domingo, 5 de dezembro de 2010

Cinema em Bela Vista


Não sei como está hoje, não vou a Bela Vista há muitos anos, mas em época de conexão generalizada com o mundo deve estar muito diferente.
No início dos anos 80 os filmes de grande produção e sucesso chegavam em Bela Vista com apenas 3 anos de atraso.
Para a rapaziada,filhos dos fazendeiros da região ,que estudavam no Rio ou em São Paulo e passavam férias em Bela Vista, o cinema era apenas uma opção a tratar pois não haviam grandes escolhas na noite da cidade.
Estávamos em Bela Vista , eu e meu irmão, quando finalmente estreou Tubarão. O atraso neste caso era maior e assim a fila estava grande.
O cinema tinha padrões de serviço avançados e vendia cerveja e refrigerante para quem fosse assistir ao filme.
Assim fomos com o grupo de conhecidos para a estréia com lotação do cinema esgotada.
Ser o filho do médico que atendia sem cobrar a quem o procurava e não podia pagar trazia vantagens, deste jeito consegui comprar 5 ingressos.
Meu irmão se sentou e a sua frente estava o único lugar vago.
Filme iniciado, cerveja e pipoca na mão, senta-se a sua frente um sujeito enorme usando chapéu de boiadeiro.
Cláudio nada via e perguntou se alguém podia trocar de lugar com ele.
Ninguém aceitou pelos motivos óbvios.
Esticando o pescoço para o lado conseguia ver parte da cena.
Já havíamos visto o filme pelo menos um par de vezes e assim todos os sustos que o filme dá eram conhecidos.
Começou então a narrar o filme .
- A música está tocando mas não é o tubarão que vai aparecer é .....
Agora , é o tubarão, prestem atenção .....
Depois de 3 narrativas o sujeito do chapéu virou para trás na direção de Cláudio e pediu :
- Moço, por favor , quero ver o filme !
- Eu também , se o senhor tirar o chapéu , vai dar para nós dois assistirmos.
Surpreso com o pedido o boiadeiro retira o chapéu e se abaixa na cadeira.
Rindo com o desfecho assistimos o filme .

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Aviso do Anjo

Li há pouco no blog do Ancelmo a estória do ocorrido em vôo da WebJet , de Belo Horizonte para o Rio, esta semana , em que uma passageira que se dizia vidente pediu para descer antes da decolagem .
Afirmava que o avião ia cair .
Só ela desceu.
Lembrei na hora do ocorrido comigo de maneira muito semelhante há muito tempo atrás.
Na época em que vôos Rio-São Paulo se faziam no Electra da Varig.
Adorava aquele avião, principalmente quando sentava no fundo onde as poltronas ficavam em círculo e as pernas podiam ser esticadas.
Estava ocorrendo o embarque quando notou-se que pelo menos 6 passageiros estavam em excesso , seus lugares já estavam ocupados.
Entre eles estava o ator Luiz Gustavo, popular por seus papéis em novelas como Mário Fofoca , Beto Rockfeller , .....
Discussão daqui , discussão dali , não tem jeito, não pode se viajar em pé, Luiz Gustavo estava se dirigindo para a saída quando um gaiato gritou :
- Está vendo Luiz Gustavo , se você fosse Beto Rockfeller teria embarcado !
Na hora o ator virou-se em direção ao corredor e disse :
- Não , se isto está acontecendo é porque meu anjo da guarda não quer que eu viaje neste vôo ! Boa sorte para você, vai precisar !
Foi ele falar e três passageiros levantaram e desceram .

sábado, 23 de outubro de 2010

Mudança de Apelido

Já falei dele em outro caso quando lembrei de uma pelada na Quinta da Boa Vista.

O apelido dele era Baiano , natural de Jequié , irmão do Edson , do Rafael e da Cláudia , filho do Seu Franco e da D.Célia, sobrinho da Tia Alice .

O conheci em jogo contra na quadra de futebol de salão da Igreja de NSa das Dores , na Av Paulo de Frontin.

Na época o time da minha rua levava sempre um número de meninas na torcida que chamava a atenção.

Eram irmãs , namoradas, amigas de quem jogava .

Todo jogo tinha sempre alguém do outro time querendo amizade e aproximação com a gente.

Pois num jogo assim o Baiano se aproximou , estava mesmo é querendo conhecer Lorena , uma das meninas que morava na minha rua , acabaram namorando e ficamos amigos.

Estava em casa num sábado pela manhã quando Baiano apareceu .

Tinha conhecido uma menina linda durante a semana, era amiga da namorada do irmão Rafael.

Havia encontrado com ela por duas vezes na porta do prédio onde ela morava, já havia ligado para ela naquele sábado, estava querendo sair para um chopp e batata frita .

Perguntou a mim, vamos para um bar ?

Minha esposa na época era minha namorada e assim sairíamos os quatro.

Pois a noite Baiano voltou .

Estava muito animado, não parava de descrever a menina que iríamos conhecer .

Peguei o carro , busquei Leila, e assim depois fomos até Botafogo com o Baiano não parando de falar da Kátia .

A menina morava no início da Voluntários da Pátria e seguindo sua sugestão fomos a um bar em Botafogo mesmo .

