segunda-feira, 20 de junho de 2011

Maldade de Escritório - II

Não sei bem como o assunto começou mas já depois do expediente, as pessoas se preparando para sair, alguém comentou sobre apelidos no trabalho e as "maldades" que as vezes se fazem em escritórios.
Lembrei de algumas situações vividas na Loja de Departamentos.
Logo no início dos anos 90 havia uma clara divisão de papéis na área de desenvolvimento de sistemas .
Analistas de Sistemas trabalhavam em coordenações ligadas as áreas de atuação da empresa como comercial, financeira, administrativa, automação de lojas e um grande grupo de programadores, que a todas as áreas atendiam, em uma única coordenação.
Esta coordenação recebia as demandas das áreas de sistemas e alocava os programadores que recebiam estas definições.
Foi nesta área que encontrei algumas das cabeças mais brilhantes para preparação de algoritmos e também algumas das cabeças mais inventivas para aprontar alguma com qualquer colega.
Eram sempre os mesmos "canalhas " como Ronaldo, Pedro, João, Pimentel e mais outros que sempre aprontavam.
Como o que faziam com Gilberto apelidado de "Muminha ".
Era a mulher de Gilberto ligar o procurando que provocavam só para ter a reação da mulher dele :
- Muminha , ô Muminha , telefone para você !
- Gilberto , o nome dele é Gilberto , pelo amor de Deus !
A chegada de Florisvaldo, que pediu para ser chamado de Gaúcho, metido a lutador,só atiçou mais ainda a sanha.
Era só o Gaúcho voltar do refeitório e tirar uma soneca que o telefone em sua mesa tocava .
- Alô , o Flor por favor ?
- Gaúcho , meu nome é Gaúcho , seu desgraçado ...
As vezes fazíamos reserva da quadra no clube próximo para peladas de futebol de salão ou vôlei na hora do almoço.
Depois de algumas vezes chamou a atenção o fato de que Gaúcho nunca ficava até o final e,quando chegávamos no vestiário, já estava de banho tomado e roupa trocada.
Logo surgiu o boato de que isto se devia ao fato de ter Gaúcho uma rosa tatuada na bunda que assim não gostaria que alguém visse.
Pimentel um dia não jogou, foi até ao vestiário na hora em que Gaúcho estava no box fechado, e escondeu toda a roupa dele.
Ele não saiu do box , ficou gritando "Pimentel eu vou te matar , devolve minha roupa .. " mas só procurou a roupa depois que todos tinham ido embora.
Mas o pior ainda estava por acontecer.
Tinha Gaúcho uma agenda de mesa onde anotava o que iria fazer no dia seguinte.
Coisas simples como 9:00 - Beber água , 12:00 - Almoço , eram escritas.
As pessoas comentavam com ele que para estas coisas não precisava de agenda.
Pois um dia ao sair esqueceu sobre a mesa a preciosa agenda.
Foi o que bastou para que um "canalha ", até hoje não identificado, não sei mesmo quem foi, pegasse sua agenda e escrevesse em todos os dias, até o último dia do ano, o seguinte compromisso :
- 18:00 - Vou dar o C.
No dia seguinte os gritos de fúria de Gaúcho tornaram público o acontecido.





sexta-feira, 17 de junho de 2011

Falando com a Segurança

Toda empresa tem quadro próprio ou terceirizado de segurança patrimonial. Mal da vida moderna as vezes o encontro com estes profissionais produz situações de puro absurdo.

Como o ocorrido com C. esta semana.

C. é consultor da empresa onde trabalha há pouco tempo, coisa de 18 anos , tem seu carro registrado para entrada no estacionamento interno com identificador pessoal junto ao párabrisa.

Na saída ao passar pela cancela que dá acesso ao portão parou o carro para registro da saída.

O segurança pelo rádio comunicou a portaria a saída do veículo e para espanto de C. lhe disse :

- Seu carro não está cadastrado, é a primeira vez que o Sr. vem a empresa ?

