sábado, 17 de março de 2012

Uma Carta, Um Encontro, Um Carro

Esta história aconteceu há muito tempo .
É do tempo em que as pessoas ainda mandavam cartas .
Ele, um senhor já com mais de 60 anos, era o vigia noturno do prédio onde minha mãe morava.
Falante , gostava de contar estórias do tempo em que havia servido ao exército , tendo participado das tropas brasileiras enviadas pela ONU para o canal de Suez , no final dos anos 50 , início dos 60 .
Sempre que eu voltava da rua parava para ouvir um de seus causos, sempre terminando com uma passagem pelo Egito .
Numa dessas conversas me fez um pedido .
Estava querendo conhecer alguém , um amigo que com ele dividia um minúsculo apartamento na Barata Ribeiro , ele e mais 7 , lhe deu a idéia de enviar uma carta para uma das revistas que sempre publicavam seções de correio sentimental .
Não sabia se expressar bem , como colocar suas idéias no papel,pediu minha ajuda .
Assim preparei um modelo de carta , que ele passaria a limpo , para enviar às seções de cartas .
Nela escrevia ser um senhor, boa saúde , bons hábitos, querendo encontrar alguém para passar os anos já que não tinha filhos ou companheira .

Dias depois, eufórico, quando parei para conversar me mostrou as respostas recebidas.
Havia selecionado algumas , queria responder, minha ajuda era de novo necessária .
Novo modelo, com variações para algumas cartas , foi feito .
Passado um tempo me disse que iria se encontrar com uma das candidatas .
É importante acrescentar uma informação.

Possuia ele um único bem.

Um Impala , dourado, rabo de peixe, pneus com banda branca, ano 1962, era sua paixão .

Era de fato lindo, objeto de colecionador.
Mantinha-o sempre conservado com o pouco que ganhava .
Havia-o comprado ao voltar da África , graças aos dólares poupados e aos ganhos em noites de pôquer e dados com soldados americanos .
Com o Impala e seu rabo de peixe , pneus originais, iria conhecer sua futura paixão de correio .
Uma semana depois ao encontrá-lo à noite perguntei , como foi o encontro ?
Desastroso , me disse .
A morena era até um pedaço de mau caminho bem conservada .
A havia encontrado em Botafogo e a levado para a Barra , logo ali na Ilha dos Pescadores .
Caso a conversa esquentasse a rua dos motéis estava logo ali , não precisaria rodar muito.
Estava disposto a consumir alguns choppes e batata frita , para isto estava preparado .
Mas não é que a dona ali resolveu logo de cara pedir um coquetel de camarão ?
Ah é , então traga 2 disse ao garçom .
Na sequencia resolveu a moça pedir um jantar e foi logo pedindo camarão gratinado .
Ok , traga 2 disse ao garçom e traga um bom vinho branco também .
E a moça cheia de não me toques , nem pegar na mão deixou .
Na hora do café desculpou-se , pediu licença para ir ao banheiro, e foi embora .
Rapaz, lhe disse, como você fez um negócio desse ?

Largou a mulher e foi embora ?
Pois é , acho que ela pensou que eu estava cheio de grana por causa do Impala , mas como não tem o endereço da minha casa , recebo as cartas em caixa postal , não pensei duas vezes , larguei a dona lá.
Nada como o tempo para provar a falsidade de algumas premissas .
Estava ele andando na Barata Ribeiro quando dá de cara com a infeliz missivista .
Não pensando 2 vezes partiu a senhora para cima dele o cobrindo de tapas e bolsadas .
Tentou fugir entrando em um ônibus mas a fera entrou atrás , acabaram parando na delegacia da Hilário Gouveia .
Na delegacia o delegado de plantão perguntou :
- Minha Sra , porque isso ? Porque agredir este cidadão desta maneira na rua ?
- Seu delegado, este safado, sem-vergonha, me convidou para sair . Fomos a um restaurante e na hora de pagar a conta sumiu. Eu estava sem nada , sem talão de cheques , nada na bolsa .
Tive que ficar até o fechamento , me botaram para lavar o chão e os garçons ainda queriam coisa comigo .
Nunca fui tão humilhada .
Virando-se para ele , o delegado perguntou :
- Foi isso mesmo ?
- Doutor, eu a chamei para um chopp com batata frita , isto eu podia pagar . Mas ela foi logo me avacalhando pedindo camarão e depois jantar com camarão . Eu pensei , ah é , quer assim , assim vai ser . Fui embora mesmo .
Ok , disse o delegado , chamando um detetive o encaminhou para outra sala e disse a Sra que iria prendê-lo .Passado um tempo o delegado foi até a outra sala , deu-lhe uma bronca e o mandou embora .A queixosa já havia saído de perto da delegacia , havia verificado .

Escrevi ainda para ele mais algumas cartas .
Uma destas motivou a vinda de uma viúva de SC ao Rio .
Tinha ela lá uma pequena confecção .
O conheceu de fato , sem falsas impressões .
Apaixonaram-se e para SC ele foi embora .

quinta-feira, 8 de março de 2012

Um Caso de Amor

Desta vez não é um caso de humor, mas sim um caso de amor.