Entramos no bar, o Baiano era só sorrisos, e começamos a conversar, eu provocando chamando Baiano para cá, Baiano para lá .

Já havia uma meia hora se passado quando Kátia, se voltando para ele, disse :

- Olha que coisa de doido, conheci seus amigos, sei o nome deles mas o seu mesmo não sei pois até seu irmão Rafael te chama de Baiano .

Qual é o seu nome ?

Isto era verdade, na hora me lembrei que ninguém mesmo o chamava pelo nome, nem na casa dele.

Silêncio na mesa, até que Baiano falou :

- Que é isso ? Todo mundo me chama de Baiano, ninguém me chama pelo nome ....

- Mas como é seu nome, estou ficando curiosa ....

- Deixa para lá, .....

- Porque ? Como é seu nome ?

Novo silêncio até que ele disse :

- Ordival, meu nome é Ordival .....

Ela parou , avaliou , e disparou quebrando o suspense e o silêncio :

- Posso então te chamar de Valzinho ?

Não agüentei , a risada me fez derrubar o chopp , molhar a mesa , a imaginar o Baiano sendo chamado de Valzinho ......

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Em todos os lugares

Já aconteceu mais de uma vez comigo em viagens .
Sempre ela aparece, em diferentes versões e estilos , seja o tradicional em listras horizontais ou em versões comemorativas.
A encontrei em FrankFurt saindo de um restaurante , em Paris no aeroporto , em NY na 5a Avenida , na rua em Tel Aviv, saindo da praia em Floripa, ou entrando no hotel em Natal, Salvador, Curitiba, etc.
Não resisto ao comentário e cumprimento sempre a quem vejo pelo bom gosto em vestir rubro-negro.
As vezes, como aconteceu em Frankfurt e Paris, não são brasileiros a vestir o manto sagrado, o que prova a universalidade da camisa, e assim repito o cumprimento em inglês trazendo sempre um sorriso de volta.
Em Floripa entrando no restaurante cumprimentei o cidadão, sentado em mesa próxima a entrada vestindo a camisa branca com listras rubro-negras, pelo bom gosto.
Respondeu-me agradecendo que pelo visto também eu era pessoa de bom gosto.
Na hora de pedir a conta soube pelo maitre que as bebidas eram por conta da casa, o dono do restaurante era o cidadão de bom gosto que havia cumprimentado.
Em Salvador o elevador do hotel parou na descida para a entrada de verdadeiro gigante acompanhado da mulher e do filho.
Veste o gigante versão mais antiga do manto sagrado rubro-negro.
O elevador para em outros andares e fica cada vez mais apertado.
Chegando para trás o gigante me obriga a dizer :
- Rapaz você tem muito bom gosto para escolher camisas mas se der mais um passo para trás quem irá se tornar o número da camisa serei eu .
- Ô meu bom , me desculpe, respondeu o gigante.
A esposa e o filho do gigante sorriem, somos todos filhos de uma mesma nação.


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Desgraça alheia

O Jackson, pai da Camila, me mandou mais uma que não resisto a publicar.
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Cris,

Conforme minha promessa, estou enviando um e-mail contando as novidades da
minha primeira semana depois de ser transferida pela firma para o Rio de
Janeiro.

Terminei hoje de arrumar as coisas no meu novo apartamento. Ficou uma
gracinha, mas estou exausta. São dez da noite e já estou pregada.

Segunda-Feira:
Cheguei na firma e já adorei.
Entrei no elevador quase no mesmo instante que o homem mais lindo desse planeta.
Ele é loiro, tem olhos verdes e o corpo musculoso parece querer arrebentar o terno. Lindooooo! Estou apaixonada.
Olhei disfarçadamente a hora no meu relógio de pulso e fiz uma promessa de estar parada defronte ao elevador todos os dias a essa mesma hora. Ele desceu no andar da engenharia.. Conheci o pessoal do setor, todos foram
atenciosos comigo. Até o meu chefe foi super delicado. Estou maravilhada com essa cidade.
Cheguei em casa e comi comida enlatada. Amanhã vou a um mercado comprar alguma coisa.

Terça-Feira:

Amiga! Precisava contar. Sabe aquele homem de quem falei? Ele olhou para mim
e sorriu quando entramos no elevador. Fiquei sem ação e baixei a cabeça.
Como sou burra!
Passei o dia no trabalho pensando que preciso fazer um regime. Me olhei no espelho hoje de manhã e estou com uma barriguinha indiscreta. Fui no mercado e só comprei coisinhas leves: biscoitos, legumes e chás.. Resolvido! Estou de dieta.

Quarta-Feira:

Acordei com dor-de-cabeça. Acho que foi a folha de alface ou o biscoito do jantar.. Preciso manter-me firme na dieta.
Quero emagrecer dois quilos até o fim-de-semana. Ah! O nome dele é Marcelo.
Ouvi um amigo dele falando com ele no elevador. E ainda tem mais: ele desmanchou o noivado há dois meses e está sozinho.
Consegui sorrir para ele quando entrou no elevador e me cumprimentou. Estou progredindo, né?
Como faço para me insinuar sem parecer vulgar?
Comprei um vestido dois números menor que o meu. Será a minha meta.

