, sempre terminando com uma passagem pelo Egito .
Numa dessas conversas me fez um pedido .
Estava querendo conhecer alguém , um amigo que com ele dividia um minúsculo apartamento na Barata Ribeiro , ele e mais 7 , lhe deu a idéia de enviar uma carta para uma das revistas que sempre publicavam seções de correio sentimental .
Não sabia se expressar bem , como colocar suas idéias no papel,pediu minha ajuda .
Assim preparei um modelo de carta , que ele passaria a limpo , para enviar às seções de cartas .
Nela escrevia ser um senhor, boa saúde , bons hábitos, querendo encontrar alguém para passar os anos já que não tinha filhos ou companheira .

Dias depois, eufórico, quando parei para conversar me mostrou as respostas recebidas.
Havia selecionado algumas , queria responder, minha ajuda era de novo necessária .
Novo modelo, com variações para algumas cartas , foi feito .
Passado um tempo me disse que iria se encontrar com uma das candidatas .
É importante acrescentar uma informação.

Possuia ele um único bem.

Um Impala , dourado, rabo de peixe, pneus com banda branca, ano 1962, era sua paixão .

Era de fato lindo, objeto de colecionador.
Mantinha-o sempre conservado com o pouco que ganhava .
Havia-o comprado ao voltar da África , graças aos dólares poupados e aos ganhos em noites de pôquer e dados com soldados americanos .
Com o Impala e seu rabo de peixe , pneus originais, iria conhecer sua futura paixão de correio .
Uma semana depois ao encontrá-lo à noite perguntei , como foi o encontro ?
Desastroso , me disse .
A morena era até um pedaço de mau caminho bem conservada .
A havia encontrado em Botafogo e a levado para a Barra , logo ali na Ilha dos Pescadores .
Caso a conversa esquentasse a rua dos motéis estava logo ali , não precisaria rodar muito.
Estava disposto a consumir alguns choppes e batata frita , para isto estava preparado .
Mas não é que a dona ali resolveu logo de cara pedir um coquetel de camarão ?
Ah é , então traga 2 disse ao garçom .
Na sequencia resolveu a moça pedir um jantar e foi logo pedindo camarão gratinado .
Ok , traga 2 disse ao garçom e traga um bom vinho branco também .
E a moça cheia de não me toques , nem pegar na mão deixou .
Na hora do café desculpou-se , pediu licença para ir ao banheiro, e foi embora .
Rapaz, lhe disse, como você fez um negócio desse ?

Largou a mulher e foi embora ?
Pois é , acho que ela pensou que eu estava cheio de grana por causa do Impala , mas como não tem o endereço da minha casa , recebo as cartas em caixa postal , não pensei duas vezes , larguei a dona lá.
Nada como o tempo para provar a falsidade de algumas premissas .
Estava ele andando na Barata Ribeiro quando dá de cara com a infeliz missivista .
Não pensando 2 vezes partiu a senhora para cima dele o cobrindo de tapas e bolsadas .
Tentou fugir entrando em um ônibus mas a fera entrou atrás , acabaram parando na delegacia da Hilário Gouveia .
Na delegacia o delegado de plantão perguntou :
- Minha Sra , porque isso ? Porque agredir este cidadão desta maneira na rua ?
- Seu delegado, este safado, sem-vergonha, me convidou para sair . Fomos a um restaurante e na hora de pagar a conta sumiu. Eu estava sem nada , sem talão de cheques , nada na bolsa .
Tive que ficar até o fechamento , me botaram para lavar o chão e os garçons ainda queriam coisa comigo .
Nunca fui tão humilhada .
Virando-se para ele , o delegado perguntou :
- Foi isso mesmo ?
- Doutor, eu a chamei para um chopp com batata frita , isto eu podia pagar . Mas ela foi logo me avacalhando pedindo camarão e depois jantar com camarão . Eu pensei , ah é , quer assim , assim vai ser . Fui embora mesmo .
Ok , disse o delegado , chamando um detetive o encaminhou para outra sala e disse a Sra que iria prendê-lo .Passado um tempo o delegado foi até a outra sala , deu-lhe uma bronca e o mandou embora .A queixosa já havia saído de perto da delegacia , havia verificado .

Escrevi ainda para ele mais algumas cartas .
Uma destas motivou a vinda de uma viúva de SC ao Rio .
Tinha ela lá uma pequena confecção .
O conheceu de fato , sem falsas impressões .
Apaixonaram-se e para SC ele foi embora .