Casos e histórias

domingo, 17 de janeiro de 2010

Velório em Bela Vista

Meu pai estava em casa quando os filhos do Sr G. o encontraram.

O velho senhor havia falecido de tarde, na sesta depois do almoço,sendo encontrado morto na cama pela esposa que foi o acordar para o café da tarde.

Tinha mais de 90 anos, como se diz hoje já estava fazendo hora extra.

A preocupação dos filhos era agora com a mãe.

A certeza que tinham é que a velha senhora iria passar mal durante o velório.

Em Bela Vista os velórios aconteciam em casa, o defunto posto na sala, com as portas abertas para receber os que vinham dar os pêsames.

O velório deveria durar pelo menos a noite toda, como mandavam os costumes locais.

Eram clientes antigos de meu pai e lá se foi ele para o velório.

Chegando na casa, a filha mais velha o levou até a mãe.

- Veja doutor, ela está assim quieta desde que o encontrou. Só pede água e fumo para mascar. Não fala nada , nada. Foram mais de 50 anos de casamento, ela não vai agüentar a emoção doutor , o que o senhor acha ?

Sentada em uma poltrona, de visão central para tudo o que ocorria na sala, a idosa apoiando uma das mãos em uma bengala apenas olhava e, de vez em quando, cuspia o fumo que mascava em uma escarradeira.

Meu pai aproximou-se , cumprimentou a senhora .

Recebeu como resposta um sorriso.

Parou e verificou a pressão arterial da paciente .

Estava 11 x 7, pressão arterial de adolescente.

A filha voltou e pediu a meu pai para ficar e acompanhar o velório.

Podia não ter sido agora, mas com certeza a mãe não iria agüentar, foram mais de 50 anos de casamento.

Assim meu pai ficou no velório durante toda a noite e madrugada adentro.

Sentada estava a senhora e sentada ficou a noite toda.

A pressão sempre a mesma , 11 x 7.

Manhã já alta , o caixão começa a ser preparado para ser levado até o cemitério.

A velha senhora então se levanta e caminha em direção ao falecido, no meio da sala.

O grito de Doutor acuda , é agora , coloca meu pai em estado de alerta total.

A casa parou em silêncio para ouvir a fala, com toda certeza emocionada, daquela que fora casada mais de 50 anos com o agora defunto.

Chegando próxima ao falecido a velha senhora disse :

- É G., foram mais de 50 anos de casados. Que a terra lhe seja pesada, foram mais de 50 anos de sofrimento, de vergonheira com mulheres, de lhe aturar cheio de cachaça , que o inferno esteja muito quente lhe aguardando seu desgraçado, finalmente vou ter paz .....

Evitando Shoppings

Esta quem me mandou também foi o Jackson.

Como fazer com que sua esposa, noiva ou namorada nunca mais o chame para fazer compras em grandes lojas de departamento, shoppings ou supermercados .

1 – Retire caixas de preservativos das gôndolas de farmácias e coloque nas cestas de outros clientes,notadamente aqueles com mais de 60 anos que estiverem acompanhados ;

2 – Pare na seção de relógios, peça para ver alguns e sem que o vendedor perceba acione o alarme de todos para disparar ao mesmo tempo em meia hora;

3- Quando o primeiro vendedor se aproximar e lhe perguntar se pode ajudar diga que sim, comece a contar que sua infância foi traumática , que até hoje carrega instintos assassinos e que já foi diagnosticado como esquizofrênico , estando livre da cadeia após 3 assassinatos de vendedores que não quiseram lhe ouvir , por conta da doença.

4- Esconda-se atrás de uma arara de roupas e quando alguém se aproximar apareça e grite : Achou , você me achou !

Se nada disto funcionar , a última é definitiva .

Vá até um provador de roupas quando a loja estiver bem cheia .