Quinta-Feira:

O Marcelo me cumprimentou ao entrar no elevador. Seu sorriso iluminou tudo!
Ele me perguntou se eu era a arquiteta que viera transferida de Brasília e
eu só fiz: 'U-hum'...
Ele me perguntou se eu estava gostando do Rio e eu disse: 'U-hum'.
Aí ele perguntou se eu já havia estado antes aqui e eu disse: 'U-hum'.
Então ele perguntou se eu só sabia falar 'U-hum' e eu respondi: 'Ã-hã'.
Será que eu deveria ter falado um pouco mais? Será que fui muito evasiva?
Ai, amiga! Estou tão apaixonada! Estou resolvida! Amanhã vou perguntar se ele não gostaria de me mostrar o Rio de Janeiro no final de semana.
Quanto ao resto, bem...ando com muita enxaqueca.
Acho que vou quebrar meu regime hoje. Estou fazendo uma sopa de legumes.
Espero que não me engorde demais.

Sexta-Feira:

Amiga! Estou arruinada! Ontem à noite não resisti e me empanturrei. Coloquei bastante batata-doce na sopa,
além de couve, repolho e beterraba.
Menina, saí de casa que parecia um caminhão de lixo.
Como eu peidava! (nossa ! )Você não imagina a minha vergonha de contar isto, mas se eu não desabafar, vou me jogar pela janela !
No metrô, durante o trajeto para o trabalho, bastava um solavanco para eu soltar um daqueles que nem eu mesma suportava.
Teve um momento em que alguém dentro do trem gritou: 'Aí! Peidar até pode, mas jogar merda em pó dentro do vagão é muita sacanagem!'
Uma senhora gorda foi responsabilizada. Todo mundo olhava para ela, tadinha.
Ela ficou vermelha, ficou amarela, e eu aproveitava cada mudança de cor para soltar outro. O meu maior medo era prender e sair um barulhento. Eu estava morta de vergonha.
Desci na estação e parei atrás de uma moça com um bebê no colo, enquanto aguardava minha vez de sair pela roleta. Aproveitei e soltei mais um.
O senhor que estava na frente da mulher com o bebê virou-se para ela e disse:
-'Dona! É melhor a senhora jogar esse bebê fora porque ele está estragado!'.
Na entrada do prédio onde trabalho tem uma senhora que vende bolinhos, café, queijo, essas coisas de camelô.
Pois eu ia passando e um freguês começou a cheirar um pastel, justo na hora em que o futum se espalhou.
O sujeito jogou o pastel no lixo e reclamou:
-'Pô, dona Maria! Esse pastel tá bichado!'
Entrei no prédio resolvida a subir os dezesseis andares pela escada. Meu azar foi que o Marcelo ficou segurando a porta do elevador, esperando que eu entrasse.
Como não me decidia ele me puxou pelo braço e apertou o botão do meu andar. Já no terceiro andar ficamos sozinhos. Cheguei a me sentir aliviada, pois assim a viagem terminaria mais rápido.
Pensei rápido demais...
O elevador deu um solavanco e as luzes se apagaram.
Quase instantaneamente a iluminação de emergência acendeu.
Marcelo sorriu (ai, aquele sorriso...) e disse que era a bruxa da sexta-feira. Era assim mesmo, logo a luz voltaria, não precisava me preocupar. Mal sabia ele que eu estava mesmo preocupada.
Cris , juro que tentei prender. Mas antes que saísse com estrondo, deixei escapar.
Abaixei e fiquei respirando rápido, tentando aspirar o máximo possível, como se estivesse me sentindo mal, com falta de ar. Já se imaginou numa situação dessas?
Peidar e ficar tentando aspirar o peido para que o homem mais lindo do mundo não perceba que você peidou?
Ele ficou muito preocupado comigo e, se percebeu o mau cheiro, não o demonstrou.
Quando achei que a catinga havia passado, voltei a respirar normal. Disse para ele que eu era claustrófoba.
Mal ele me ajudou a levantar, eu não consegui prender o segundo, que saiu ainda pior que o anterior.
O coitado dessa vez ficou meio azulado, mas ainda não disse nada.
Abaixei novamente e fiquei respirando rápido de novo, como uma mulher em estado de parto.
Dessa vez Marcelo ficou afastado, no canto mais distante de mim no elevador.
Na ânsia de disfarçar, fiquei olhando para a sola dos meus sapatos, como se estivesse buscando a origem daquele fedor horroroso.
Ele ficou lá, no canto, impávido. Nem bem o cheiro se esvaiu e veio outro.
Ele se desesperou e começou a apertar a campainha de emergência. Coitado!
Ele esmurrou a porta, gritou, esperneou, e eu lá, na respiração cachorrinho.
Quando a catinga dissipou, ele se acalmou.
As lágrimas começaram a escorrer pelos meus olhos.
Ele me viu chorando, enxugou meus olhos e disse:
- 'Meus olhos também estão ardendo...'
Eu juro que pensei que ele fosse dizer algo bonito.
Aquilo me magoou profundamente.
Pensei:'Ah, é, FDP? Então acabou a respiração cachorrinho...'
Depois disso, no primeiro ele cobriu o rosto com o paletó.
No segundo, enrolou a cabeça. No terceiro, prendeu a respiração, no quarto, ele ficou roxo.
No quinto, me sacudiu pelos braços e berrou:
- 'Mulher! Pára de se cagar!'.
Depois disso ele só chorava.
Chorou como um bebê até sermos resgatados, quatro horas depois.
Entrei no escritório e pedi minha transferência para outro lugar, de preferência outro País.