Sorte tem o homem que tem vários amores,

E assim preenche sua vida ,

De amor filial pela mulher que lhe deu a vida,

De amor carinhoso pela mulher, primeira professora, que me ensinou a desenhar letras,

De amor, paixão, pela mulher, primeira namorada, razão do primeiro beijo de paixão,

De amor fraterno pela mulher, irmã , ombro amigo e confidente,

De amor e admiração pela mulher, colega , gerente, diretora , parceiras de trabalho, e desenvolvimento mútuo ,

De amor pela mulher, paixão e fogo, razão de sonhos e desejos

De amor paterno pela mulher, filha perfeita, realizadora de seus sonhos,

De amor intenso, razão de vida, pela esposa, companheira, amante, amada .

Sorte tem o homem que tem mulheres, razão de amor, em sua vida .

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Na Marquês de Sapucaí

O carnaval deste ano me fez lembrar de caso acontecido na Sapucaí.

Vininho, marido de Fátima, prima de Leila era o comandante do Batalhão de Choque da PM, cujo quartel era ao lado do Sambódromo.

Naquele ano ele nos perguntou se não queríamos assistir ao desfile das escolas de samba, havia recebido ingressos para o camarote de uma rede de televisão.

Aceitamos de imediato, sempre acreditei que todos devem pelo menos uma vez assistir ao desfile ao vivo, como devem ir a Roma, ir a NY , a Paris , assim por diante.

Resolvemos ir de táxi ao encontro de Vininho e Fátima no batalhão da PM.

Na rua faço sinal e quem pára é Baiano, motorista por nós conhecido há muito tempo.

Era uma figura, morador na mesma rua de uma amiga nossa.

Baiano, já alegre depois de algumas cervejas, estava indo para casa mas não iria nos deixar na rua e nos levou.

O caminho até o batalhão estava cheio de barreiras no trânsito que Baiano abria dizendo:

- Oficial, por favor abra a barreira, estou levando os sobrinhos do comandante para encontrá-lo no Batalhão de Choque.

Os PMs olhavam desconfiados mas abriam a passagem e assim chegamos.

Encontramos Vininho, Fátima, Rita e Luciano e fomos para o sambódromo.

Dá a volta por aqui , vira aquela rua ali , chegamos na entrada para os camarotes.

Aguardamos um pouco a entrega dos convites e entramos.

O camarote estava abarrotado de gente, não havia como chegar até as janelas e assistir ao desfile.

Se o programa fosse ver artistas de TV seria ótimo mas não era nosso caso.

Parecia que seria um programa de índio mas Vininho lembrou-se que havia recebido também a oferta de ingressos para cadeiras no setor de turistas.

O problema era localizar quem havia feito a oferta e como localizá-lo, o desfile havia começado.

Saímos do setor e nova volta no sambódromo demos .

Próximo ao batalhão Vininho recebeu a informação que os convites estavam disponíveis, mas teríamos que chegar até o portão de acesso.

Um mar de gente, carros, caminhões atrapalhava o caminho.

Para nossa sorte surge um camburão da PM e o condutor ao ver Vininho pergunta :

- Coronel, o senhor quer ir aonde ?

Entramos e nos apertamos no camburão.

Com o trânsito lento as pessoas olhavam para ver quem estava sendo “preso “.

Ouvi mais de um comentário “Esses já fizeram besteira, bem feito “ .

Finalmente chegamos ao portão onde os convites estavam disponíveis.

Entramos e encontramos lugares vazios, a segunda escola ainda iria entrar.

Entre cada grupo de cadeiras havia espaços no chão coberto por um tecido preto.

Pois ao meu lado sentou-se no chão um sujeito.

Sem o barulho da bateria escutei o sujeito gemendo:

- Aiii, Uiiii, ....

Apertava os braços em volta do corpo e abaixava a cabeça entre as pernas.

Quando perguntei se estava bem me respondeu que sim e levantou.

Percebi o que havia acontecido quando olhei para onde ele estava sentado.

Fezes líquidas escorriam pelo espaço, o sujeito havia se sujado nas calças.

A bateria começou a esquentar e não liguei mais .

As pessoas levantaram, ficou bonita a avenida.

Quando sentei novamente, ao olhar para trás, vejo um rapaz com a camisa de um camarote de um fabricante de automóveis descendo as escadas.

Pensei que iria até a grade para tirar fotos mas de repente se abaixa e senta exatamente ao meu lado, no mesmo espaço onde havia o primeiro sujeito sentado.

Não deu tempo de avisá-lo , de camisa e calças brancas , iria logo notar.

Quase rindo me virei para ele e disse :

- Amigo, é melhor você levantar e ir a um banheiro tirar e lavar esta calça .

Com olhar surpreso me perguntou o por que .

- Um cara, sentado aí mesmo onde você está, cagou-se todo, acho que você se sujou também.

A frase em seguida denunciou de onde vinha o rapaz.

- Que é isso meu, tá me tirando ?

- Não estou não, é sério !

Olhou para baixo e viu nos degraus abaixo dele a prova do que havia lhe dito.

Levantou-se e virando as costas para mim, abaixou-se e me perguntou :

- Não é possível me acontecer isso, estou muito sujo ?