Abra a porta e grite :

- Ei gente , aqui não tem mais papel higiênico !!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Casos de Varejo


Trabalho há algum tempo no grande varejo, 22 anos para ser exato.
Neste período alguns casos vivi e já contei aqui mesmo no Blog.
Hoje, em reunião com T., gerente da área de vendas ouvi dois ao final da reunião.
Seu primeiro emprego há quase 30 anos foi em Casas Pernambucanas, na época a empresa com o maior número de lojas no país.
Dizia-se que toda cidade do país tinha uma praça central, uma igreja e com certeza uma loja de Casas Pernambucanas.
Foi em razão deste grande número de lojas que o CNPJ, antigo CGC, ganhou mais um dígito após a barra .
Pois quando perto de inaugurar uma de suas lojas, pelo interior do país, sem Outdoors para expor cartazes, ou mesmo local para afixar avisos da inauguração, a equipe das lojas saía pintando cercas de fazendas, porteiras , com a mensagem "Em breve, no centro de XXXX , nova loja de Casas Pernambucanas " .
Assim foi até o dia em que a porta de uma das lojas a inaugurar apareceu com a pintura " Aqui não é a Fazenda Nova Esperança ".
Outra feita, para anunciar a mudança dos equipamentos de exposição de roupas, araras, a gerência da matriz mandou curto memorando para as lojas.
"Novas araras estão sendo encaminhadas para cada loja. Vamos arrumar a exposição de itens e cuidar bem ".
Duas semanas depois chega um aviso de uma loja no interior de Minas.
"Prezados Senhores , nos preparamos para a chegada das araras. Temos milho em abundância , mas elas não chegaram . Chegaram uns ferros esquisitos que achamos que vão servir de poleiro .... ".

sábado, 5 de dezembro de 2009

Frases

Estou voltando para a casa, na sexta-feira , quando a chuva me pega no caminho e o trânsito pára.
A Av Brasil está entupida de caminhões, e o que está parado a minha frente me chama a atenção pela frase no pára-choque .
"Se não gosta do jeito que dirijo, saia da calçada " dizia.
Achei engraçado e começo a procurar outras .
Reparo que algumas são antigas como "Sorte tinha Adão porque não tinha sogra ".
Avanço em 1a marcha , paro e lá está mais uma :
"Quem gosta de mulher feia é salão de beleza ", quase poética, se dita por Vinicius viraria verdade absoluta.
Mas a que para mim é a verdade acima de todas está escrita no vidro traseiro de uma Van.
"Ela me disse ou eu ou o Flamengo, de vez em quando sinto saudade dela ".

sábado, 21 de novembro de 2009

Personagens do trabalho

Passamos 2/3 do ano trabalhando.
Todo escritório de qualquer empresa reúne tipos diferentes que dariam material para muito texto teatral ou filmes.
Pois Eliane Barboza , a quem chamava de "minha prima " um dia fez um comentário retratando 3 colegas da equipe da área de Tecnologia da Loja de Departamentos.
Ela os chamou de os 3 velhinhos de TI.
Para ilustrar o comportamento diferente de cada um disse que deveríamos imaginar uma usuária bonita chegando na área de Ti pedindo ajuda .
C.G. o velhinho em explosão hormonal diria :
- Nossa , que avião !
L.A. , o velho rabugento , a perceber a usuária diria :
- Deve ser sebosa , metida para caramba !
Por último , M., o velhinho sempre distraído :
- O que foi , o que aconteceu ?


