sábado, 24 de dezembro de 2011

Desejos de Natal

Graças a carreira profissional pude visitar e conhecer pessoas de diferentes países em continentes diversos.

Com estas visitas logo entendi que por mais diferentes os idiomas, os hábitos, religião, a cultura de cada lugar , todos desejam o mesmo , viver em paz com suas famílias, educar seus filhos, alegria e diversão em seus momentos de folga.

Desta forma se pudesse contatar a todos que conheci faria que soubessem que meus desejos no Natal são :

Que a felicidade esteja presente para todos em todos os dias , que sejam bons e que assim superem os que parecem ruins ,
Que tenham a seu redor a presença constante de sorrisos, como os das crianças , para lhes enfeitar a alma ,
Que tenham tempo para aproveitar momentos que lhe serão únicos ,
Caso algo lhes pareça difícil tenham força e coragem para tudo enfrentar com um sorriso nos lábios e um coração puro,
Que seus sonhos de amanhã se tornem realidade em seu presente ,
E mais importante, tenham confiança quando estiverem em dúvida ;
Pois dias de arco-íris surgem após as chuvas ,
E ainda recebam meu abraço carinhoso quando , por breve momento, assim o precisar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Dieta com Purina

O caso original foi descrito por Paul Klecka no Facebook , Andrea Hansen compartilhou com os amigos,eu fiz apenas a tradução para o português.

"Eu estava no Wal-Mart comprando um saco de 20 Kg de Purina Dog Chow, na fila do caixa, quando uma mulher atrás de mim me perguntou se eu tinha um cachorro.

Porque razão estaria eu comprando comida de cachorro, certo ?

Assim em um impulso eu disse-lhe que não, eu não tinha um cachorro , eu estava iniciando a dieta com Purina novamente, o que provavelmente não deveria fazer, já que havia parado em um hospital na última vez, mas havia perdido 15 kg antes de acordar em uma unidade de terapia intensiva com tubos saindo da maioria de meus orifícios e intravenosos nos dois braços.

Disse a ela que era essencialmente uma dieta perfeita.Tudo que tem que se fazer é encher seus bolsos com nuggets da Purina e comer um ou dois sempre que se tiver fome.

O alimento é nutricionalmente completo, funciona muito bem, iria eu tentar de novo.

Horrorizada ela me perguntou se eu havia parado na UTI em razão de envenenamento pela ração.

Disse-lhe que não, eu havia saído da calçada para cheirar o traseiro de um golden retriever e um carro me atingiu.

Pensei que o cara atrás dela ia sofrer um ataque cardíaco de tanto que ria."

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Um Quase Homônimo

Meu primeiro nome não é tão comum no Brasil.
Em Israel é comum, dada a origem bíblica do nome.
Assim achar outro Ely Barbosa é coisa de fato difícil por aqui.
Conheço o desenhista,um professor , um juiz e poucas outras ocorrências.
Por outro lado um amigo, Carlos, é homônimo perfeito de um fraudador condenado por ações contra o INSS.
Descobriu a infeliz coincidência, até o nome da mãe é igual, quando recebeu a visita de um oficial de justiça em ação de penhora de seu imóvel.
Até provar que focinho de porco não é tomada perdeu tempo e dinheiro.
Comigo não foi tão grave, acabou sendo surreal.
Toca meu telefone no trabalho e uma voz feminina me pergunta:
- O Sr Ely Barbosa por favor ?
- É ele !
- Bom dia Sr Ely, estou ligando do fórum da Barra para falar da sua ação de divórcio.
- Que divórcio minha senhora, até as 7:00 da manhã quando saí de casa ainda estava casado, isto é um trote?
- Trote não, estou falando da sua ação que está correndo aqui, o Sr tem que trazer alguns documentos como sua declaração de IR do ano passado.
- Minha senhora se isto não é um trote a Sra está falando com a pessoa errada. Para que número a Sra ligou ?
- Eu liguei para a telefonista daí que me passou seu número.
- Definitivamente algo está errado, na empresa só tem um Ely Barbosa, sou eu e não estou me divorciando.
Parecendo não acreditar ela ainda insiste:
- Qual é o número de seu CPF ?
- Minha senhora não costumo divulgar o número de meu CPF assim, se existe de fato uma ação, se a senhora de fato está no fórum da Barra, no texto da petição devem existir outros dados para confirmação. Tenha certeza de que não brinco com assuntos sérios e fosse eu de fato quem procura teria eu lhe confirmado.
Ela parou e pareceu refletir no que lhe disse. Depois continuou :
- O Sr parece estar certo, vou pegar a petição e volto a ligar.
Ela desligou e fiquei pasmo com o absurdo da situação.
Estava ainda pensando quando ela voltou a ligar .
- Sr Ely como prova de boa vontade qual é o primeiro nome de sua mãe e em que dia o Sr nasceu ?
- Aracy é o nome de minha mãe, nasci num dia 12.
- Ih, então acho que não é mesmo o Sr, mas que coincidência, o senhor não é Ely Barbosa Ferreira ?
- Não , sou Ely Barbosa, a senhora deve ter dito o nome todo a telefonista e assim ela transferiu a ligação não foi ?
- Foi mesmo, o senhor por acaso conhece ele então , trabalha na mesma empresa ?
- Senhora estou acessando a lista de funcionários , Ely e ainda por cima Ely Barbosa só eu .
- Desculpe então , muito obrigada .
Desligo e penso no diálogo absurdo que travei, como tinha que provar que não era outro.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Paixão de Futebol

Feriado, 15 de novembro, é também data de aniversário do Flamengo.

Lembrei da primeira vez em que fui a um jogo no Maracanã, e de como fui conquistado pela nação rubro-negra.

Lembro que era menino, havia chegado ao Rio alguns anos antes.

Meus primos, por parte de mãe, eram mais velhos e exemplo para mim.

Todos paulistas eram torcedores do Santos, o time de Pelé, o grande time do Brasil então.

Era estranho mas minha referência era esta, morando no Rio e simpatizando com o Santos pelo rádio.

O detalhe é que nunca havia visto um jogo do Santos ao vivo.

Minha irmã Jussara começou então a namorar Luís, um estudante de medicina.

Ele não se conformava em ao me perguntar sobre time de futebol e responder que era santista.

Começou então a me dizer que me levaria ao Maracanã em dia de jogo do Flamengo e que eu mudaria de opinião.

Pois este dia chegou e para o Maracanã fomos.

O jogo foi Flamengo e Vasco pelo campeonato carioca de 1968.

O Maracanã abarrotado de gente, mais de 150 mil pessoas, era uma festa só para o menino que a tudo olhava em volta.

Um mar de gente dos dois lados, bandeiras, cantos, tudo era muito bonito.