Amiga, apague este e-mail depois de ler, tá?

Sua amiga Dri

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Curtinhas

Evandro, DBA de minha equipe, me procura e diz que vai me contar uma para colocar no Blog.
A sogra havia feito uma cirurgia para retirada de um tecido nos olhos.
Catarata arrisquei perguntando , não outra coisa me diz.
O fato é que após a cirurgia havia ficado com os olhos fotossensíveis.
Qualquer luz mais forte a incomodava.
A cunhada de Evandro então comprou para a mãe um par de óculos com lentes bem escuras.
Foi um presente bem recebido, os óculos não saíram mais da face da sogra.
Isto até um domingo quando a sogra, no jardim da casa de Evandro , começou a falar:
- Que dia esquisito, está calor mas está tudo nublado !
Na varanda, lendo o jornal , o marido sem tirar os olhos da página respondeu :
- Tira os óculos minha filha , está um sol danado !

R. e mais 3 pessoas uma vez se atrasaram e muito no horário de almoço.
Sairam às 12 horas e voltaram às 15:45.
Chamo os quatro em minha sala , quero saber a razão para os quatro se atrasarem.
Explicam que para ajudar a consultora haviam ido a Nova Iguaçu depois do almoço, procurando uma agência de um banco.
Já que pelo menos dois iam se atrasar, acharam que os quatro deveriam chegar atrasados.
Achei a desculpa um absurdo, uma tremenda falta de maturidade dos quatro, uma irresponsabilidade e assim ia minha fala quando R. me aparteou :
- Ely , você está certo, mas sua bronca não precisa ser tão energética !
- Energética ?
- Sim , cheia de energia ....
- Você quer dizer enérgica ....
Fiquei desarmado com vontade de rir e a bronca acabou .

domingo, 22 de agosto de 2010

Vestibular

Fomos assistir no sábado a apresentação de Elisa no festival de artes do colégio.
Evento bem organizado trouxe apresentações de alunos em esquetes teatrais curtos, dança, apresentação de bandas, monólogos, fotos, pinturas, canções , enfim um conjunto de atrações.
Gostamos muito do que assistimos.
Um esquete me lembrou um caso.
Na apresentação um casal de adolescentes discorria sobre a tensão que vivem quando do vestibular.
Nossa Senhora das Federais protegei-me e ajudai-me, assim diziam .
Pregavam uma tática a ser adotada quando na sala de prova.
Diga Yes , com força, a cada 10 segundos disse o rapaz.
Porque perguntou a moça.
Guerra psicológica , respondeu o rapaz, os outros vão ficar nervosos por pensarem estar você achando a prova fácil.
Em meu primeiro vestibular as provas de Geografia, História e então OSPB somavam 90 questões.
Na sala, antes da última prova , Química e Biologia, dois sujeitos conversavam sobre quanto haviam acertado nas 90 questões de Geografia, História e OSPB.
Fui mal , disse um, acertei 39 questões .
O outro disse que também não havia feito muito diferente, havia acertado 38 questões.
E você brother, me perguntaram , quantas questões acertou ?
Fui muito mal respondi, acertei 25 e fiz uma pausa.
Foi mal mesmo, os dois assim falaram e riram .
È verdade, das 30 de Geografia foi muito ruim errar 5 respondi.
Como é,você acertou 25 só em Geografia e no resto, me perguntaram .
Acertei 79 das 90, resultado muito ruim , fui muito mal. Hoje das 40 questões quero acertar pelo menos 36.
Na verdade havia acertado 67 questões mas queria ver a cara deles.
O papo morreu, tenho certeza que coloquei pressão .


sábado, 21 de agosto de 2010

Pelada na Quinta

Leio no "O Globo " de hoje entrevista com João Ubaldo Ribeiro em que este afirma que a pelada de futebol é um jogo democrático.

Concordo integralmente , pelada , praia e Maracanã são espaços democráticos por natureza.

Ao lado do empresário pode estar o porteiro, o engenheiro, o faxineiro, não importa a classe social.

Em determinada época todas as tardes de sábado íamos para um dos campos de futebol da Quinta da Boa Vista ou na Lagoa jogar contra quem lá estivesse.

Tínhamos um time base com Pimenta, Baiano, Paulinho, Marx , Marcos Paulista , Eu , Curumin,Edson, Mário e Júlio que completávamos com quem aparecia no bar do Sinézio antes da ida para Quinta ou na hora da pelada , perguntando quem mais queria jogar.

Era um bom time, não fazíamos feio na Quinta ou na Lagoa jogando contra outros times.

Curumim era bom goleiro, Pimenta jogava salão pelo Grajaú ,metia uma senhora pancada na bola com a perna esquerda e driblava com facilidade.