A calça branca estava toda manchada de fezes, não dava para esconder .

- Está muito feia a coisa irmão , é melhor ir ao banheiro como lhe falei .

Furioso levantou-se e correu escada acima praguejando “merda, merda “.

Achei engraçado, era exatamente o que havia acontecido com ele.

Ficamos até o final e tivemos a sorte de assistir ao desfile da Mangueira, campeã daquele ano .

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Comédia da Vida Corporativa

Toda empresa tem mais de um caso engraçado ocorrido com funcionários.

Almoçando na sexta-feira com os demais gerentes da empresa alguns casos foram lembrados.

Como o dia em que um diretor presidente da empresa, ao enviar e-mail para uma gerente de varejo, ao invés de digitar o e-mail da destinatária e ao teclar somente a primeira letra acabou preenchendo, de forma automática,um nome errado.

O e-mail tinha por cópia diversos outros gerentes , estes sim com o endereço de caixa postal correta.

Não percebeu o diretor o erro e na abertura do texto preencheu corretamente o nome daquela a quem o e-mail devia ser dirigido.

Esta de nada sabia e ficou surpresa quando seu celular corporativo disparou com chamadas .

Uma delas foi de Ramos, gerente de estoque, que lhe perguntou :

- Thilda, você ganhou na Mega Sena ?

- Não, porque ?

- Que resposta é esta que você colocou no e-mail para o presidente ?

- Que e-mail, que resposta ?

- No e-mail ele te pede uma coisa e você respondeu brava copiando também todo mundo...

- Não recebi e-mail nenhum dele , não respondi nada .

- Você escreveu “ Não tenho nada a ver com essa P., me tira dessa M. ... “ .

- Não respondi mesmo, não faço isso, não recebi e-mail nenhum.

Ao chegar segunda-feira e seu micro ligar Thilda percebeu que não estava demitida.

Pode esclarecer o que ocorreu.

Pior aconteceu em convenção da loja de departamentos no Club Méd de Angra.

Recebíamos dias antes a relação de com quem dividiríamos os apartamentos.

Rangel estaria dividindo o apartamento com M. , também funcionário da área de compras.

O ônibus de Rangel chegou primeiro e pegou a chave antes de M.

Encontrando com M. depois, ao ser perguntado qual era o apartamento, disse-lhe o que primeiro lhe veio a cabeça.

A tarde passou e precisando ir ao banheiro M. se dirigiu ao apartamento que pensava ser o seu.

Bateu a porta e não teve resposta.

Começou então a falar alto e bater a porta :

- Rangel , viado , abre esta porta que quero cagar !

Anda Rangel , abre logo p. , quero cagar !

Bateu mais vezes assim até que finalmente ouviu a porta se abrindo.

Para sua surpresa não era Rangel mas o presidente da empresa, trajando somente uma cueca e meias .

- Desculpe C. , pensei que fosse o meu apartamento, por favor me desculpe.

- Tudo bem , mas você pode usar o banheiro, não está apertado ?

- Não precisa, sabe que a vontade acabou de passar ....

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Maldade de Escritório - III

Voltando para casa a prestadora de serviço me perguntou porque não podia sair para almoçar fora da empresa.
Perguntei quem havia dito isto e, com a resposta, lhe disse que era mais um trote que haviam lhe passado.
Funcionário novo sempre pode passar por isto.
Na loja de departamentos onde trabalhei estagiários novos eram sempre vítimas de brincadeiras assim.
Volta e meia aparecia um na operação ou na área de suporte pedindo emprestada a régua para medir "densidade de disco ".
Pior é quando pediam folha de papel carbono pautado na secretaria.
Algumas pessoas ainda perguntavam o porque do pedido e as explicações eram singelas:
- O fulano está fazendo um pedido a mão, quer cópia, e assim com o carbono vai sair certo ....
As vezes o caçador virava caça.
Aconteceu com Izilda.
Havia colocado para rodar um grande relatório da folha de pagamento e, quando foi pegar o resultado na operação, recebeu de Roberto, um dos operadores, uma folha corretamente diagramada com uma mensagem de erro.
Pesquisou a mensagem de erro nos manuais e não conseguiu resultado algum.
Em busca de ajuda foi em nossa área de suporte de banco de dados.
Apresentou a folha a Zé Márcio que de imediato riu e disse :
- Ô Izilda, você não percebeu ? É primeiro de abril, olha o código mostrando a data.
Izilda riu e prometeu dar o troco.
Como ela não voltava para operação Roberto resolveu ligar para o departamento de sistemas.
Ficou preocupado quando ouviu que Izilda havia ido até a área de banco de dados.
Mais ainda ficou quando, na segunda ligação, ouviu que Izilda havia ido com Ivone, chefe da área de suporte de banco de dados, até a sala de Teresa, superintendente de sistemas.
Na terceira ligação, já aflito querendo localizar Izilda e esclarecer a brincadeira, ouviu que estava sendo aguardado na sala de Teresa.
Saiu da sala de operação pronto para ouvir a tremenda bronca que o aguardava.
Ivone e Teresa tinham fama, justificada, de pessoas muito sérias.
Quando virou o corredor na direção da sala de Teresa encontrou Izilda.
Começou a pedir desculpas rapidamente até que ouviu :
- Que é isto Roberto, não precisa, é primeiro de abril ! Te peguei !

sábado, 24 de dezembro de 2011

Desejos de Natal

Graças a carreira profissional pude visitar e conhecer pessoas de diferentes países em continentes diversos.