Não lembro do jogo preliminar mas, no principal, lembro de sentir uma tensão no ar e de como podia ouvir o som de milhares de rádios que os torcedores levavam.

Penso que como era importante a opinião do comentarista de arbitragem na época.

Não havia o conjunto de câmeras em campo como hoje e, mesmo assim, a opinião do Mário Vianna, com dois enes, era repetida como se verdade absoluta fosse.

Gol do Vasco, um balde de água fria caiu na torcida.

Estava torcendo timidamente, em apoio ao Luís, e senti o baque.

Alguns minutos depois acontece o inverso.

Como se fosse uma só voz começa a torcida do Flamengo a cantar e a empurrar o time.

Estou cantando, vibrando, o time parece correr mais, a acertar mais.

Gol do Flamengo, Adãozinho marcou,um urro de felicidade com enorme sensação de prazer acontece.

A arquibancada do Maracanã treme, balança, as pessoas estão em pé, vibrando.

Fico na ponta dos pés para ver o que acontece em campo .

É uma loucura coletiva, sinto que uma enorme energia está ali.

A bola é cruzada e Dionísio, o bode atômico, centroavante do Flamengo acerta a cabeçada em direção ao gol.

Andrada, goleiro do Vasco, ainda salta mas a bola bate na rede com força.

Um urro de prazer ainda maior acontece.

Perco-me em uma confusão de saltos, abraços .

Luís berrava e me abraçava , você é pé quente, você é pé quente .

Isto eu não sei até hoje, sei que naquele dia vivi o que seria o início de uma paixão.

Não foi o time, foi a torcida do Flamengo que me conquistou.

domingo, 13 de novembro de 2011

Dificuldade com Inglês

Ela é pessoa adorável, é por nós considerada como se filha fosse.

Têm ótima formação humana e social, está sempre antenada com o que acontece ao redor. É culta e inteligente.

De vez em quando abordamos temas em que temos posições distintas mas sempre travamos nossos debates com respeito.

Seu único problema é o não domínio de expressões em inglês, desta forma situações engraçadas acontecem sempre que viaja a lazer.

Como por exemplo jogando blackjack no cassino do cruzeiro que ia em direção a Barcelona.

Viu o namorado jogando, ouviu a expressão “one more “ (mais uma ) e, achando que fazia parte da dinâmica do jogo, repetiu a frase mesmo tendo recebido um ás e um valete fazendo 21, a pontuação máxima.

O riso do namorado e a expressão de espanto do crupiê, que se negou a dar mais uma carta, a fizeram ver a besteira.

Outra feita, novamente em um cassino, agora na República Dominicana, estava com sorte jogando blackjack.

A cada carta boa que recebia da mesa , um ás , uma dama , um valete , ouvia a expressão “nice” da crupiê .

Após algumas rodadas, vencendo, resolveu parar e para se despedir da mesa disparou para os presentes vários good nice.

O namorado não entendeu e já afastando-se da mesa perguntou o que havia dito .

- Disse good nice .

- Você queria dizer good night ? Good Nice não existe , seria algo como bom ótimo.

Vendo a bobagem dita ainda argumentou :

- Ora estou feliz, ganhei , eles entenderam a minha energia, meu desejo de sorte .

Não sei se ela estava brincando, estávamos recordando estas duas situações , quando em minha casa, assistindo a uma luta de UFC pela Tv, viu a comemoração de um lutador e sua felicidade , refletiu e disse :

- Para este cara hoje eu diria Happy Birthday .

Não houve jeito, começamos todos a rir .

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Descobrindo nível de serviço

Li no Blog do Mauro Ventura texto em que compara os itens de série de nossos carros com os de carros americanos, ingleses, etc.

Lembrei imediatamente da primeira vez que aluguei carro em viagem, isto em 1990, e da diferença dos níveis de serviço.

Tinha comigo o voucher de carro econômico, carro de câmbio manual , mas ao chegar a locadora para retirar o carro a atendente me informou , pedindo desculpas :

- Senhor, pedimos desculpas mas não temos no momento nenhum carro do modelo que o senhor reservou. Vamos lhe dar então um de modelo superior, sem nenhum custo extra , o senhor aceita ?

Na hora confesso que pensei que havia entendido errado, como é que é , vou levar um carro de modelo superior sem custo ?

Era isso mesmo e, para meu espanto, mais aconteceu com o casal que havia conhecido no vôo e que, por coincidência, haviam comprado o mesmo pacote de viagem.

Como eu estava retirando o último carro médio a eles era oferecido um SUV.

Fomos até o pátio retirar o carro , um modelo da Ford .

Recebi as chaves do atendente que logo me deu as costas.

E agora , como abrir a mala, o carro tinha uma série de botões e controles, como funcionavam ?

Chamei o atendente e pedi que me explicasse como tudo funcionava naquele carro.

Ele me olhou como se eu tivesse chegado de Marte.

Pacientemente me explicou, aqui você abre a mala , aqui funciona o piloto automático, aqui os controles de temperatura, aqui os controles de posição do banco, a posição de parking, sair, etc....

Fiquei contente como criança descobrindo as funcionalidades de brinquedo novo.

Não precisava trocar a marcha , era gostoso e fácil de dirigir , mas na primeira meia hora a perna esquerda buscava por reflexo a posição da alavanca de embreagem.

Encontramos o casal e pegamos a estrada saindo de Miami indo para Kissimmee.

Na estrada , perfeita em pavimentação, sinalizada , era só acionar o piloto automático e segurar a direção .

Mas o choque maior veio no dia seguinte.

Para aqueles que não viveram a Internet só iria surgir 5 anos depois.

Tinha passado por experiência ruim no mesmo mês, em que ao tentar embarcar em vôo de volta de Salvador para o Rio, minha passagem ,paga e confirmada pela agência , não aparecia na relação de embarque.

O funcionário da empresa aérea ainda teve a cara de pau de me dizer que eu não havia feito o percurso Rio-Salvador .

Só não explicava como eu tinha o canhoto do embarque no Rio e como havia eu me materializado em Salvador.

Recomendou que sempre confirmasse minha volta logo ao chegar.

Preocupado assim resolvi ligar para a empresa aérea para confirmar minha volta.

Tinha o telefone da companhia em Miami e liguei.

Número errado era a mensagem que vinha sempre.

Vi então no aparelho a instrução tecle 0 para ajuda.

Uma voz solícita me atendeu em segundos.

Expliquei o que acontecia e a voz gentil me explicou :

- Para ligar para este número em Miami o senhor precisa teclar o código de área, o senhor fez isso ?

Um completo imbecil assim me senti.

A voz então continuou :

- Para interurbano o senhor precisa colocar mais quatro moedas de 25 centavos, o senhor deseja que eu faça a ligação ?