Marx, cunhado do Marcos Paulista , era mais velho que nós ( tínhamos 18, 19 anos) mas compensava a diferença de idade, era um senhor de 28 anos , no toque de bola e na altura. Tinha mais de 1,90 m.

Na hora do córner ninguém subia mais do que ele.

Paulinho sabia armar o jogo com velocidade e fazendo dupla no meio com Marx tínhamos sempre para quem passar a bola de segurança.

Na frente Júlio não perdia dividida com a defesa e chutava bem com a perna direita.

Baiano corria muito e driblava em velocidade pela direita .

Atrás Marcos Paulista era o xerife da defesa que eu pela direita , Mário e Edson completávamos.

Quem chegava podia ocupar posição no meio ou ia o Edson para o meio entrando o estranho na defesa.

Sempre nos apertávamos em dois carros , Marx tinha um Dodge Dart e Paulinho um Gol , e assim íamos.

Pois um dia chegamos na Quinta e pedimos para jogar a próxima contra quem vencesse a partida que estava rolando.

A regra era clara para duração da pelada , com três vira , com seis acaba.

Com menos de quinze minutos vencemos .

Pimenta estava com o capeta no corpo, driblava e passava com facilidade na esquerda por quem aparecesse.

Os caras gritavam marca , pega o Russo , mas não adiantava.

Na direita depois de driblar o marcador 3 vezes seguidas Baiano provocou mudança no outro time.

Colocaram um negão enorme para marcá-lo mas também não adiantou.

Júlio escorou quatro bolas e Marx meteu dois gols de cabeça.

No segundo jogo contra outro time vencemos de novo, e da mesma forma aconteceu o terceiro.

Na hora do quarto jogo seguido estávamos eu e o time já cansados , queríamos ainda jogar mas Marx deu a dica :

- Gente, é melhor a gente perder essa , ouvi dois caras comentando que vão chamar uma galera no morro para nos pegar, acham que estamos esculachando demais.

Assim perdemos o jogo por 6 a 2 , quando acabou a galera de fora fez uma festa que parecia a que time pequeno faz quando vence o jogo contra o time grande.

Estávamos entrando nos carros estacionados perto quando a PM chegou correndo atrás de um cara no campo.

De longe o vi correndo , tinha acabado de jogar contra a gente , era o cara que mais falava e gritava em campo .

No dia seguinte li a notícia no jornal da prisão de um dos gerentes do tráfico em São Cristóvão.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O acidente do pedreiro patrício

O caos abaixo é antigo, o recebi por e-mail há muito tempo atrás.
O recebi novamente e por ser de fato sensacional resolvi postar aqui.
Trata-se de carta de um pedreiro explicando a companhia de seguros como se acidentou.

A Cia. Real Seguros, Sub Sede de Cascais.

Exm°. Srs.

Em resposta ao pedido de informações adicionais, tenho a explicar o que segue:
No quesito 03 de minha participação a V.S.as. do acidente que sofri, mencionei "Tentando fazer o trabalho sozinho", como a causa do acidente.
Disseram na vossa carta que eu deveria dar uma explicação mais pormenorizada, pelo que espero que os detalhes abaixo sejam suficientes.

Sou assentador de tijolos. No dia do acidente, eu estava a trabalhar sozinho no telhado de um edifício novo, de 06 (seis) andares.
Quando acabei o trabalho, verifiquei que tinham sobrado 350 quilos de tijolos. Em vez de os levar a mão para baixo, decidi colocá-los dentro de um barril, com a ajuda de uma roldana, a qual estava fixada num dos lados do edifício, no sexto andar.

Desci, atei o barril com uma corda, que eu havia passado pela roldana, puxei a corda para içar o barril para cima. Quando o barril chegou na altura de onde estavam os tijolos, amarrei a ponta da corda a uma pernamanca e fui para o telhado. Coloquei os tijolos dentro do barril e voltei para baixo.

Desatei a corda e segurei-a com força, de modo que os 350 quilos descessem devagar. (De notar que no quesito 11 indiquei que pesava 80 quilos).
Quando a corta foi desatada, eu não consegui segurar o peso do barril cheio de tijolos e devido a minha surpresa por ter saltado repentinamente do chão, perdi minha presença de espírito e esqueci-me de largar a corda.

E desnecessário dizer que fui içado do chão a grande velocidade. Nas proximidades do terceiro andar eu bati com o barril que vinha a descer. Isto explica a fractura no crânio e da clavícula partida. Continuei a subir a uma velocidade ligeiramente menor, não tendo parado até o nó dos dedos das mãos estarem entalados na roldana. Felizmente que já tinha recuperado a presença de espírito e consegui, apesar das dores, agarrar-me novamente a corda.

Mais ou menos ao mesmo tempo, o barril com os tijolos caiu ao chão e o fundo partiu-se. Sem os tijolos o barril pesava 25 quilos (refiro-me novamente ao meu peso indicado no quesito 11). Como podem imaginar, comecei a descer rapidamente. Próximo ao terceiro andar, encontro o barril que vinha a subir. Isso justifica a natureza dos tornozelos partidos, das lacerações nas pernas, bem como da parte inferior do corpo. O encontro com o barril diminui minha descida o suficiente que minimizou os meus sofrimentos quando cai em cima dos tijolos e felizmente só fracturei 3 vértebras.