Com estas visitas logo entendi que por mais diferentes os idiomas, os hábitos, religião, a cultura de cada lugar , todos desejam o mesmo , viver em paz com suas famílias, educar seus filhos, alegria e diversão em seus momentos de folga.

Desta forma se pudesse contatar a todos que conheci faria que soubessem que meus desejos no Natal são :

Que a felicidade esteja presente para todos em todos os dias , que sejam bons e que assim superem os que parecem ruins ,
Que tenham a seu redor a presença constante de sorrisos, como os das crianças , para lhes enfeitar a alma ,
Que tenham tempo para aproveitar momentos que lhe serão únicos ,
Caso algo lhes pareça difícil tenham força e coragem para tudo enfrentar com um sorriso nos lábios e um coração puro,
Que seus sonhos de amanhã se tornem realidade em seu presente ,
E mais importante, tenham confiança quando estiverem em dúvida ;
Pois dias de arco-íris surgem após as chuvas ,
E ainda recebam meu abraço carinhoso quando , por breve momento, assim o precisar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Dieta com Purina

O caso original foi descrito por Paul Klecka no Facebook , Andrea Hansen compartilhou com os amigos,eu fiz apenas a tradução para o português.

"Eu estava no Wal-Mart comprando um saco de 20 Kg de Purina Dog Chow, na fila do caixa, quando uma mulher atrás de mim me perguntou se eu tinha um cachorro.

Porque razão estaria eu comprando comida de cachorro, certo ?

Assim em um impulso eu disse-lhe que não, eu não tinha um cachorro , eu estava iniciando a dieta com Purina novamente, o que provavelmente não deveria fazer, já que havia parado em um hospital na última vez, mas havia perdido 15 kg antes de acordar em uma unidade de terapia intensiva com tubos saindo da maioria de meus orifícios e intravenosos nos dois braços.

Disse a ela que era essencialmente uma dieta perfeita.Tudo que tem que se fazer é encher seus bolsos com nuggets da Purina e comer um ou dois sempre que se tiver fome.

O alimento é nutricionalmente completo, funciona muito bem, iria eu tentar de novo.

Horrorizada ela me perguntou se eu havia parado na UTI em razão de envenenamento pela ração.

Disse-lhe que não, eu havia saído da calçada para cheirar o traseiro de um golden retriever e um carro me atingiu.

Pensei que o cara atrás dela ia sofrer um ataque cardíaco de tanto que ria."

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Um Quase Homônimo

Meu primeiro nome não é tão comum no Brasil.
Em Israel é comum, dada a origem bíblica do nome.
Assim achar outro Ely Barbosa é coisa de fato difícil por aqui.
Conheço o desenhista,um professor , um juiz e poucas outras ocorrências.
Por outro lado um amigo, Carlos, é homônimo perfeito de um fraudador condenado por ações contra o INSS.
Descobriu a infeliz coincidência, até o nome da mãe é igual, quando recebeu a visita de um oficial de justiça em ação de penhora de seu imóvel.
Até provar que focinho de porco não é tomada perdeu tempo e dinheiro.
Comigo não foi tão grave, acabou sendo surreal.
Toca meu telefone no trabalho e uma voz feminina me pergunta:
- O Sr Ely Barbosa por favor ?
- É ele !
- Bom dia Sr Ely, estou ligando do fórum da Barra para falar da sua ação de divórcio.
- Que divórcio minha senhora, até as 7:00 da manhã quando saí de casa ainda estava casado, isto é um trote?
- Trote não, estou falando da sua ação que está correndo aqui, o Sr tem que trazer alguns documentos como sua declaração de IR do ano passado.
- Minha senhora se isto não é um trote a Sra está falando com a pessoa errada. Para que número a Sra ligou ?
- Eu liguei para a telefonista daí que me passou seu número.
- Definitivamente algo está errado, na empresa só tem um Ely Barbosa, sou eu e não estou me divorciando.
Parecendo não acreditar ela ainda insiste:
- Qual é o número de seu CPF ?
- Minha senhora não costumo divulgar o número de meu CPF assim, se existe de fato uma ação, se a senhora de fato está no fórum da Barra, no texto da petição devem existir outros dados para confirmação. Tenha certeza de que não brinco com assuntos sérios e fosse eu de fato quem procura teria eu lhe confirmado.
Ela parou e pareceu refletir no que lhe disse. Depois continuou :
- O Sr parece estar certo, vou pegar a petição e volto a ligar.
Ela desligou e fiquei pasmo com o absurdo da situação.
Estava ainda pensando quando ela voltou a ligar .
- Sr Ely como prova de boa vontade qual é o primeiro nome de sua mãe e em que dia o Sr nasceu ?
- Aracy é o nome de minha mãe, nasci num dia 12.
- Ih, então acho que não é mesmo o Sr, mas que coincidência, o senhor não é Ely Barbosa Ferreira ?
- Não , sou Ely Barbosa, a senhora deve ter dito o nome todo a telefonista e assim ela transferiu a ligação não foi ?
- Foi mesmo, o senhor por acaso conhece ele então , trabalha na mesma empresa ?
- Senhora estou acessando a lista de funcionários , Ely e ainda por cima Ely Barbosa só eu .
- Desculpe então , muito obrigada .
Desligo e penso no diálogo absurdo que travei, como tinha que provar que não era outro.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Paixão de Futebol

Feriado, 15 de novembro, é também data de aniversário do Flamengo.

