quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O valor de uma idéia

Assisti recentemente a palestra com Steven Levitt , autor de Freaknomics, muito boa pelo conteúdo e pelas reflexões que provoca.

Interessante como reforça o valor que uma boa idéia pode trazer se estivermos com a mente e espíritos abertos para avaliar uma proposta nova, sem prévia avaliação de quem faz a proposta.

Lembro de casos assim fantásticos, de como Bill Gates comprou por 50.000 USD o MS-DOS , de como uma interface gráfica desenvolvida na Xerox trouxe inspiração para Steve Jobs na Apple e outros exemplos.

Permita-se a avaliar idéias e suas aplicações em seu dia a dia , pelo menos avalie , recomendou Steven Levitt que emendou contanto um caso fantástico.

Todos anos , assim como no Brasil , contribuintes prestam contas nos Eua ao IRS, a Receita Federal de lá .

Pois nos anos 80, um funcionário do IRS , vamos chamá-lo de Joe, ao ler declarações de contribuintes viu a menção a um dependente de nome Fluffy em uma declaração.

Fluffy , que raio de nome é esse , quem daria o nome Fluffy a um filho pensou Joe.

Resolveu Joe procurar seu chefe com a seguinte idéia , no próximo ano vamos pedir mais dados sobre os dependentes aos contribuintes, alguma coisa errada deve estar acontecendo .

O chefe de Joe disse-lhe que não , para que esta mudança, as coisas estavam bem , não havia porque mudar.

Joe voltou a seu posto mas a inquietação permaneceu.

Anos depois , já com nova chefia , Joe volta a carga com sua idéia .

Ok , vamos mudar no próximo ano, vamos pedir mais dados.

No ano em que a mudança entra em vigor acontece fato histórico que, se levado para os dados estatísticos de saúde, significariam a maior mortalidade infantil da história nos Eua.

Milhões de dependentes desapareceram das declarações de imposto de renda.

A idéia de Joe, de simples implementação, significou bilhões de dólares de imposto a arrecadar.

Para Steven Levitt o mais triste foi saber por seu pai que naquele ano ele havia perdido um irmão e uma irmã .

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Desgraça Alheia - II

Quem enviou esta foi novamente o Jackson, pai da Camila.Desconheço o autor original.

"Na semana passada estava entrando num banco para ver se tinha restado algum trocado, até o dia da "viúva" (INSS) fazer o depósito, foi quando uma linda garota de menos de quarenta anos, minissaia, para mim é garota, entrou na fila dos caixas. Imediatamente sai da fila dos idosos e também entrei na mesma fila.

Em pouco tempo ela olhou para trás e sorrindo e disse:
- Porque o senhor não utiliza a fila dos idosos?
Você sabe o que eu pensei na hora não é?

Porém, mantive a calma e usei toda minha experiência.

Puxei papo e resolvi inventar, para impressionar.

Falei das minhas "experiências como comandante de navio de cruzeiro" .

Havia lido na semana passada um livro sobre um comandante de navio de turismo.Sabia tudo a respeito.

- Uau! o senhor foi comandante de transatlântico?
- Só por vinte e dois anos.

Assim respondi expressando uma certa indiferença pelos anos de trabalho, mas sentindo que tinha capturado a presa, era só preparar.

- Nossa! Com essa sua pinta o senhor deveria, certamente, agradar muito o público feminino, nas noites de jantar com o comandante.
Boquiaberto só pude responder:

- Hã?

Estava distraído,de olho fixo no decote da jovem que exibia, exuberantemente, seus lindos seios.

Ela me pegou no flagra.

Eu fiquei sem graça e ela não fez por menos :
- O senhor ficou vermelho! Ficou até mais bonito. Aliás, o senhor deveria fazer um teste na televisão.
Eu estava perplexo e apavorado, depois dos sessenta, isto acontece uma só vez antes da morte.