- Sim sou novo aqui, só há 18 anos, todos os dias.

- Mas seu carro não está no sistema.

- Se não está no sistema como consegui entrar ? O carro não apareceu sozinho no estacionamento, e o cartão do párabrisa ?

O segurança refletiu algum tempo sobre os argumentos apresentados, tentou novo contato com a portaria e com um aceno liberou a saída.

De outra vez, em um domingo, estava com um funcionário na matriz realizando trabalho de atualização de informações de inventário de um centro de distribuição.

Procedimento diferente seria executado e, preocupado com que seria feito , resolvi ir até lá.

Parei no portão e a vista do segurança , cartão de identificação do carro no párabrisa, aguardei a liberação.

Estranhei a demora e saltei do carro para falar com o segurança.

- Boa tarde, sou o Ely, gerente de sistemas, quero entrar para acompanhar um trabalho que está sendo executado.

- Eu sei quem é o senhor, mas sua entrada não foi autorizada .

- Porque ?

- Seu nome não está no e-mail de autorização para entrada no final de semana .

- Mas quem mandou o e-mail fui eu.Não posso me autorizar agora ?

Com este argumento o segurança fez contato com a guarita e retornou.

- Negativo, seu nome não está no e-mail.

Desisto e resolvo escalar meu diretor para solução do problema. Peço-lhe que contate o gerente de segurança patrimonial para que minha entrada seja autorizada.

Aguardei mais uns 15 minutos e finalmente meu acesso foi liberado.

Para resolver de vez agora meu nome está em todos os e-mails que envio com autorização de acesso.

sábado, 11 de junho de 2011

Traduzindo frases

Estava eu iniciando a aula no MBA quando Leila, a assistente da sub-reitoria de pós-graduação, me pediu para interromper a aula para falar comigo .

- Professor, está acontecendo agora no térreo o lançamento do livro do professor M.S. , da universidade francesa XXX , e a sala está vazia. Não apareceu ninguém. A professora M., sub-reitora, está nervosa , o reitor vai aparecer e não tem ninguém mesmo para ouvir o discurso e assistir a assinatura do convênio entre as universidades.

- Sim Leila, mas como posso eu ajudar ?

- O Senhor não poderia descer com a turma , fazer só uma social ?

- Mas Leila , tenho aula para dar !

- Eu sei , só uma meia hora, a turma desce, toma uma taça de vinho, come uns frios , e a sua turma é a única da pós que não está em prova hoje .

Perguntei a turma se queriam descer e não foi preciso perguntar duas vezes.

Avisei que só ficaríamos 30 minutos .

Descemos e logo após chegarmos, taças de vinho nas mãos, chegou o reitor e começou o discurso de louvação a obra do professor visitante.

Após 10 minutos o professor visitante começou seu agradecimento, em francês !

Leila me perguntou se eu falava francês.

Respondi que sim e comecei a “traduzir” o discurso.

O professor agradecia por estar no Rio, pois francês gosta mesmo é de mulatas e no Rio o que mais tem é mulata.

Agora mesmo estava de olho em uma bela presença mas o queijo não tinha caído bem, tinha medo de se aproximar pois podia ficar mal com o cheiro, e não era porque francês toma poucos banhos mas porque revolução gástrica se processava ....

As pessoas em volta começaram a rir e tive que parar com minha tradução simultânea.

Terminado o discurso, convênio sendo assinado, levei a turma de volta para a sala de aula.

No elevador lembrei de outra situação de frases em outro idioma.

Jorge era mensageiro do escritório de uma indústria química no Rio.

Sabendo que um conhecido do escritório falava inglês lhe pediu que lhe ensinasse uma frase para ser usada em uma saudação.

Acredito que o diabo soprou alguma coisa no ouvido deste conhecido pois escreveu, para que ele repetisse , o som da seguinte frase em português:

- HAi fulano, AI uana guive mai esse tu iu !