Lembrei da primeira vez em que fui a um jogo no Maracanã, e de como fui conquistado pela nação rubro-negra.

Lembro que era menino, havia chegado ao Rio alguns anos antes.

Meus primos, por parte de mãe, eram mais velhos e exemplo para mim.

Todos paulistas eram torcedores do Santos, o time de Pelé, o grande time do Brasil então.

Era estranho mas minha referência era esta, morando no Rio e simpatizando com o Santos pelo rádio.

O detalhe é que nunca havia visto um jogo do Santos ao vivo.

Minha irmã Jussara começou então a namorar Luís, um estudante de medicina.

Ele não se conformava em ao me perguntar sobre time de futebol e responder que era santista.

Começou então a me dizer que me levaria ao Maracanã em dia de jogo do Flamengo e que eu mudaria de opinião.

Pois este dia chegou e para o Maracanã fomos.

O jogo foi Flamengo e Vasco pelo campeonato carioca de 1968.

O Maracanã abarrotado de gente, mais de 150 mil pessoas, era uma festa só para o menino que a tudo olhava em volta.

Um mar de gente dos dois lados, bandeiras, cantos, tudo era muito bonito.

Não lembro do jogo preliminar mas, no principal, lembro de sentir uma tensão no ar e de como podia ouvir o som de milhares de rádios que os torcedores levavam.

Penso que como era importante a opinião do comentarista de arbitragem na época.

Não havia o conjunto de câmeras em campo como hoje e, mesmo assim, a opinião do Mário Vianna, com dois enes, era repetida como se verdade absoluta fosse.

Gol do Vasco, um balde de água fria caiu na torcida.

Estava torcendo timidamente, em apoio ao Luís, e senti o baque.

Alguns minutos depois acontece o inverso.

Como se fosse uma só voz começa a torcida do Flamengo a cantar e a empurrar o time.

Estou cantando, vibrando, o time parece correr mais, a acertar mais.

Gol do Flamengo, Adãozinho marcou,um urro de felicidade com enorme sensação de prazer acontece.

A arquibancada do Maracanã treme, balança, as pessoas estão em pé, vibrando.

Fico na ponta dos pés para ver o que acontece em campo .

É uma loucura coletiva, sinto que uma enorme energia está ali.

A bola é cruzada e Dionísio, o bode atômico, centroavante do Flamengo acerta a cabeçada em direção ao gol.

Andrada, goleiro do Vasco, ainda salta mas a bola bate na rede com força.

Um urro de prazer ainda maior acontece.

Perco-me em uma confusão de saltos, abraços .

Luís berrava e me abraçava , você é pé quente, você é pé quente .

Isto eu não sei até hoje, sei que naquele dia vivi o que seria o início de uma paixão.

Não foi o time, foi a torcida do Flamengo que me conquistou.

domingo, 13 de novembro de 2011

Dificuldade com Inglês

Ela é pessoa adorável, é por nós considerada como se filha fosse.

Têm ótima formação humana e social, está sempre antenada com o que acontece ao redor. É culta e inteligente.

De vez em quando abordamos temas em que temos posições distintas mas sempre travamos nossos debates com respeito.

Seu único problema é o não domínio de expressões em inglês, desta forma situações engraçadas acontecem sempre que viaja a lazer.

Como por exemplo jogando blackjack no cassino do cruzeiro que ia em direção a Barcelona.

Viu o namorado jogando, ouviu a expressão “one more “ (mais uma ) e, achando que fazia parte da dinâmica do jogo, repetiu a frase mesmo tendo recebido um ás e um valete fazendo 21, a pontuação máxima.

O riso do namorado e a expressão de espanto do crupiê, que se negou a dar mais uma carta, a fizeram ver a besteira.

Outra feita, novamente em um cassino, agora na República Dominicana, estava com sorte jogando blackjack.

A cada carta boa que recebia da mesa , um ás , uma dama , um valete , ouvia a expressão “nice” da crupiê .

Após algumas rodadas, vencendo, resolveu parar e para se despedir da mesa disparou para os presentes vários good nice.

O namorado não entendeu e já afastando-se da mesa perguntou o que havia dito .

- Disse good nice .

- Você queria dizer good night ? Good Nice não existe , seria algo como bom ótimo.

Vendo a bobagem dita ainda argumentou :

- Ora estou feliz, ganhei , eles entenderam a minha energia, meu desejo de sorte .

Não sei se ela estava brincando, estávamos recordando estas duas situações , quando em minha casa, assistindo a uma luta de UFC pela Tv, viu a comemoração de um lutador e sua felicidade , refletiu e disse :

- Para este cara hoje eu diria Happy Birthday .

Não houve jeito, começamos todos a rir .