Provocando Carminha

Fui encontrar na quarta-feira um grupo de amigos de 20 anos, amizade feita durante o período em que trabalhamos juntos.
Estamos todos espalhados por diversas empresas no Rio mas continuamos a nos ver, a sempre recordar as mesmas estórias, a falar dos filhos, a jogar conversa fora de forma livre e sem compromisso.
Um de nossos elos é Carminha.
Eu , Alex V e Lula ( o do bem ) sempre a provocamos, lembrando de seu papel de organizadora de bate-papo.
Cabe a ela enviar os e-mails de "convocação" para nossos encontros etílicos culturais.
Não há quem negue um pedido de Carminha.
Porém, quando provocada, as vezes reage batendo com a bolsa ou com pequenos socos nos nossos braços.
Pois uma vez apareceu uma figura realmente diferente em um projeto na loja de departamentos.
Cabeleira e barba enorme, usando coturnos e casaco de soldado, me lembrava muito os malucos que vemos nos filmes americanos.
Tinha boa expressão em seu discurso.
Fora contratado para montar estrutura de ajuda on line no software de automação de lojas.
Carminha foi a administradora de dados alocada ao projeto, encarregada de validar a correta modelagem de informações.
O sujeito no caso gostava de conversar, dizia que para ele quem soube viver neste mundo foram os romanos, com seus festivais de comida , bebida e adoração a Baco.
No projeto a loja piloto era a localizada no Barra Shopping o que, sem as facilidades de conexão hoje existentes, nos obrigava a deslocamentos para atualização no local.
Carminha e o sujeito foram para a loja numa manhã, para acompanhar a instalação da primeira versão.
Eu estava na sede, no centro da cidade, quando Carminha me ligou.
Era necessária uma mudança, pedia-me se não poderia ir até a loja após efetuar uma mudança na base de dados, levando uma fita com a atualização.
Disse-lhe que não havia problema, marcamos de nos encontrar na loja por volta de 13 horas.
Dava tempo para ela ir almoçar enquanto eu me dirigiria para a Barra.
As 13 e 15 cheguei e nada de encontrar Carminha.
Comecei a fazer o backup para depois baixar a atualização.
Passavam das duas horas quando Carminha e o sujeito apareceram.
Disse-me que havia demorado porque o sujeito só sentou para almoçar após várias tentativas em vários restaurantes.
Em um o molho descrito no menu não era o correto, em outro as toalhas de mesa eram de papel , em um terceiro não havia a marca de água mineral que ele gostava e assim por diante.
Escutei quieto e resolvi provocar o espírito dela lembrando da adoração por Baco manifestada antes pelo consultor.
- É Carminha , os motéis da Barra não tem mesmo boa opção para almoço.
Disse isto já me levantando pois depois do grito de "Ely " a bolsa passou a dois dedos da orelha .





sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Situação negra

Trabalhei com R. em duas empresas de varejo no Rio.
É profissional dedicado a sua atividade, com respeito conquistado por seus resultados.
Soube que estava de mudança para São Paulo e lhe mandei e-mail perguntando como estavam as coisas.
A resposta pode ser vista mais abaixo.

"
Meu amigo a situação está ruim.

Continuo sem pegar ninguém,com mudança no trabalho e meu time indo para a 2a divisão.

O OBINA vira artilheiro e eu só me f.

No final de semana fui com minha família para um hotel em Itaipava.
Chegando lá soube que a família do PET ,jogador do Flamengo, lá estava.
Ele chegou depois do jogo de sábado.
Resultado passei um final de semana escutando os gritos de MENGO e PET sem parar.

Pensei comigo mesmo , para ficar pior só falta o presidente da empresa aparecer por aqui também.
Foi pensar isso e um comercial da empresa apareceu na televisão.
Interpretei como um sinal divino, resposta imediata a meu pensamento, fiz as malas e viemos embora logo .

A situação está negra .

"

sábado, 31 de outubro de 2009

Indicação de fantasia

D. havia acabado de ser admitida como administradora de dados, na equipe de administração e suporte de banco de dados da loja de departamentos.
Falante ao extremo, compartilhava o espaço em uma baia divida com mais 3 pessoas.
A sua frente E. estava tentando descobrir a causa de um problema, que afetava a performance de um aplicativo importante da rotina das lojas, há mais de duas horas, e buscava concentração.
Nesta ocasião D. começou a falar da enorme preocupação que a afligia.
Havia sido convidada para uma festa de Dia das Bruxas e não sabia que roupa usaria.
Feiticeira, não podia, seria muito óbvia.
Fada , não seria uma má idéia, mas achava muito infantil.
Os questionamentos e opções se prolongavam, durando bom tempo.
Cansado de tanto ouvir as preocupações da colega E. deu a sugestão definitiva :
- É só passar na sua casa e pegar a vassoura,vai assim mesmo!
Se alguém pudesse ser morto por olhares de fúria naquele dia ele estaria truicidado.