Claro , por favor, assim respondi e coloquei as moedas.

Não mais que 10 segundos depois e a voz me retornou.

- Senhor quem está atendendo sua chamada é uma secretária eletrônica , pois como hoje é domingo não há expediente no local , o senhor deseja deixar um recado ?

Imbecil duas vezes, eu havia mesmo me superado.

- Não , é claro, hoje é domingo, não vou deixar recado.

- Coloque então por favor o fone no gancho, vou lhe devolver suas moedas , a AT&T agradece sua chamada.

Coloquei o fone no ganho e 4 moedas me foram devolvidas.

Estava eu de fato em lugar onde serviço era importante .

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O valor de uma idéia

Assisti recentemente a palestra com Steven Levitt , autor de Freaknomics, muito boa pelo conteúdo e pelas reflexões que provoca.

Interessante como reforça o valor que uma boa idéia pode trazer se estivermos com a mente e espíritos abertos para avaliar uma proposta nova, sem prévia avaliação de quem faz a proposta.

Lembro de casos assim fantásticos, de como Bill Gates comprou por 50.000 USD o MS-DOS , de como uma interface gráfica desenvolvida na Xerox trouxe inspiração para Steve Jobs na Apple e outros exemplos.

Permita-se a avaliar idéias e suas aplicações em seu dia a dia , pelo menos avalie , recomendou Steven Levitt que emendou contanto um caso fantástico.

Todos anos , assim como no Brasil , contribuintes prestam contas nos Eua ao IRS, a Receita Federal de lá .

Pois nos anos 80, um funcionário do IRS , vamos chamá-lo de Joe, ao ler declarações de contribuintes viu a menção a um dependente de nome Fluffy em uma declaração.

Fluffy , que raio de nome é esse , quem daria o nome Fluffy a um filho pensou Joe.

Resolveu Joe procurar seu chefe com a seguinte idéia , no próximo ano vamos pedir mais dados sobre os dependentes aos contribuintes, alguma coisa errada deve estar acontecendo .

O chefe de Joe disse-lhe que não , para que esta mudança, as coisas estavam bem , não havia porque mudar.

Joe voltou a seu posto mas a inquietação permaneceu.

Anos depois , já com nova chefia , Joe volta a carga com sua idéia .

Ok , vamos mudar no próximo ano, vamos pedir mais dados.

No ano em que a mudança entra em vigor acontece fato histórico que, se levado para os dados estatísticos de saúde, significariam a maior mortalidade infantil da história nos Eua.

Milhões de dependentes desapareceram das declarações de imposto de renda.

A idéia de Joe, de simples implementação, significou bilhões de dólares de imposto a arrecadar.

Para Steven Levitt o mais triste foi saber por seu pai que naquele ano ele havia perdido um irmão e uma irmã .

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Desgraça Alheia - II

Quem enviou esta foi novamente o Jackson, pai da Camila.Desconheço o autor original.

"Na semana passada estava entrando num banco para ver se tinha restado algum trocado, até o dia da "viúva" (INSS) fazer o depósito, foi quando uma linda garota de menos de quarenta anos, minissaia, para mim é garota, entrou na fila dos caixas. Imediatamente sai da fila dos idosos e também entrei na mesma fila.

Em pouco tempo ela olhou para trás e sorrindo e disse:
- Porque o senhor não utiliza a fila dos idosos?
Você sabe o que eu pensei na hora não é?

Porém, mantive a calma e usei toda minha experiência.

Puxei papo e resolvi inventar, para impressionar.

Falei das minhas "experiências como comandante de navio de cruzeiro" .

Havia lido na semana passada um livro sobre um comandante de navio de turismo.Sabia tudo a respeito.

- Uau! o senhor foi comandante de transatlântico?
- Só por vinte e dois anos.

Assim respondi expressando uma certa indiferença pelos anos de trabalho, mas sentindo que tinha capturado a presa, era só preparar.

- Nossa! Com essa sua pinta o senhor deveria, certamente, agradar muito o público feminino, nas noites de jantar com o comandante.
Boquiaberto só pude responder:

- Hã?

Estava distraído,de olho fixo no decote da jovem que exibia, exuberantemente, seus lindos seios.

Ela me pegou no flagra.

Eu fiquei sem graça e ela não fez por menos :
- O senhor ficou vermelho! Ficou até mais bonito. Aliás, o senhor deveria fazer um teste na televisão.
Eu estava perplexo e apavorado, depois dos sessenta, isto acontece uma só vez antes da morte.

Aquele avião pronto para decolar e eu sem condições nem mesmo de efetuar o chek in.

Sim, não sabia ao certo quanto teria na conta corrente...

Quanto estaria custando um Viagra? ....

Onde poderia arrumar duzentão, até o dia do depósito da "viúva"?...

Quanto estariam cobrando um apê no motel?

Será que se chamar um táxi pega bem?

Comecei a suar frio.

- Eu, artista de televisão?

- Sim! o senhor lembra aquele famoso galã dos anos cinquenta, que minha avó me mostrou na revista "Rainha do Rádio". Ela tem verdadeira paixão por essas revistas.

Adorava Marlene, Emilinha Borba...

Deus nos livre de alguém mexer nas suas revistas.

Ela guarda a sete chaves, com o maior carinho...

O senhor é saudosista também?

- Sim, eu sou! Mas, você tá me gozando. Galã dos anos cinquenta?
- Verdade, não me lembro bem o nome, só sei que ele fazia filmes para o cinema, era muito famoso.

Mário, Má ..., não era.

Era alguma coisa como...

Ah sim, tinha dois zes no nome.
- Mário Gomezz (Apelei)?
- Não, não era este o nome.
Ahhh lembrei... Mazzaropi?

Isto, Mazzaropi!

Mazzaropi era um galã, não era?

Amigo, nesta hora minha auto-estima fez um buraco no chão e foi parar na terra do sol nascente.

Pô, quando ela disse que eu parecia galã dos anos cinquenta, pensei num Paulo Gracindo, Paulo Autran, ou algum Antonio Fagundes da vida.

Mas, Mazzaropi? ...

PQP foi demais.

Mas, até aí tudo bem, para pegar aquele avião eu ia de Mazzaropi mesmo..

O meu fabuloso e sonhado programa da tarde só veio a acabar, quando ela, sem querer, derrubou um livro que tinha na mão.

Eu, como um verdadeiro cavalheiro, inventei de abaixar para apanhá-lo.

Só que esqueci as recomendações do meu ortopedista sobre minhas artroses e artrites, que quando eu me abaixasse, o fizesse de uma forma bem vagarosa.