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Descobrindo nível de serviço

Li no Blog do Mauro Ventura texto em que compara os itens de série de nossos carros com os de carros americanos, ingleses, etc.

Lembrei imediatamente da primeira vez que aluguei carro em viagem, isto em 1990, e da diferença dos níveis de serviço.

Tinha comigo o voucher de carro econômico, carro de câmbio manual , mas ao chegar a locadora para retirar o carro a atendente me informou , pedindo desculpas :

- Senhor, pedimos desculpas mas não temos no momento nenhum carro do modelo que o senhor reservou. Vamos lhe dar então um de modelo superior, sem nenhum custo extra , o senhor aceita ?

Na hora confesso que pensei que havia entendido errado, como é que é , vou levar um carro de modelo superior sem custo ?

Era isso mesmo e, para meu espanto, mais aconteceu com o casal que havia conhecido no vôo e que, por coincidência, haviam comprado o mesmo pacote de viagem.

Como eu estava retirando o último carro médio a eles era oferecido um SUV.

Fomos até o pátio retirar o carro , um modelo da Ford .

Recebi as chaves do atendente que logo me deu as costas.

E agora , como abrir a mala, o carro tinha uma série de botões e controles, como funcionavam ?

Chamei o atendente e pedi que me explicasse como tudo funcionava naquele carro.

Ele me olhou como se eu tivesse chegado de Marte.

Pacientemente me explicou, aqui você abre a mala , aqui funciona o piloto automático, aqui os controles de temperatura, aqui os controles de posição do banco, a posição de parking, sair, etc....

Fiquei contente como criança descobrindo as funcionalidades de brinquedo novo.

Não precisava trocar a marcha , era gostoso e fácil de dirigir , mas na primeira meia hora a perna esquerda buscava por reflexo a posição da alavanca de embreagem.

Encontramos o casal e pegamos a estrada saindo de Miami indo para Kissimmee.

Na estrada , perfeita em pavimentação, sinalizada , era só acionar o piloto automático e segurar a direção .

Mas o choque maior veio no dia seguinte.

Para aqueles que não viveram a Internet só iria surgir 5 anos depois.

Tinha passado por experiência ruim no mesmo mês, em que ao tentar embarcar em vôo de volta de Salvador para o Rio, minha passagem ,paga e confirmada pela agência , não aparecia na relação de embarque.

O funcionário da empresa aérea ainda teve a cara de pau de me dizer que eu não havia feito o percurso Rio-Salvador .

Só não explicava como eu tinha o canhoto do embarque no Rio e como havia eu me materializado em Salvador.

Recomendou que sempre confirmasse minha volta logo ao chegar.

Preocupado assim resolvi ligar para a empresa aérea para confirmar minha volta.

Tinha o telefone da companhia em Miami e liguei.

Número errado era a mensagem que vinha sempre.

Vi então no aparelho a instrução tecle 0 para ajuda.

Uma voz solícita me atendeu em segundos.

Expliquei o que acontecia e a voz gentil me explicou :

- Para ligar para este número em Miami o senhor precisa teclar o código de área, o senhor fez isso ?

Um completo imbecil assim me senti.

A voz então continuou :

- Para interurbano o senhor precisa colocar mais quatro moedas de 25 centavos, o senhor deseja que eu faça a ligação ?

Claro , por favor, assim respondi e coloquei as moedas.

Não mais que 10 segundos depois e a voz me retornou.

- Senhor quem está atendendo sua chamada é uma secretária eletrônica , pois como hoje é domingo não há expediente no local , o senhor deseja deixar um recado ?

Imbecil duas vezes, eu havia mesmo me superado.

- Não , é claro, hoje é domingo, não vou deixar recado.

- Coloque então por favor o fone no gancho, vou lhe devolver suas moedas , a AT&T agradece sua chamada.

Coloquei o fone no ganho e 4 moedas me foram devolvidas.

Estava eu de fato em lugar onde serviço era importante .

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O valor de uma idéia

Assisti recentemente a palestra com Steven Levitt , autor de Freaknomics, muito boa pelo conteúdo e pelas reflexões que provoca.

Interessante como reforça o valor que uma boa idéia pode trazer se estivermos com a mente e espíritos abertos para avaliar uma proposta nova, sem prévia avaliação de quem faz a proposta.

Lembro de casos assim fantásticos, de como Bill Gates comprou por 50.000 USD o MS-DOS , de como uma interface gráfica desenvolvida na Xerox trouxe inspiração para Steve Jobs na Apple e outros exemplos.

Permita-se a avaliar idéias e suas aplicações em seu dia a dia , pelo menos avalie , recomendou Steven Levitt que emendou contanto um caso fantástico.

Todos anos , assim como no Brasil , contribuintes prestam contas nos Eua ao IRS, a Receita Federal de lá .

Pois nos anos 80, um funcionário do IRS , vamos chamá-lo de Joe, ao ler declarações de contribuintes viu a menção a um dependente de nome Fluffy em uma declaração.

Fluffy , que raio de nome é esse , quem daria o nome Fluffy a um filho pensou Joe.