Lamento no entanto informar, que enquanto me encontrava caído em cima dos tijolos, com dores, incapacitado de me levantar e vendo o barril acima de mim, perdi novamente a presença de espírito e larguei a corda. O barril pesava mais do que a corda e então desceu em cima de mim, partindo-me as duas pernas.

Espero ter dado a informação solicitada do modo como ocorreu o acidente e ainda explicando que não posso assinar esta, pois ainda me encontro com os dedos engessados.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A pescaria e o jacaré


Estávamos na fazenda de meu tio, irmão de minha mãe, próxima a Conceição de Macabu, norte do estado do Rio de Janeiro.
Era um meus locais favoritos para férias.
A fazenda cortada por um rio, tinha praia de areia branca, cachoeiras e muito peixe.
Acordava cedo e ia junto com o capataz, Antônio, um caboclo conversador, buscar o gado para a ordenha.
Após a ordenha levava o rebanho para um dos pastos, sempre mantendo Antônio o rodízio.
Pois numa destas manhãs Antônio me disse que logo após a segunda cachoeira, em trecho do rio onde as margens eram altas em relação ao leito, era fácil encontrar traíras.
Quase sempre em cardumes era fácil do alto das margens avistar 5, 6 peixes de bom tamanho nadando juntos.
O rio da fazenda tinha água transparente.
Lembrei na hora que meu cunhado Celmo sempre trazia uma tarrafa pequena na mala do carro.
Com a tarrafa seria fácil pegar os peixes.
Antônio concordou na hora em nos mostrar o local e acertamos a pescaria para a parte da tarde.
Pois lá fomos eu ,Celmo com minha sobrinha nos ombros, Antônio e meu irmão Cláudio.
Chegando no trecho do Rio Antônio ficou na margem direita, lá em cima, quase 2 metros mais alto , enquanto eu com a tarrafa ia pelo meio do rio, meu irmão de um lado e meu cunhado com Vivian na garupa no outro.
Este trecho do rio tinha sido verdadeiramente escavado pela água, com barrancos dos dois lados cobertos de vegetação.
Havíamos andado quase uns 30 metros quando Antônio do alto avisou que tinha visto um cardume de traíras mais a frente uns cinco metros, descendo o rio.
Apertamos o passo quando de repente um bicho enorme saiu do meio do barranco, botando Celmo com Vivian para correr principalmente quando Antônio gritou:
- Corre gente, é um jacaré !
Já havia visto muita coisa naquele rio, mas mesmo achando estranho um jacaré ser gordo e marrom disparei a correr no sentido contrário ao que vinha descendo.
Meu irmão fez o mesmo .
No meio da confusão Celmo não sabia mais se corria ou se tentava colocar Vivian no alto da margem em segurança.
Ainda correndo olhei para trás e vi que o jacaré era na verdade uma enorme capivara que desceu e atravessou o rio em trecho onde havia uma falha no barranco.
Parei de correr e comecei a rir desabando no rio.
Meu irmão desapareceu, só o vimos de novo em casa.
Celmo me viu rindo, olhou na mesma direção, viu a capivara escapando e começou a xingar Antônio em razão do susto.
Vivian estava em prantos assustada .
Antônio voltou e rimos muito da situação ridícula de nosso medo de uma capivara.
Depois de nos acalmar voltamos a descer o rio, desta vez eu levei Vivian .
Celmo com um arremesso perfeito da tarrafa pegou 4 traíras.
Foram o prato do jantar naquela noite.