Enquanto o livro descia, eu mais que depressa, inventei de pegá-lo na altura dos joelhos da jovem.
Só escutei a frase dela:

- Uau, mas que reflexo, você parece um garotão!

Ouvi esta frase, e mais dois sons.

Um som abafado da região da minha coluna que travou no ato, e o som estridente de um prolongado peido que alem de sinalizar a frouxidão do rabo lembrou-me da intensa dor na coluna.

E quem disse que eu conseguia endireitar o corpo, nem chamando o Carvalhão.
Arcado, tentava me endireitar e peidava mais. Tentava, e novamente peidava.

Imagina a situação ?

A jovem vendo que a situação não reverteria, tirou os dois dedos que apertavam suas narinas, apanhou o celular e discou para o SAMU.

Fim de um provável romance...

Você está rindo ?

Não adianta, você vai envelhecer também !

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Casos de Varejo - II

Dia chuvoso, estou em casa de folga pelo dia do comerciário.

A maior parte de minha carreira profissional se deu em empresas de varejo, em todas é possível a lembrança de casos e situações interessantes.

Lembro particularmente da rede de restaurantes e da loja de departamentos.

Na primeira, narrei em outro post, fui encaminhado para três semanas de treinamento e operação de uma loja antes de assumir meu cargo.

Gostei demais da experiência.

Na última semana, em loja que operava um drive-thru, fui reconhecido por um fornecedor.

Ao me ver na última cabine, a que monta e entrega os pedidos, posição que mais gostava pois velocidade e precisão são importantes, me abordou com cara de espanto :

- Ely, não sabia que você havia saído de lá , estão fazendo cortes ? Me manda seu curriculum , vou te ajudar .

Não quis explicar, agradeci e o despachei.

Ainda na última cabine recebi outra vez pelo interfone o pedido de um hambúrguer cheddar sem carne .

Achei que estava errado e pedi para repetir o pedido.

Isto mesmo o sanduíche era sem carne.

Quando retirou o pedido a cliente me disse :

- Vi que você pediu a confirmação, sou vegetariana, gosto mesmo é do molho.

- Que bom Sra, obrigado por seu pedido !

Mas é da loja de departamentos, por talvez lá ter trabalhado mais de 10 anos, que surgem mais lembranças de situações.

Na semana do Natal a sede enviava funcionários, que assim desejassem, para trabalhar em lojas.

Sempre gostei desta experiência, podia assim ver pontos de melhoria em sistemas, e assim ia.

Estava na loja de Laranjeiras, em ilha de brinquedos eletrônicos, quando um rapaz que mancava me pediu um pacote de pilhas Duracell.

O atendi e passei para outro cliente.

Dois minutos depois a caixa da ilha me pediu para aprovar um cheque.

Era do rapaz e ao confrontar o cheque contra o valor do cupom fiscal vi que neste não aparecia o pacote de pilhas.

Achei estranho, não tinha percebido a devolução.

Autorizei a venda e quando o rapaz se afastou mancando, chamei um segurança e pedi que observasse o rapaz na loja.

Meia hora depois me volta o segurança com o pacote de pilhas na mão e diz :

- Você achou que ele era deficiente físico, não achou ?

- Achei sim, o que houve, onde estava o pacote de pilhas ?

- Em uma sacola amarrada na perna, por dentro das calças, por isso ele fingia que mancava .

Foi esconder um desodorante na sacola, ela soltou e caiu tudo pela perna.

Viu que eu estava perto, largou tudo e saiu correndo.

Quem o tivesse visto antes mancando ia pensar que era milagre.

Rindo coloquei o pacote de volta na ilha e atendi o próximo cliente.

sábado, 15 de outubro de 2011

Telemarketing

Fui convidado e participei de evento de encontro de usuários, de importante fornecedor de soluções de hardware e software, em San Diego, no mês de outubro.

Durante o evento busquei assistir ao máximo de apresentações de casos de negócio que tratassem de segmentação de clientes, seu atendimento personalizado , além de casos de logística.

Durante uma das apresentações, de grande banco de varejo canadense, me chamou atenção os dados que exibiram.

Com programa e conjunto de ações diretamente voltadas para seus clientes conseguiram aumento efetivo de negócios .

O segredo é manter contato sempre, não somente para oferecer cartão de crédito, ou qualquer outra campanha interna.

Estabeleceram relacionamento mesmo, parceria.

Os contatos são feitos em aniversários, indagam como andam os filhos, pelo nome , falam de universidades, compra de imóveis e carros , investimentos , etc.

Lembrei imediatamente de como “sofremos “ no Brasil, com as várias chamadas de bancos com quem não temos relacionamento, e da insistência das ofertas pelas centrais de atendimento.

Meu filho Diogo, a cada 3 meses, recebe a mesma oferta de um banco, onde não tem conta, de um cartão de crédito com saldo para gastar, sem cobrança, no valor de R$ 200,00.

O que ele faz ?

Aceita, leva a namorada ao teatro e vai a um restaurante para jantar.

Depois disso cancela o cartão.

Não aprendem , três meses depois nova oferta é feita.

Nina , uma vendedora de comésticos que atende minha mulher, contou certa vez como se livrou destas chamadas .

Todo mês recebia uma oferta de um cartão de crédito de um banco.

Todo mês respondia que não tinha interesse.

Teve um dia a idéia que a salvou destes contatos .

Após atender a ligação e, ao ver que se tratava da oferta do cartão, sem se identificar, disse para a operadora :

- Por favor , não liguem mais , toda vez que vocês ligam a família fica muito triste, deprimida .

- Porque a família fica triste minha senhora ?

- Porque a Nina morreu ....

sábado, 24 de setembro de 2011

Tipos de rua

Toda cidade, acho mesmo que todo bairro tem seus tipos conhecidos.
Em Ipanema a mulher de branco é figura conhecida por exemplo.
No Centro, quando trabalhava na sede da loja de departamentos, próximo a Praça Mauá,era fácil encontrar o maluco da tinta ou a doida beijoqueira.

O doido da tinta pedia dinheiro para realizar seu desejo.
Comprava uma lata de tinta em loja de material de construção e despejava sobre o corpo.
Um dia estava todo azul, no outro verde, em outro de branco, não fazia mal a ninguém.

A beijoqueira entretanto exigia atenção.
Andava pelas calçadas, maltrapilha, suja, mas ao avistar alguém que lhe despertava interesse corria, agarrava e lascava um beijo no desavisado.
Por algumas mulheres tinha especial aversão.
Izilda, uma colega da empresa, nunca havia lhe feito mal algum, nunca lhe dirigido a palavra, mas não podia a beijoqueira lhe ver que partia com tudo para a agressão.