Aquele avião pronto para decolar e eu sem condições nem mesmo de efetuar o chek in.

Sim, não sabia ao certo quanto teria na conta corrente...

Quanto estaria custando um Viagra? ....

Onde poderia arrumar duzentão, até o dia do depósito da "viúva"?...

Quanto estariam cobrando um apê no motel?

Será que se chamar um táxi pega bem?

Comecei a suar frio.

- Eu, artista de televisão?

- Sim! o senhor lembra aquele famoso galã dos anos cinquenta, que minha avó me mostrou na revista "Rainha do Rádio". Ela tem verdadeira paixão por essas revistas.

Adorava Marlene, Emilinha Borba...

Deus nos livre de alguém mexer nas suas revistas.

Ela guarda a sete chaves, com o maior carinho...

O senhor é saudosista também?

- Sim, eu sou! Mas, você tá me gozando. Galã dos anos cinquenta?
- Verdade, não me lembro bem o nome, só sei que ele fazia filmes para o cinema, era muito famoso.

Mário, Má ..., não era.

Era alguma coisa como...

Ah sim, tinha dois zes no nome.
- Mário Gomezz (Apelei)?
- Não, não era este o nome.
Ahhh lembrei... Mazzaropi?

Isto, Mazzaropi!

Mazzaropi era um galã, não era?

Amigo, nesta hora minha auto-estima fez um buraco no chão e foi parar na terra do sol nascente.

Pô, quando ela disse que eu parecia galã dos anos cinquenta, pensei num Paulo Gracindo, Paulo Autran, ou algum Antonio Fagundes da vida.

Mas, Mazzaropi? ...

PQP foi demais.

Mas, até aí tudo bem, para pegar aquele avião eu ia de Mazzaropi mesmo..

O meu fabuloso e sonhado programa da tarde só veio a acabar, quando ela, sem querer, derrubou um livro que tinha na mão.

Eu, como um verdadeiro cavalheiro, inventei de abaixar para apanhá-lo.

Só que esqueci as recomendações do meu ortopedista sobre minhas artroses e artrites, que quando eu me abaixasse, o fizesse de uma forma bem vagarosa.

Enquanto o livro descia, eu mais que depressa, inventei de pegá-lo na altura dos joelhos da jovem.
Só escutei a frase dela:

- Uau, mas que reflexo, você parece um garotão!

Ouvi esta frase, e mais dois sons.

Um som abafado da região da minha coluna que travou no ato, e o som estridente de um prolongado peido que alem de sinalizar a frouxidão do rabo lembrou-me da intensa dor na coluna.

E quem disse que eu conseguia endireitar o corpo, nem chamando o Carvalhão.
Arcado, tentava me endireitar e peidava mais. Tentava, e novamente peidava.

Imagina a situação ?

A jovem vendo que a situação não reverteria, tirou os dois dedos que apertavam suas narinas, apanhou o celular e discou para o SAMU.

Fim de um provável romance...

Você está rindo ?

Não adianta, você vai envelhecer também !

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Casos de Varejo - II

Dia chuvoso, estou em casa de folga pelo dia do comerciário.

A maior parte de minha carreira profissional se deu em empresas de varejo, em todas é possível a lembrança de casos e situações interessantes.

Lembro particularmente da rede de restaurantes e da loja de departamentos.

Na primeira, narrei em outro post, fui encaminhado para três semanas de treinamento e operação de uma loja antes de assumir meu cargo.

Gostei demais da experiência.

Na última semana, em loja que operava um drive-thru, fui reconhecido por um fornecedor.

Ao me ver na última cabine, a que monta e entrega os pedidos, posição que mais gostava pois velocidade e precisão são importantes, me abordou com cara de espanto :

- Ely, não sabia que você havia saído de lá , estão fazendo cortes ? Me manda seu curriculum , vou te ajudar .

Não quis explicar, agradeci e o despachei.