Resolveu Joe procurar seu chefe com a seguinte idéia , no próximo ano vamos pedir mais dados sobre os dependentes aos contribuintes, alguma coisa errada deve estar acontecendo .

O chefe de Joe disse-lhe que não , para que esta mudança, as coisas estavam bem , não havia porque mudar.

Joe voltou a seu posto mas a inquietação permaneceu.

Anos depois , já com nova chefia , Joe volta a carga com sua idéia .

Ok , vamos mudar no próximo ano, vamos pedir mais dados.

No ano em que a mudança entra em vigor acontece fato histórico que, se levado para os dados estatísticos de saúde, significariam a maior mortalidade infantil da história nos Eua.

Milhões de dependentes desapareceram das declarações de imposto de renda.

A idéia de Joe, de simples implementação, significou bilhões de dólares de imposto a arrecadar.

Para Steven Levitt o mais triste foi saber por seu pai que naquele ano ele havia perdido um irmão e uma irmã .

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Desgraça Alheia - II

Quem enviou esta foi novamente o Jackson, pai da Camila.Desconheço o autor original.

"Na semana passada estava entrando num banco para ver se tinha restado algum trocado, até o dia da "viúva" (INSS) fazer o depósito, foi quando uma linda garota de menos de quarenta anos, minissaia, para mim é garota, entrou na fila dos caixas. Imediatamente sai da fila dos idosos e também entrei na mesma fila.

Em pouco tempo ela olhou para trás e sorrindo e disse:
- Porque o senhor não utiliza a fila dos idosos?
Você sabe o que eu pensei na hora não é?

Porém, mantive a calma e usei toda minha experiência.

Puxei papo e resolvi inventar, para impressionar.

Falei das minhas "experiências como comandante de navio de cruzeiro" .

Havia lido na semana passada um livro sobre um comandante de navio de turismo.Sabia tudo a respeito.

- Uau! o senhor foi comandante de transatlântico?
- Só por vinte e dois anos.

Assim respondi expressando uma certa indiferença pelos anos de trabalho, mas sentindo que tinha capturado a presa, era só preparar.

- Nossa! Com essa sua pinta o senhor deveria, certamente, agradar muito o público feminino, nas noites de jantar com o comandante.
Boquiaberto só pude responder:

- Hã?

Estava distraído,de olho fixo no decote da jovem que exibia, exuberantemente, seus lindos seios.

Ela me pegou no flagra.

Eu fiquei sem graça e ela não fez por menos :
- O senhor ficou vermelho! Ficou até mais bonito. Aliás, o senhor deveria fazer um teste na televisão.
Eu estava perplexo e apavorado, depois dos sessenta, isto acontece uma só vez antes da morte.

Aquele avião pronto para decolar e eu sem condições nem mesmo de efetuar o chek in.

Sim, não sabia ao certo quanto teria na conta corrente...

Quanto estaria custando um Viagra? ....

Onde poderia arrumar duzentão, até o dia do depósito da "viúva"?...

Quanto estariam cobrando um apê no motel?

Será que se chamar um táxi pega bem?

Comecei a suar frio.

- Eu, artista de televisão?

- Sim! o senhor lembra aquele famoso galã dos anos cinquenta, que minha avó me mostrou na revista "Rainha do Rádio". Ela tem verdadeira paixão por essas revistas.

Adorava Marlene, Emilinha Borba...

Deus nos livre de alguém mexer nas suas revistas.

Ela guarda a sete chaves, com o maior carinho...

O senhor é saudosista também?

- Sim, eu sou! Mas, você tá me gozando. Galã dos anos cinquenta?
- Verdade, não me lembro bem o nome, só sei que ele fazia filmes para o cinema, era muito famoso.

Mário, Má ..., não era.

Era alguma coisa como...

Ah sim, tinha dois zes no nome.
- Mário Gomezz (Apelei)?
- Não, não era este o nome.
Ahhh lembrei... Mazzaropi?

Isto, Mazzaropi!

Mazzaropi era um galã, não era?

Amigo, nesta hora minha auto-estima fez um buraco no chão e foi parar na terra do sol nascente.

Pô, quando ela disse que eu parecia galã dos anos cinquenta, pensei num Paulo Gracindo, Paulo Autran, ou algum Antonio Fagundes da vida.

Mas, Mazzaropi? ...

PQP foi demais.

Mas, até aí tudo bem, para pegar aquele avião eu ia de Mazzaropi mesmo..

O meu fabuloso e sonhado programa da tarde só veio a acabar, quando ela, sem querer, derrubou um livro que tinha na mão.

Eu, como um verdadeiro cavalheiro, inventei de abaixar para apanhá-lo.

Só que esqueci as recomendações do meu ortopedista sobre minhas artroses e artrites, que quando eu me abaixasse, o fizesse de uma forma bem vagarosa.

Enquanto o livro descia, eu mais que depressa, inventei de pegá-lo na altura dos joelhos da jovem.
Só escutei a frase dela:

- Uau, mas que reflexo, você parece um garotão!

Ouvi esta frase, e mais dois sons.

Um som abafado da região da minha coluna que travou no ato, e o som estridente de um prolongado peido que alem de sinalizar a frouxidão do rabo lembrou-me da intensa dor na coluna.