Apelido francês

Esta quem me mandou foi o Jackson , pai da Camila.
DIRRAN era jogador do Clube Atlético Potengi , da segunda divisão do Rio Grande do Norte.
Tinhas as feições e porte do que no Nordeste chamam de galego, forte , de pernas curtas.
Há alguns anos quando o Clube Atlético Potengi ainda jogava no Machadão, em Natal, contra o Potyguar de Currais Novos , Dirran se destacava lançando , dando dribles desmoralizantes e fazendo gol.
Presente ao jogo,o narrador da Rádio Poti não cansava de gritar:
-Dirran é um craque, Dirran é uma revelação do futebol norte-riograndense.
E era Dirran prá cá, Dirran pra lá ...
Ao final do jogo o Atlético Potengi perdeu por 3 a 1 mas o destaque da partida foi Dirran.
Vendo aquele sucesso todo do jogador atleticano, o repórter de campo da Rádio Poti correu para entrevistar o craque na beira do gramado e disparou a pergunta :
- Você tem parentes na França , seus pais ou avós são franceses, parlez vous français ?
Olhando muito espantando para o repórter o craque respondeu:
- Não sinhô , meu apelido é Cu de Rã , mas como num pode falar na rádio eles abreveia ......

domingo, 11 de outubro de 2009

Sem resposta

Fui ao teatro ver Elizabeh Savalla em "Friziléia , uma mulher a beira de uma ataque de nervos ". Curioso que interpretando uma dona de casa que questiona a vida que está levando, o que podia ter feito, o amargo de sua rotina, em atuação muito boa, toda hora me lembrava seu papel como a Malvina, a jovem feminista da novela baseada em obra de Jorge Amado, em personagem totalmente diferente. Uma grande atriz estava em cena.
Durante a peça contou que, durante apresentação em Manaus, fez uma pergunta a um rapaz na platéia e não teve resposta. Insistiu , como não podia responder, queria sim ou não como resposta.Ele não fala português, é holandês, respondeu a moça que estava ao lado.
Minha lembrança na hora foi outra.
Estava fazendo a apresentação, aula inaugural, do MBA de gestão de TI.
Sala cheia, escolhi 2 pontos na sala em lados opostos, para onde dirigia meus comentários, alternando ora falando para um, ora para outro.
Um dos pontos era um rapaz que me ouvia com vívido interesse, vez por outra acenando com a cabeça em sinal de aprovação a uma ponderação no raciocínio que desenvolvia em sala.
Pois para este rapaz dirigi a pergunta :
- Na sua opinião qual o papel hoje do profissional de TI nas empresas?
Não me respondeu . Ao invés de perguntar a outra pessoa insisti :
- Não há julgamento aqui , o que você acha , fale !
A menina que estava sentada ao lado dele impediu que eu fizesse nova pergunta .
- Professor, ele é mudo .
Disse Ok e segui em frente.

sábado, 3 de outubro de 2009

E além disso tudo

Esta não é uma estória engraçada . Mas sim uma estória de paixão por minha cidade. Tive a sorte de, na carreira profissional, ter visitado e conhecido diversas cidades , capitais importantes ao redor do mundo.
Não conheci nenhuma mais bela que o Rio. Mais limpas, sim, mais organizadas, sim, várias são. Nenhuma delas entretanto com o conjunto de obras esculpidas pela natureza, com as pessoas risonhas que aqui existem.
Pois com tudo isso agora é sede da 31a Olimpíada . Peço desculpas a quem aqui não vive, mas aqui de fato é diferente.