Ainda na última cabine recebi outra vez pelo interfone o pedido de um hambúrguer cheddar sem carne .

Achei que estava errado e pedi para repetir o pedido.

Isto mesmo o sanduíche era sem carne.

Quando retirou o pedido a cliente me disse :

- Vi que você pediu a confirmação, sou vegetariana, gosto mesmo é do molho.

- Que bom Sra, obrigado por seu pedido !

Mas é da loja de departamentos, por talvez lá ter trabalhado mais de 10 anos, que surgem mais lembranças de situações.

Na semana do Natal a sede enviava funcionários, que assim desejassem, para trabalhar em lojas.

Sempre gostei desta experiência, podia assim ver pontos de melhoria em sistemas, e assim ia.

Estava na loja de Laranjeiras, em ilha de brinquedos eletrônicos, quando um rapaz que mancava me pediu um pacote de pilhas Duracell.

O atendi e passei para outro cliente.

Dois minutos depois a caixa da ilha me pediu para aprovar um cheque.

Era do rapaz e ao confrontar o cheque contra o valor do cupom fiscal vi que neste não aparecia o pacote de pilhas.

Achei estranho, não tinha percebido a devolução.

Autorizei a venda e quando o rapaz se afastou mancando, chamei um segurança e pedi que observasse o rapaz na loja.

Meia hora depois me volta o segurança com o pacote de pilhas na mão e diz :

- Você achou que ele era deficiente físico, não achou ?

- Achei sim, o que houve, onde estava o pacote de pilhas ?

- Em uma sacola amarrada na perna, por dentro das calças, por isso ele fingia que mancava .

Foi esconder um desodorante na sacola, ela soltou e caiu tudo pela perna.

Viu que eu estava perto, largou tudo e saiu correndo.

Quem o tivesse visto antes mancando ia pensar que era milagre.

Rindo coloquei o pacote de volta na ilha e atendi o próximo cliente.

sábado, 15 de outubro de 2011

Telemarketing

Fui convidado e participei de evento de encontro de usuários, de importante fornecedor de soluções de hardware e software, em San Diego, no mês de outubro.

Durante o evento busquei assistir ao máximo de apresentações de casos de negócio que tratassem de segmentação de clientes, seu atendimento personalizado , além de casos de logística.

Durante uma das apresentações, de grande banco de varejo canadense, me chamou atenção os dados que exibiram.

Com programa e conjunto de ações diretamente voltadas para seus clientes conseguiram aumento efetivo de negócios .

O segredo é manter contato sempre, não somente para oferecer cartão de crédito, ou qualquer outra campanha interna.

Estabeleceram relacionamento mesmo, parceria.

Os contatos são feitos em aniversários, indagam como andam os filhos, pelo nome , falam de universidades, compra de imóveis e carros , investimentos , etc.

Lembrei imediatamente de como “sofremos “ no Brasil, com as várias chamadas de bancos com quem não temos relacionamento, e da insistência das ofertas pelas centrais de atendimento.

Meu filho Diogo, a cada 3 meses, recebe a mesma oferta de um banco, onde não tem conta, de um cartão de crédito com saldo para gastar, sem cobrança, no valor de R$ 200,00.

O que ele faz ?

Aceita, leva a namorada ao teatro e vai a um restaurante para jantar.

Depois disso cancela o cartão.

Não aprendem , três meses depois nova oferta é feita.

Nina , uma vendedora de comésticos que atende minha mulher, contou certa vez como se livrou destas chamadas .

Todo mês recebia uma oferta de um cartão de crédito de um banco.

Todo mês respondia que não tinha interesse.

Teve um dia a idéia que a salvou destes contatos .

Após atender a ligação e, ao ver que se tratava da oferta do cartão, sem se identificar, disse para a operadora :

- Por favor , não liguem mais , toda vez que vocês ligam a família fica muito triste, deprimida .

- Porque a família fica triste minha senhora ?

- Porque a Nina morreu ....