Lembro de outro tipo que morava na rua de minha mãe.
Férias escolares, era comum a rapaziada de minha idade se encontrar toda noite em frente a um mesmo local.
Ficávamos ali jogando conversa fora, marcando ida a festas etc.
Pois era fato comum toda noite encontrarmos um senhor, já com mais de 60 anos, que sempre subia a rua voltando do trabalho totalmente alcoolizado.
Era nos ver e começava a gritar :
- E aí rapaziada, está tudo bem ? Quem quer jogar porrinha, sou o rei da porrinha .
Respondíamos sempre da mesma maneira :
- E aí tio, está tudo bem ?
Para provocar alguém sempre gritava Mengo, Mengo, o que fazia com que o senhor gritasse Vasco , Vasco...
Assim ficávamos até que a filha descia do prédio onde morava, após ouvir de casa o barulho provocado pela chegada do pai e desse jeito o levava para casa.
Um dia o enredo foi diferente.
Estávamos no mesmo local quando um táxi parou e o motorista pediu ajuda.
Ao nos aproximarmos ele disse:
- Vocês conhecem este senhor que está aqui atrás ?
Quando olhamos no banco traseiro estava o rei da porrinha .
- Sim, conhecemos . Porque ?
- Graças a Deus, quando entrou no meu carro ele disse o nome da rua. Quando perguntei o número ele simplesmente me disse "Não saberás jamais " .
Vi que está completamente mamado, é um senhor, por pena resolvi trazer.
Vocês podem me ajudar ?

Mário saiu e foi até o prédio onde ele morava chamar a filha para resgatar o pai.
Na volta pela primeira vez ela falou conosco, pagou o táxi e nos agradeceu.
Não me recordo muito de suas feições, guardo entretanto a imagem de um olhar triste.






quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Fumar pode lhe fazer mal

O fato de fumar em locais abertos, ao ar livre , me traz situações e comentários vez por outra .

Como no dia, em que ao sair da agência do banco na rua Visconde de Pirajá, sou abordado por uma pessoa que me cumprimenta em voz alta :

- E aí cara , como você está ? Tá tudo bem ? Onde você está trabalhando agora ?

Sou bom fisionomista, guardo a imagem de um rosto conhecido, posso esquecer o nome de quem já conheci, mas não esqueço o rosto.

O rosto me era totalmente desconhecido mas, a forma com que me abordou, me deixou em dúvida .

Será que não conhecia mesmo o cara que me cumprimentava de forma tão espontânea ? Assim respondi :

- Eu estou bem, graças a Deus, trabalho aqui perto, e você ?

Minha esperança era que ao responder uma dica aparecesse para saber de onde a pessoa me conhecia .

- Eu estou fazendo um trabalho por aqui .

Olhou em direção ao meu bolso na camisa e continuou :

- Pôxa cara , você continua fumando ?

Disse isso e esticou a mão em direção ao meu bolso , como se fosse pegar meu maço de cigarros.

Achei que era um gesto abusado, com a mão direita afastei a mão que tentava pegar meu cigarro e disse-lhe :

- Peço-lhe desculpas, mas não o reconheço, de onde você me conhece ?

- Não lhe conheço não , mas estou vendendo algumas canetas . Você não gostaria de comprar pelo menos uma para me ajudar ?

Como abordagem para venda esta tinha sido a pior que já tinha visto.

Respondi diretamente e fui embora .

- Cara , você é um tremendo cara de pau . Fui !

Ainda na Visconde de Pirajá, em outro dia, esperando para atravessar a rua em direção a Garcia D´Avila um senhor ao me ver fumando comenta :

- Fumar vai lhe matar !

Não deixei passar um segundo e respondi na lata :

- Encher o saco de quem não se conhece também é causa de morte.

Tenha cuidado também !

O senhor arregalou os olhos e ficou parado enquanto lhe dava as costas e atravessava a rua.

sábado, 17 de setembro de 2011

Pérolas II - Soletrando

Li há alguns dias post no Facebook, em defesa da língua portuguesa, em que se lista algumas pérolas de grafia que as vezes encontramos em comentários, e-mails, etc.

O post falava das preciosidades como “seje “, “esteje “, “perca“, “menas” e outros termos que volta e meia são utilizados.

Não sei mesmo se termo é a definição correta a se usar pois não existem como palavras .

Pensando de maneira mais positiva lembro dos textos de Guimarães Rosa, talvez sejam estas pessoas escritores em potencial.

Já recebi mais de um e-mail de profissional de varejo em que se alertava para medidas para combater “perca “ de venda .

Mesmo respondendo que não haveria perda, com a palavra grifada, em outra nota vinha novamente a menção a “perca “.

Lembro de ocasião em que ao final de um projeto com sucesso recebi nota de parabéns do então superintendente de TI :

“Você é mesmo um craque , que nem Romário , um grande proficional “.

Quando li a nota falei com um colega de equipe :

- Acho que L. está zombando, olha a nota que ele me mandou , profissional escrito deste jeito ?

- Ely, para mim ele também escreveu assim . Acho que ele não acredita no corretor de textos .

Mas as vezes estas bobagens produzem situações hilárias .

Estava eu sorteando brindes de fim de ano, que havia recebido, entre os membros de minha equipe .

Um dos mais aguardados no sorteio era uma garrafa de uísque 12 anos .

Puxei o nome sorteado e disse apenas para provocar :

- Atenção, o ganhador deste brinde tem a letra A no nome .

Foi o que bastou para Renato se manifestar soletrando cada sílaba de seu nome :

- Re-na-to de Me-lo Mou-ra , Moura , Moura tem letra A , estou dentro !

No meio da explosão de risos, Renato fez uma cara de espanto, que só passou quando Alessandro lhe disse :

- Bebê não me envergonha, quais as letras de seu primeiro nome minha criança ?

sábado, 10 de setembro de 2011

Pecado da Gula

As vezes o pecado da gula pode realmente levar a situações muito desagradáveis. Lembrei de algumas situações assim quando conversávamos na hora do almoço , eu e parte da equipe em trabalho extra no sábado.

Alguém sempre lembra de uma pessoa que só vai na aba na hora do churrasco marcado , na hora de trazer o biscoito , ou de sempre estar filando a bala , o bombom dos outros.

Na primeira empresa que trabalhei assim acontecia , era deixar um pacote de balas na mesa e se ausentar que , batata, as balas sumiam .

Sou da opinião que um pedido simples resolve muito , pegar sem pedir, sem nada falar , é muita cara de pau .

Resolvi o mistério comprando um pacote de balas azuis, isto é deixam a boca toda azul , numa loja de artigos para mágicos na rua da Uruguaiana.

Larguei o pacote e esperei o resultado .

Encontrei o mensageiro aflito no banheiro lavando a boca toda cheia de tinta azul que, no esforço para se lavar, havia pingado na camisa.