Jorge saiu repetindo a frase e entrou na sala de Jozef, um dos gerentes.

Abriu a porta e proclamou :

- Hi Jozef , I wanna give my ass to you !

Pego de surpresa , o gaucho de raízes polonesas ainda perguntou :

- O que você disse ?

- Hi Jozef , I wanna give my ass to you !

- Passa fora daqui seu safado , some da minha vista!

Até hoje acredito que Jorge não sabe o que disse para Jozef.

sábado, 4 de junho de 2011

Salvando uma vida

Li no portal Globo.com matéria em que o cantor, rubro-negro e por isso também boa gente, Felipe Dylon narra o resgate em Ipanema de uma moça que não sabia nadar e passava dificuldade para sair da água.

Lembrei de duas situações que vivi.

Uma delas ocorreu na fazenda de meu tio em Conceição de Macabu.

Já falei desta fazenda num post sobre uma pescaria quando pensamos ter encontrado um jacaré.

Era um feriado prolongado e na fazenda estavam meus tios, minha prima Suzi, eu , minha irmã Jussara, meu cunhado Celmo , meu irmão Cláudio e uma amiga de Suzi , S. com o namorado.

Em outros feriados e períodos de férias já havia “ficado “ com S , não sabia o namorado dela desta situação, não estava ele presente.

A fazenda, cortada por rio de água transparente e limpa, tinha um trecho com uma praia pequena de areia branca.

Íamos muito para este local do rio.Tinha além disso, no canto da praia, uma pedra da qual pescávamos ou mergulhávamos pois ficava em trecho com profundidade de uns 2 a 3 metros.

A situação na fazenda estava engraçada, meu cunhado brincava comigo, me provocando para ficar com S quando o cara estivesse ausente.

Quem é corno mais de uma vez não se importa em ser mais, além disso ela não tira o olho de você, quando você passa ou chega ela sempre te acompanha com o olhar. Na mesa, mesmo ao lado do cara , já percebi mais de uma vez ela te dar uma encarada, vai lá , dizia-me ele.

Por respeito aos meus tios, sou da época em que respeito era coisa séria, nada fazia, já havia percebido os olhares de S. Não entendia como o namorado dela não havia percebido e não queria confusão.

Pois estávamos na praia do rio e o namorado de S, mesmo não sabendo nadar, ao me ver mergulhando da pedra resolveu fazer o mesmo.

Ainda lhe disse para não o fazer mas disse-me ele que iria mergulhar com força e o impulso o levaria para o trecho que dava pé.

Em pé na pedra assisti ao “mergulho “ e ao resultado.

Não avançou com o impulso nem 2 metros e ao tentar ficar em pé começou a se afogar.

Confesso que ainda fiquei olhando por um tempo pensando na besteira que ele havia feito, e o vi afundar e subir umas duas vezes.

Mergulhei e ao me aproximar dele cometi o erro que todo salva-vidas ensina a não cometer.

Cheguei de frente, não por detrás dele .

Ao me ver se agarrou em mim como se eu fosse uma bóia.

Afundamos juntos .

Ao voltar para tona, para me desvencilhar dele, acertei mais por sorte e desespero que qualquer outra coisa , um soco no queixo do rapaz, de baixo para cima, que o deixou grogue.

Passei para trás dele, com um braço firmei a gravata no pescoço e comecei a puxa-lo para sair.

Já estava com os dois pés firmes no chão, ainda puxando o sujeito, quando Cláudio apareceu nadando para ajudar.

Colocamos o sujeito de pé e o levamos para areia, a toda hora me dizia obrigado, obrigado ...

Nesta hora, com ele afastado, Celmo se chegou e disse-me sorrindo :

- Pôxa Tadeu , falei para você para pegar a mulher dele, não era para bater nele .

Rimos juntos e saímos da praia.