domingo, 15 de agosto de 2010

Praticando Medicina

Algumas pessoas que comigo já trabalharam mais de uma vez me disseram que ainda vou ser preso por exercício ilegal de medicina.
Não faço de propósito mas, quando em conversa, alguém começa a falar de sintomas, de dores em alguma parte do corpo, etc não resisto a dar o pitaco.
Faço-o também com a recomendação de que deve a pessoa procurar um médico.
O engraçado da estória é que vejo o acerto do diagnóstico com o retorno da pessoa após voltar do médico.
A razão é simples.
Tenho boa memória, leio bastante, aprendo com o processo de diagnóstico de médicos amigos ao lhes perguntar quais as variáveis que consideraram na análise.
Mas não sou médico, por isso aconselho a visita a um profissional de saúde.
Uma vez, em uma empresa de varejo, uma colega queixava-se de dor em uma região da perna. Segundo ela uma das veias parecia saltada, dura em um ponto, com mancha vermelha forte.
Já havia visto meu pai fazer diagnóstico em situação parecida e então disse a moça:
- Procure um médico, isto deve ser flebite. O inchaço indica a presença de um trombo no local. Alguns casos requerem cirurgia .
Ainda novo na empresa, ela me olhou com cara de espanto, mas seguiu meu conselho.
No dia seguinte me procurou me agradecendo. Havia eu acertado.
Perguntou-me se havia estudado Medicina .
Disse-lhe que não mas Fernando, outro colega, piscou o olho para ela "confirmando " que eu não havia estudado medicina.
A estória se espalhou e de vez em quando alguém me procurava para falar de dor muscular, um pequeno corte nas mãos, azia, gripe, e por aí ia.
Descobri depois que Fernando, de palhaçada , havia dito que eu havia largado a medicina por conta de uma desilusão com o sistema de saúde no país.
Custou muito desmentir esta estória, as pessoas quando se aferram a algo, no caso meus "acertos " confirmavam a mentira , não querem desistir do que pensam ser verdade.
Definitiva para mim foi a reação de meu pai quando em Bela Vista também acertei um diagnóstico.
Meu pai mantinha o consultório na parte da frente da casa.
Quando estávamos lá quase sempre ia ele para os fundos, para conversar com os filhos embaixo da mangueira .
As pessoas entravam no consultório e, não o encontrando, iam direto para os fundos.
Estávamos assim conversando quando uma senhora apareceu no quintal e, sem cerimônia, levantando os dois braços disse a meu pai:
- Doutor, olha só isso !
A região abaixo das duas axilas estava muito vermelha, irritada.
Sem esperar a resposta de meu pai disse na hora :
- A Senhora trocou de desodorante, não foi ?
Com olhar espantando respondeu :
- É verdade, comecei a usar um com perfume novo hoje, como você sabe ?
A reação alérgica era visível.
Meu pai cortou minha "consulta ".
- Fica quieto guri, o médico aqui sou eu !



sábado, 14 de agosto de 2010

Negão Boa Gente


O caso abaixo me foi enviado por Ivan Coimbra, retrata situação de seu dia a dia . Ivan é amigo da empresa onde hoje estou. Disse-lhe que devia escrever mais.

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Viro a esquina da Magnólia e lá está novamente a Van parada no meio da rua, com o pisca pisca ligado, em frente à padaria da Aurora.

Paro o meu carro sem querer complicar ainda mais o trânsito. Dentro da Van algumas crianças, três ou quatro, não mais, estão muito quietas, meio dormindo meio acordadas e do lado de fora uma mãe-avó conversa tranquilamente com o motorista, um negão com cara de boa gente.

Neste tempo a Baixinha já colocou meu café puro e eu logo reclamo que o pão vai torrar na chapa, mais uma vez ela resmunga e corre para tirá-lo e eu mais uma vez reclamo, uma rotina que temos necessidade.

Neste horário, cinco para as sete, o trânsito piora a cada minuto, a Van parada é motivo de buzinas de reclamação e o boa gente termina a conversa com a mãe-avó e, calmamente, pede um café com leite ”crarinho” no copo de “prástico” e, com a intimidade marcada por um sorriso fácil, deseja bom dia a todos.

Com o copo quente volta para a Van da Escola Tia Júlia, abre a porta do carona, mexe em algo que não vejo, pois a porta aberta encobre a minha visão,joga dois sacos plásticos na calçada,entra no carro equilibrando o copo quente e pula para o outro banco.

Minha habitual concentração no jornal fica de lado, e de lado observo que a Baixinha também parou e me observa atentamente a pensar o que deu nele que hoje esqueceu do jornal?

O Negão Boa Gente se acomoda lentamente e, com todo o cuidado de um “Profissional do Trânsito”, sai com o café com leite quente em uma das mãos e o volante na outra.

Será que o carro é automático?

Esqueci de ver.

Deixa para lá; amanhã, quando eu virar a Magnólia novamente, ele vai estar lá.

Pobres crianças.


Niterói, 11 de agosto de 2010.

domingo, 8 de agosto de 2010

O nome da raça

Não sei se é característica de brasileiros mas, quando por vezes confrontadas na rua, com perguntas sobre temas que não dominam pessoas disparam a falar bobagens .
Talvez a vergonha de não admitir conhecer o assunto seja mais forte que a simples resposta "não sei ".
Tenho dois cães , são Scottish Terriers , raça não muito comum no Rio onde a cada esquina encontramos um poodle, um beagle , um labrador ou um pastor alemão.
Conheci a raça quando buscava um cão que fosse robusto, não muito grande, não muito pequeno , não latisse muito .
Quando vi a foto de um a lembrança de antigo comercial , da Casa Tavares , foi decisiva.
O jeito dele andar, a descrição de um cão que é verdadeiro coração valente , que enfrenta qualquer inimigo em defesa dos seus, mesmo não sendo um cão de porte grande conquistou a mim e a minha família .
Passeio com eles sempre que posso, são um macho prêto de nome Apolo e uma fêmea trigo de nome Jolie.
Apolo chama a atenção de quem o vê, é de fato exemplar perfeito da raça .
Muitos me param e perguntam sobre a raça , outros muitos ainda se recordam da Casa Tavares , há muito com suas atividades encerradas .
Estava eu em meu caminho com Apolo e Jolie quando na calçada, dobrando a esquina, surge um casal com três crianças pequenas.
Está o homem de terno, a mulher de vestido até abaixo dos joelhos, carregam o que me pareceu uma bíblia cada um .
A proximidade de uma igreja pentecostal me faz supor serem fiéis saindo do culto dominical.
As crianças a vista de meus cães gritam excitadas :
- Olha pai, os cachorros !
Uma delas se vira para o pai e pergunta :
- Pai, que raça é essa ?
Ele parou, eu também, iria eu responder, quando proclamou :
- São poodles alemães !
Meus cães são confundidos com Schnauzers, com West Highland Terriers, mas esta era demais.
Não me contive e expliquei :
- Não senhor, são Scottish Terriers, ou Terrier Escoceses se assim preferir .
É raça originária da Escócia , o primeiro registro oficial da raça é do século XIX . Foi raça desenvolvida para caça de pequenos roedores .
Ele me ouviu com atenção, pensei que a mensagem havia chegado ao seu destino.
Quando me virei o ouvi dizendo as crianças :
- Ele está querendo nos enganar, são poodles alemães !
Comecei a rir, achei que não valia a pena insistir e segui meu caminho .