A estória se espalhou , nunca mais pegaram algo em minha mesa.

Isaac me contou outra situação dessa.

Renato sempre teve o olho maior que a boca.

Isaac então , para aprontar , separou de caixa onde havia retirado um monitor um punhado grande de flocos verdes de isopor , usados para proteção do equipamento na embalagem .

Colocou os flocos em uma cumbuca de plástico, falou com Alessandro sobre o que ia fazer e sentou-se a mesa.

Sentado atrás de Alessandro e ao lado de Renato fingiu estar mordendo e engolindo o “biscoito “.

Alessandro, ciente da estória , virou-se para trás e pegou dois , fingindo também comer.

Foi o que bastou para Renato cair na armadilha :

- Pô Isaac , vocês comendo e nem oferece ?

- Pega aí .

Levantou-se , encheu a mão e colocou um punhado em sua mesa voltando a trabalhar.

Mordeu , engoliu o primeiro e reclamou :

- Isaac , isto está sem sal nenhum , é biscoito velho ?

- Tenho 2 envelopes de sal aqui , quer ?

- Passa aí ...

Segurando o riso Isaac viu Renato polvilhar sal no punhado de “biscoitos “ e mastigar e comer outro.

A estória ia assim até Cristina Brito entrar na sala , ver o punhado separado na mesa de Renato, e perguntar :

- Renato , o que é isso que você está comendo ?

- Skiny , pega aí , quer ? Isto dito colocou mais um na boca.

Cristina pegou , cheirou e disse em seguida:

- Renato , você está comendo isopor ?

A risada de Isaac e Alessandro fez com que Renato cuspisse tudo que tinha na boca .

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Quando uma cerveja salva

Uma vez estava conversando com um colega de empresa, alemão em visita ao Rio , quando ele me disse que não entendia porque vendíamos a idéia de ser a caipirinha nossa bebida nacional.

Em todos os lugares que ia via pessoas bebendo cerveja.

Concordei com ele, acho mesmo que uma cerveja pode resolver muitas coisas.

Como o que aconteceu neste caso, do tempo de antes das UPPs , unidades de polícia que acalmaram várias regiões do Rio .

Aconteceu muito antes da criação e uso de GPS.

Daniel era representante de vendas de indústria de equipamentos eletroeletrônicos ainda nos anos 80 , época de reserva de mercado para fabricantes nacionais no país.

Recebeu um telefonema que indicava chance de negócio promissor .

Um laboratório, fabricante de produtos farmacêuticos , localizado em Curicica , pediu sua visita para discutir proposta de compra de equipamentos de automação.

Logo após o almoço para lá foi .

Resolveu ir pela Barra , não conhecia o caminho , mas parando aqui , perguntando ali conseguiu chegar.

A discussão foi boa , levou a tarde toda , mas saiu da empresa já escurecendo com um desenho de proposta muito boa .

Tinha a certeza de que conseguiria fechar com sua supervisão o desconto pedido dado o volume financeiro da proposta .

Estava tão distraído , pensando no negócio e na comissão que receberia , que não seguiu as orientações que recebera ao sair da empresa.

Quando deu por si chegou a conclusão que estava perdido .

Sem nenhuma indicação de placas , noite já caída , pista quase sem luz seguiu seu nariz para ver onde podia parar e pedir ajuda .

Para piorar o carro começou a fazer um barulho esquisito e perder força.

Viu um grupo de prédios baixos e resolveu virar na direção deles.

Prédios tem gente e onde tem gente pode ter ajuda.

Só depois que entrou viu a bobagem que havia feito.

Estava na Cidade de Deus , na época local de ocorrência de crimes e tráfico.

O carro piorou , quase parando viu o que parecia ser uma birosca .

Resolveu parar , perdido estava , não podia piorar.

Ao entrar na birosca, alto, branco, ainda usando gravata , viu que o movimento e as conversas pararam , todas as pessoas olhando em sua direção.

Eram pessoas simples , muitos de bermudas , sem camisa, só de sandálias .

Disse boa noite em voz alta mas ninguém respondeu.

Aproximou-se do balcão para falar com quem parecia estar atendendo quando sentiu uma mão tocar seu ombro ouvindo a frase em seguida .

- Ô bacana, paga aí uma cerveja para mim !

Virou para trás e viu quem havia lhe tocado o ombro.

O sujeito era grande , bem mais alto que ele , forte ,sem camisa, cara de poucos amigos.

Respondeu de imediato sem muito pensar .

- Pagar uma cerveja para você ? Não pago não . Pago para você e todo mundo pois estou comemorando . E pede para descer um jiló frito e umas asinhas para acompanhar.

A cara feia do sujeito virou sorriso e em poucos minutos tinham virado amigos de infância .

Ficou no local até a birosca fechar.

Seu novo amigo saiu e voltou depois de acordar um mecânico que morava perto da birosca.

Com a ajuda de lanternas viu o mecânico prender um cabo solto.

Saiu de lá com a recomendação do caminho a seguir e que não parasse .

Nunca se sabe quem poderia encontrar.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ser educado ajuda

A empresa onde trabalhava , meu primeiro emprego, tinha escritório central em João Pessoa, responsável pela operação de subsidiária.
Como responsável por sistemas administrativos ( Folha , Contabilidade, ...) para lá fui para conversar com os responsáveis de cada área visando a implantação dos sistemas da matriz.
O escritório ficava em uma boa casa, próxima ao parque Solon de Lucena.
Logo ao chegar, já na metade da manhã, fui procurar C. , responsável pelo Departamento Pessoal .
Bati à porta, escutei o "entre "e vi C. conversando com um senhor forte.
- Desculpe C. , não sabia que estava ocupada, volto depois .
- Não Ely , fique , nossa conversa já está terminando.
Sentei-me a cadeira próxima ao senhor , lhe estendo a mão para o cumprimentar em seguida :
- Bom dia , sou Ely Barbosa, prazer em conhecê-lo .
A resposta e o cumprimento forte na mão vieram em seguida .
- Prazer, sou A., o senhor é o contador da empresa ?
- Não , sou analista de sistemas da matriz, acabei de chegar do Rio, espero não o estar atrapalhando, peço-lhe descupas.
Virando-se para C. ele então respondeu :
- A Sra veja o que é educação Dona C., este rapaz nunca me viu na vida, mas sentou-se a seu convite, me cumprimentou com respeito e ainda me pediu desculpas. Tá-se vendo que é gente de bem , não como esses trastes que existem por aí e dão aporrinhação na nossa vida .
- É assim mesmo A., mais alguma coisa que possa fazer ?
- Não Dona C. , agora vamos ver como vai ficar , não é ?
- Isto mesmo , até a próxima !
Virando-se para mim disse-me :
- Bom dia para o senhor !
- Bom dia , passe bem !
Levantou-se e saiu sem olhar mais para trás.
Depois que saiu C. me perguntou :
- Você sabe quem é esse aí ?
- Não , não sei , quem é ?
- Você soube que na semana passada um sujeito passou a faca em outro lá na mina ?
- Sim , ouvi isso lá no Rio .
- Pois é , esse é o sujeito que puxou a faca .
Um riso nervoso me apareceu .
- E porque perguntou se eu era o contador ?
- Porque dissemos a ele que estava sendo demitido por ordem do contador da empresa.
Em pensamento agradeci a meus pais a minha educação .