E quem disse que eu conseguia endireitar o corpo, nem chamando o Carvalhão.
Arcado, tentava me endireitar e peidava mais. Tentava, e novamente peidava.

Imagina a situação ?

A jovem vendo que a situação não reverteria, tirou os dois dedos que apertavam suas narinas, apanhou o celular e discou para o SAMU.

Fim de um provável romance...

Você está rindo ?

Não adianta, você vai envelhecer também !

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Casos de Varejo - II

Dia chuvoso, estou em casa de folga pelo dia do comerciário.

A maior parte de minha carreira profissional se deu em empresas de varejo, em todas é possível a lembrança de casos e situações interessantes.

Lembro particularmente da rede de restaurantes e da loja de departamentos.

Na primeira, narrei em outro post, fui encaminhado para três semanas de treinamento e operação de uma loja antes de assumir meu cargo.

Gostei demais da experiência.

Na última semana, em loja que operava um drive-thru, fui reconhecido por um fornecedor.

Ao me ver na última cabine, a que monta e entrega os pedidos, posição que mais gostava pois velocidade e precisão são importantes, me abordou com cara de espanto :

- Ely, não sabia que você havia saído de lá , estão fazendo cortes ? Me manda seu curriculum , vou te ajudar .

Não quis explicar, agradeci e o despachei.

Ainda na última cabine recebi outra vez pelo interfone o pedido de um hambúrguer cheddar sem carne .

Achei que estava errado e pedi para repetir o pedido.

Isto mesmo o sanduíche era sem carne.

Quando retirou o pedido a cliente me disse :

- Vi que você pediu a confirmação, sou vegetariana, gosto mesmo é do molho.

- Que bom Sra, obrigado por seu pedido !

Mas é da loja de departamentos, por talvez lá ter trabalhado mais de 10 anos, que surgem mais lembranças de situações.

Na semana do Natal a sede enviava funcionários, que assim desejassem, para trabalhar em lojas.

Sempre gostei desta experiência, podia assim ver pontos de melhoria em sistemas, e assim ia.

Estava na loja de Laranjeiras, em ilha de brinquedos eletrônicos, quando um rapaz que mancava me pediu um pacote de pilhas Duracell.

O atendi e passei para outro cliente.

Dois minutos depois a caixa da ilha me pediu para aprovar um cheque.

Era do rapaz e ao confrontar o cheque contra o valor do cupom fiscal vi que neste não aparecia o pacote de pilhas.

Achei estranho, não tinha percebido a devolução.

Autorizei a venda e quando o rapaz se afastou mancando, chamei um segurança e pedi que observasse o rapaz na loja.

Meia hora depois me volta o segurança com o pacote de pilhas na mão e diz :

- Você achou que ele era deficiente físico, não achou ?

- Achei sim, o que houve, onde estava o pacote de pilhas ?

- Em uma sacola amarrada na perna, por dentro das calças, por isso ele fingia que mancava .

Foi esconder um desodorante na sacola, ela soltou e caiu tudo pela perna.

Viu que eu estava perto, largou tudo e saiu correndo.

Quem o tivesse visto antes mancando ia pensar que era milagre.

Rindo coloquei o pacote de volta na ilha e atendi o próximo cliente.

sábado, 15 de outubro de 2011

Telemarketing

Fui convidado e participei de evento de encontro de usuários, de importante fornecedor de soluções de hardware e software, em San Diego, no mês de outubro.

Durante o evento busquei assistir ao máximo de apresentações de casos de negócio que tratassem de segmentação de clientes, seu atendimento personalizado , além de casos de logística.

Durante uma das apresentações, de grande banco de varejo canadense, me chamou atenção os dados que exibiram.

Com programa e conjunto de ações diretamente voltadas para seus clientes conseguiram aumento efetivo de negócios .

O segredo é manter contato sempre, não somente para oferecer cartão de crédito, ou qualquer outra campanha interna.

Estabeleceram relacionamento mesmo, parceria.

Os contatos são feitos em aniversários, indagam como andam os filhos, pelo nome , falam de universidades, compra de imóveis e carros , investimentos , etc.

Lembrei imediatamente de como “sofremos “ no Brasil, com as várias chamadas de bancos com quem não temos relacionamento, e da insistência das ofertas pelas centrais de atendimento.

Meu filho Diogo, a cada 3 meses, recebe a mesma oferta de um banco, onde não tem conta, de um cartão de crédito com saldo para gastar, sem cobrança, no valor de R$ 200,00.

O que ele faz ?

Aceita, leva a namorada ao teatro e vai a um restaurante para jantar.

Depois disso cancela o cartão.

Não aprendem , três meses depois nova oferta é feita.

Nina , uma vendedora de comésticos que atende minha mulher, contou certa vez como se livrou destas chamadas .

Todo mês recebia uma oferta de um cartão de crédito de um banco.

Todo mês respondia que não tinha interesse.

Teve um dia a idéia que a salvou destes contatos .

Após atender a ligação e, ao ver que se tratava da oferta do cartão, sem se identificar, disse para a operadora :

- Por favor , não liguem mais , toda vez que vocês ligam a família fica muito triste, deprimida .

- Porque a família fica triste minha senhora ?

- Porque a Nina morreu ....