sábado, 19 de setembro de 2009

Falando novamente de nomes

Volta e meia surgem e-mails com relação de nomes curiosos. Para quem trabalha em grandes empresas com milhares de funcionários é fácil achar nomes curiosos, e os apelidos que surgem para resolver como chamar a pessoa.
Assim a Gilcicleide vira Gil , o Florisvaldo vira gaúcho e por aí vai.
Estava em Salvador, em loja da empresa situada no Pelourinho, para conduzir processo de homologação e certificação de software de automação de lojas, cumprindo norma estabelecida pela Secretaria de Fazenda do Estado.
Havia agendado a homologação com a fundação universitária encarregada pela Secretaria , que confirmou o envio de um consultor na data e hora agendadas.
Assim estava na loja , na porta , quando o consultor chegou :
- Bom dia , sou o consultor Júnior , estou procurando o Sr Ely Barbosa .
- Bom dia , sou eu , o estava aguardando. Seu nome é ?
- Júnior .
Na hora ainda pensei que podia ser Senior mas guardei a brincadeira .
Durante o processo de homologação esbarramos em um ponto.
O roteiro que o consultor seguia marcava uma determinada tarefa como obrigatória, ao passo que a portaria editada pela Secretaria de Fazenda a destacava como facultativa , podendo o varejista não a atender desde que se enquadrasse em determinada condição, caso da empresa onde trabalhava.
Para tirar a dúvida o consultor propôs que telefonasse para seu coordenador, professor da fundação que havia preparado o roteiro.
Fique a vontade, disse-lhe.
Retornou em seguida, o professor estava em horário de almoço, sugeriu que também parássemos a atividade de homologação até que o professor retornasse a ligação feita.
Assim fizemos e passados alguns minutos de nossa volta a recepcionista da loja me avisou que uma pessoa me procurava ao telefone .
- Alô , Boa tarde, é Ely Barbosa....
- Boa tarde , quem fala é o Professor Castanheira , o consultor Astroverando Quilomba está com o Sr ?
- Perdoe-me , Quem ?
- O Consultor da Fundação , Astroverando .....
- Peço novamente desculpas mas quem está aqui se apresentou como Júnior .
- É ele mesmo , o senhor podia chamá-lo por favor , vou instruí-lo sobre o roteiro de homologação .
Entendi de imediato porque o rapaz havia se apresentado como Júnior.
Fiquei calado e fui chamá-lo .
A homologação correu muito bem até o fim .

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Estudando música

Tive a sorte de ganhar um vizinho que estuda música . No presente caso estuda bateria.
Assim em alguns finais de semana temos a sorte de ouvi-lo repetindo inúmeras vezes um mesmo trecho, uma mesma sequencia de passos.
Estudar música exige isso , por repetição exaustiva se aprende , se afina o toque.
Conversei uma vez em sala de embarque de Congonhas com um concertista de piano.
Disse-me que estudava pelo menos 4 horas diárias, a repetir incansavemente um mesmo trecho de uma obra clássica.
Nada mais chato para quem escuta é isto , ele mesmo reconhecia.
Pois ontem F. me contou a estória de como resolveu parar de aprender a tocar guitarra.
Entrou em seu quarto para estudar e deixou o gato da casa entrar.
Fechou a porta , a janela , abriu o guarda-roupa para ajudar a absorver o som , e começou a repetir os acordes iniciais de Smoke on Water .
O gato , sentado próximo , tudo assistia.
Depois de 1 hora e meia repetindo sempre a mesma sequencia inicial , o quarto todo fechado , sentindo calor e o ar viciado , resolveu abrir a janela .
Pois deu-se aí a tragédia.
Enxergando um espaço para fuga o gato saltou pela janela.
Suicidou-se , não aguentou mais.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Tradução automática

Estava em Israel quando meu chefe direto me disse para, na volta, passar pelo menos um dia em Frankfurt e conversar com o chefe do escritório Europa sobre problemas na gestão de estoque.

Naquela semana a auditoria ,enviada da matriz no Brasil ,estava realizando trabalho de apuração de diferenças no estoque, podia assim reunir as pessoas e analisar como poderíamos melhorar os processos vigentes.