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Teatro do Oprimido

O Teatro do Oprimido, criação de Augusto Boal, tinha por base a participação de espectadores na ação, produzindo através da ação a transformação de papéis, mudando o rumo da estória.
Disso me lembrei quando recebi o caso abaixo enviado pelo Jackson , pai da Camila.
Não posso atestar sua veracidade mas achei muito engraçado.

"O dono de um circo, em passagem pelo interior da Paraíba, ao saber que determinada cidade possuía comunidade muito religiosa resolveu encenar a Paixão de Cristo na Sexta-Feira Santa.

Para completar o elenco, empregando estratégia de marketing, resolveu o empresário circense escolher moradores locais .

Assim mais pessoas compareceriam para assistir a atuação de seus vizinhos e amigos.

Para o papel de Jesus um rapaz da cidade foi escolhido.

Os ensaios começaram a acontecer, não se falava de outra coisa na cidade .

Todos os ingressos já estavam vendidos quando, na véspera do evento tão esperado, o palhaço foi contar ao dono do circo que sua esposa estava de caso com o intérprete de Jesus.

Furioso com o desrespeito a sua pessoa pensou o empresário o que fazer.

Fazer escândalo, pegar o rapaz, interpelar a esposa , intérprete de Madalena , nada podia fazer pois colocaria em risco o espetáculo já totalmente vendido , lucro que não via acontecer há algum tempo.

Pois chegou a uma conclusão em como ter sua vingança.

Reuniu o elenco e avisou que participaria da encenação.

Como seria, você nada ensaiou , disseram-lhe os atores.

Não se preocupem , farei o papel de centurião romano, este nada fala, não irei atrapalhar.

Nada podendo fazer o elenco concordou.

Finalmente chegou o dia do espetáculo.

A área da platéia botando gente pelo ladrão assiste em comovido silêncio e dor as estações da Paixão de Cristo.

O Nazareno, coroa de espinhos a testa, carregando a cruz a suas costas com o centurião romano a lhe dar chibatadas.

Só que eram de verdade.

- Oxente, cabra , tá machucando!

Reclamou “Jesus “ em voz baixa.

- É para dar maior veracidade a cena, assim respondeu o centurião.

E tome chicotada, lept,lept,lept no lombo do infeliz ator.

Assim foi até que enfurecido com tamanha dor , larga “Jesus” a cruz no chão, alcança uma peixeira e parte para cima do centurião.

- Vem desgraçado, vem que vou te ensinar a não bater num indefeso !

O centurião parte em desabalada carreira e a platéia explode em delírio :

- É isso aí , Pega ele Jesus, pega esse romano fio de uma égua ! "

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Verdadeira Autoridade

Nunca gostei da postura daqueles que empregam a frase “Você sabe com quem está falando “ ?

Esperam em uma discussão resolver a situação, não com a predominância de idéias e valores mas, simplesmente, pelo seu pretenso status.

Quase sempre não são de fato poderosos, o poderoso mesmo ,de fato, não precisa se identificar.

Um de meus ex-vizinhos, juiz federal aos 25 anos , foi detido arbitrariamente por equipe da polícia civil que abusou do uso da autoridade, não acreditaram que um rapaz de bermudas em dia de carnaval fosse um juiz , e não o deixaram se identificar.

Resultado todo mundo afastado quando na delegacia ele se identificou.

O falecido coronel Cerqueira , da PM do Rio, uma vez saindo de uma reunião no centro do Rio , em roupas civis , acompanhado de mais três oficiais , também em roupas civis, teve seu carro parado por uma patrulha da PM no Aterro do Flamengo.

O soldado ao se aproximar do carro, não o reconheceu , pediu os documentos e antes mesmo de os verificar disparou :

- Aí hein Negão ? Tirando onda com o carro do patrão ?

Situação pior aconteceu na Tijuca.

O senhor , já de idade , ao sair da garagem de seu prédio deixou o carro morrer, um Opala, logo após pegar a Rua Conde de Bonfim.

Atrapalhou-se e não conseguiu fazer o carro pegar novamente.

Estava nesta situação quando passou um camburão da PM e , de uma das janelas, um dos policiais lhe gritou para tirar a lataria da rua e ir para casa já que era velho.

Não pensou duas vezes, aconselhou o policial a fazer algo.

O camburão parou , de dentro saltaram os bravos ocupantes, e a força enfiaram o senhor na caçamba da patrulha.

Um dos soldados assumiu a direção do Opala e retirou o carro da rua.

A cena foi assistida pelo porteiro do prédio onde o senhor morava que logo avisou sua filha quando esta chegou em casa.

Preocupada procurou a delegacia mais próxima , na rua José Higino .

Não , lá ele não estava disse-lhe o escrivão que a atendeu.

Veja se não o levaram para a delegacia da Praça da Bandeira.

Para lá ela foi e também não o encontrou.

Resolveu ir até o quartel mais próximo, na rua Barão de Mesquita.

Lá chegando avistou o carro do pai estacionado .

Pediu para falar com o oficial de dia , responsável pela guarda.

Depois de muito esperar um cabo veio lhe falar.

- Senhor eu pedi para falar com o oficial de dia , o senhor não é oficial, conheço as divisas de seu uniforme.

- Mas o que a Sra deseja ?

- Aquele carro estacionado é do meu pai , ele está aqui ?

- Ah, a Sra é filha daquele senhor, ele está detido aqui sim, está muito nervoso. Vamos leva-lo para a delegacia para identificação e registro da ocorrência .

- Como ? Vocês o detiveram há mais de 2 horas , não o identificaram , é um senhor de idade, não o respeitaram na rua pois assim me disse quem assistiu ao que ocorreu, e ainda o mantêm detido ?

Por favor chame o oficial de dia.

- Quem é a Sra ?

- Por favor chame o oficial de dia.

Mais um período de espera e finalmente um tenente apareceu.

O diálogo se repetiu, o tenente negou a liberação do senhor.

Pois se é assim , se o senhor não quer resolver , vou achar quem vai resolver , disse-lhe a senhora.

Mas quem é a senhora, perguntou o tenente enquanto esta se afastava e sacava um celular.

Quinze minutos depois um caminhão com soldados da PE, comandados por um major, toma o quartel da PM , dá voz de prisão a todos e vai liberar o velho senhor.

Ato contínuo o major ordenou que todos entrassem em forma e desfilassem prestando continência ao velho senhor .

O velho senhor era um general de exército , na reserva , que a tudo assistiu com indisfarçável sorriso .

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Imigração em Aeroportos

Li no jornal de domingo matéria em que um jornalista descreve situação em que teve que ficar nu para conseguir entrar na Suécia.

Por tal situação nunca passei mas com cara e jeito de latino aprendi que falar de maneira gentil e atenciosa é sempre a melhor maneira de quebrar desconfianças e assim, as vezes, ganhar um sorriso de quem te examina.

Como uma vez passando pela imigração americana ainda em área no aeroporto de Montreal voltando para NY.

A oficial do Homeland Security Department era uma senhora negra , com grandes brincos nas orelhas , que me recebeu com um cumprimento protocolar.

- Boa tarde , para onde está indo ?

Meu passaporte e cartão de embarque já estavam em suas mãos .

- Boa tarde senhora, vou para NY .

- NY , o que está acontecendo em NY ?

- Olha , algumas peças e shows muito interessantes estão na Broadway mas infelizmente tenho uma reunião no escritório de minha empresa antes de voltar para o Rio. Assim não vou fazer nada de bom mesmo.

- Sua empresa ? Onde você trabalha ?

- Em uma rede de joalherias brasileira , uma das quatro maiores redes do mundo, tem escritório na 5ª avenida . Aliás seus brincos são bonitos.

O sorriso veio na hora junto com a despedida .

- Meu marido os comprou para mim , tenha uma boa estada e faça uma boa viagem .

No aeroporto , no Rio , antes de embarcar para os Eua em outra vez , a funcionária da companhia americana de aviação ao pegar e examinar meu passaporte , durante o questionário sobre quem arrumou a bagagem , quem a transportou , etc me perguntou:

- O que você foi fazer em Israel ?

- Olha isto parece pergunta de filme. Se fosse um filme era a deixa para falar que era segredo e não poderia nunca te contar . Mas como não é filme fui a trabalho mesmo.

Sorrindo me devolveu o passaporte e me encaminhou para o check-in.

Nada disso entretanto funcionou quando desembarquei uma vez em Paris para escala de vôo com destino a Tel Aviv . Na saída do finger, no início mesmo da área de desembarque, uma gendarme me pede o passaporte que entrego junto com o cartão do próximo vôo que iria pegar. A pergunta que me faz em francês respondo com a frase, em francês, que sempre digo nestas horas.

- Não falo francês , você fala inglês ?

A resposta foi um Oui meio titubeante e me logo me pergunta algo que entendo ser para onde vou .

- Tel Aviv , tenho uma conexão para fazer daqui a uma hora .

- Tel Aviv ?

- Sim, Tel Aviv .

Para minha surpresa manteve meu passaporte e cartão junto com outros que já tinha em mãos e apontou para um recuo onde outras pessoas esperavam .

Não entendi o que aconteceu mas para a direção que apontou me dirigi.

Lá encontro um casal jovem , vestidos de jeans e camisetas, e pelo menos três travestis.

Entendi de imediato , ela não entendeu o que lhe disse e me juntou a aqueles que julgava ser passageiros tentanto imigração ilegal .

Ainda a chamo mas não me dá atenção.

Fiquei preocupado , não podia perder a conexão.

Para minha sorte vejo outro gendarme se aproximando e a ele me dirijo :

- Por favor senhor , tenho uma conexão de outro vôo que sai em menos de uma hora e sua colega policial está com meu passaporte e cartão de embarque . Pediu que aqui ficasse.

Ele pareceu compreender o que disse e me pergunta em bom inglês ;

- Para onde vai senhor ?

- Tel Aviv ,Israel , não vou permanecer em Paris .

- Para Tel Aviv ? Porque ela pegou seu passaporte ?

- Não sei senhor , o senhor poderia me devolver meu passaporte e cartão de embarque ?

- Por favor espere.

Ele se dirigiu a policial e claramente escuto Tel Aviv , Israel quando para mim aponta .

Ela então procura e lhe entrega meu passaporte e cartão que logo me são devolvidos.

Agradeço ao gendarme e apressado busco a saída , o grupo de travestis atrás de mim já estava maior .

sábado, 9 de julho de 2011

Contrabando de Cerveja

Ainda na convenção da rede de lojas de departamentos no ano 2000 outras coisas engraçadas aconteceram.

A empresa elaborou para a convenção programação diária em que uma parte do dia era voltada para os assuntos em discussão , ficando a tarde ou a manhã livres para os funcionários aproveitarem a permanência no resort .

Despesas fora da estadia ( café , almoço e jantar ) corriam por conta de cada um.

Liberados depois do almoço fomos eu e Lula ( o do bem ) para a piscina , dali para a quadra , da quadra para a sauna e depois novamente para a piscina.

Na sauna aconteceu com Lula o caso que contei aqui mesmo no blog em outro post ( Na sauna ) .

Final de tarde resolvemos passar pelo portão da piscina que dava acesso a trecho de praia dentro do resort.

Quando lá chegamos vimos um ambulante vendendo cerveja em garrafa que retirava de um isopor .

Resolvi perguntar o preço da cerveja :

- Amigo quanto é a garrafa ?

- Dois reais meu Rei .

Pagávamos algo como cinco reais em fichas em cada latinha no resort .

Perguntei ao segurança do resort que estava controlando o acesso da praia.

- Posso comprar e levar para uma mesa na piscina ?

- O senhor é hóspede , pode levar sim , ele é que não pode entrar para vender ou pegar as garrafas vazias .

- Fechado , vou levar três garrafas e depois trago as garrafas vazias , pode ser ?

Voltamos , pedimos um balde com gelo a um garçom, e começamos eu e Lula a papear.

As pessoas viam as garrafas em nossa mesa e vinham perguntar :

- Ely , onde você conseguiu cerveja em garrafa ?

- Ali na praia , tem um ambulante vendendo a 2 reais , você só tem que levar as garrafas vazias depois .

Formou-se uma fila na praia.

Os garçons começaram a nos olhar com cara feia , ninguém mais pedia cerveja na piscina.

Já caindo a noite fomos devolver as garrafas a um ambulante feliz pela venda.

Foi quando Lula ao invés de dar a volta resolveu descer por um montinho no gramado.

Escorregou e caiu de bunda deslizando até a areia.

Foi o sinal para quem viu começar a rir muito e fechar a tarde.