Cheguei em Frankfurt no final da tarde , por volta das 18 horas , e sabedor que no escritório na Alemanha ,ninguém ficava depois do horário ,fui direto para o hotel onde normalmente os funcionários da matriz se hospedavam.

Na recepção confirmei , o gerente e um auditor , Vila e Kalil, lá estavam e dividiam um mesmo apartamento.

No meu apartamento telefonei para o apartamento deles.

Quando Kalil atendeu resolvi falar “alemão “ com ele :

- Gutten Tag , Libfraumilch verbotten achtung , wie get ess innen ….

Não entendendo patavina do meu alemão Kalil respondeu em inglês :

- Senhor , não falo alemão , deve ser engano , o senhor fala inglês ?

Quase rindo continuei no meu dialeto particular :

- Nein english das not apartment 201 ?

Entendendo o número do apartamento , falei em inglês , Kalil continuou :

- È sim o apartamento 201 mas não falo alemão o que o senhor quer ?

- Yahul , das fraulein Her professor gotten Hans ?

- Senhor , não estou entendendo nada , vou desligar , respondeu Kalil.

Em inglês , forçando sotaque “alemão “ disse a Kalil :

- Aperte a tecla número 3 esta conversação será traduzida para seu idioma natal .

Quando ouvi o som da tecla , falei em português :

-É da apartamenta numero 201 ? A Professor Hans está ?

Em português agora Kalil me respondeu , dava para sentir o alívio do outro lado da linha :

- Eu disse ao Senhor , é engano , não é o apartamento que o Senhor procura .

Não resisti mais e entreguei logo :

- Ô kalil , tu é trouxa ? Você já viu sistema de tradução que adivinha o idioma da pessoa ?

Vem para Frankfurt para pagar um mico desse ?

- Quem ta falando ?

-- Sou eu Kalil , Ely , essa eu vou contar para todo mundo e ria muito .

- Só podia ser você para eu cair numa dessas , admitiu já de bom humor .

- Beleza , chama o Vila e vamos jantar.

Quando cheguei ao Rio , cumpri o prometido , a estória se espalhou.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Patrício em vôo e a Federal

Quem me contou esta foi P. , amigo e vizinho de muito tempo.
P. foi delegado corregedor da Polícia Federal no Rio e de vez em quando íamos juntos no mesmo horário , pela manhã, ele indo para a sede da PF e eu para a sede da loja de departamentos , contava-me casos ocorridos.
Pois num vôo da Air France , de Paris para o Rio , um passageiro português chamou uma das comissárias , interessado em comprar um dos itens vendidos a bordo .
Pediu um item de valor de cerca de 30 USD e pagou com uma nota de cem USD.
Recebeu o troco e guardou em sua carteira.
Passado um tempo chamou novamente a comissária e pediu outro item , novamente de valor em torno de 30 USD.
Pagou novamente com uma nota de cem USD.
A comissária lhe perguntou se não podia pagar com nota menor , havia recebido há pouco troco em transação semelhante.
Não , disse-lhe o passageiro , queria troco.
Ao guardar a nova nota recebida , próxima a anterior , notou a comissária fato curioso.
As duas notas de 100 USD tinham a mesma numeração .
A comissária foi até a cabine e avisou o comandante sobre o que ocorria.
Já sobre o Atlântico , em contato com o controle aéreo brasileiro , pediu o comandante a presença da polícia brasileira assim que o avião pousasse no Galeão.
Mais duas vezes o passageiro comprou itens , mais duas notas de mesma numeração surgiram.
Ao chegar foi o passageiro recepcionado por agentes da Federal e conduzido a delegacia do Aeroporto.
Quase 4.000 em notas de 100 de mesma numeração foram com ele encontradas.
Em seu depoimento acusou o passageiro de que a quantia apresentada não era dele , havia sido trocada pelos agentes que o detiveram.
P. então foi chamado para apurar a acusação .
Quando indagou o passageiro do porque da acusação ouviu :
- Doitoire , meu dinheiro era bom , tão bom que comprei 4 vezes no avião !