sábado, 31 de julho de 2010

Atendendo a porta

Um domingo deste mês de julho acordo com os dois cães latindo.
Alguém está a porta .
Olho o relógio, são 8 e meia, quem será tão cedo num domingo?
Meus filhos estão em casa, havíamos voltado de madrugada , era também muito cedo para a entrada de nossa faxineira que vem aos domingos.
Os cães continuam a rosnar e latir, tenho mesmo que levantar.
Troco a bermuda do pijama, coloco uma camiseta e cheio de bom humor vou ver o que se trata.
São 3 meninos, idades entre 8 e 10 anos.
Mantenho a porta entreaberta , os meninos se aproximam com vontade da porta o que é a senha para os dois cães ameaçarem atacar.
- Moço, o senhor sabe o que é Haloween ?
Meu bom humor está no máximo, dormi pelas minhas contas cinco horas em um domingo.
- Sei sim , e é só em 31 de outubro nos Eua, o que vocês querem acordando todo mundo domingo pela manhã ?
Os cães estão em excitação máxima , rosnados e latidos a toda, tentando passar por mim para pegar os meninos.
Eles percebem a situação mas continuam .
- Então Tio , o que vai ser, doces ou travessuras ?
Seguro então meu cão macho pela coleira e o trago perto da porta.
Os dentes estão a mostra com vontade.
Faço a contraproposta aos meninos .
- Eu é que pergunto, vocês saem já ou querem mordidas ?
Acho que só neste momento percebem o perigo e saem correndo pelo corredor, a porta de acesso as escadas bate com força.
Penso que agi com maldade mas meu sono é maior que meu remorso, voltei a dormir.





Pedido de propina

Estava voltando de São Paulo em uma sexta-feira à noite.
Nos quase três anos em que trabalhei na sede da rede americana de restaurantes não passei um fim de semana em SP.
Dizia aos colegas de trabalho que iria passar o fim de semana na casa de praia.
Pois naquela sexta-feira estava voltando de carro .
Meu trajeto sempre foi usar a Airton Senna e Carvalho Pinto saindo na Dutra já em Taubaté.
Logo depois de passar por Taubaté percebo na faixa a direita mais a frente, parada no acostamento, uma viatura policial.
Reduzo a velocidade e ao aceno do policial paro no acostamento.
Pelo espelho retrovisor acompanho sua aproximação e separo imediatamente os documentos do carro e a carteira de habilitação.
Ele chega junto ao carro e me pede:
- Boa noite, documentos do carro e a carta por favor ?
Minha vontade é responder que não havia escrito para ele, mas sabendo que todo policial paulista chama a carteira de habilitação de carta entreguei os documentos.
- Boa noite, aqui estão !
Ele examina os documentos com a ajuda de pequena lanterna.
Está tudo absolutamente em ordem, imposto e licenciamento em dia, carteira de habilitação válida.
Ele me devolve os documentos e me pede para abrir a mala do carro.
Saio do carro e abro a mala .
Está vazia , minha bolsa com roupas está no banco de trás.
O policial verifica a presença do macaco, do pneu reserva , da chave de roda , do triângulo de sinalização, tudo em ordem.
Penso no que ele poderia pedir mais.
Ele me diz :
- O carro não é seu , é da empresa M.
- Sim, sou gerente da empresa , a empresa cede automóveis para seus gerentes e diretores respondi.
- Está quase tudo em ordem , só tem um problema .
- Qual , perguntei com calma .
- O Sr estava fumando.
- Sim , o carro tem cinzeiro, não jogo nada na pista e tenho saco de lixo também no carro.
- Pois é , para fumar o Sr precisa retirar uma das mãos do volante, o que é proibido pelo artigo número tal do Código Nacional de Trânsito . É infração leve, perda de 5 pontos , multa de R$ 74,00 reais.
Ao invés de sacar o bloco de multas ele permanece me olhando.
Está claro que espera a oferta da "cerveja " , afinal é sexta-feira a noite.
Retruco apenas para ver até ele onde vai .
- Sr , não sou advogado, mas como meu carro não é automático tenho que retirar uma das mãos da direção para usar a alavanca de câmbio. O Sr. tem certeza quanto a redação do artigo citado ?
- Sim , certeza absoluta . Ele diz isso arrumando a postura , enchendo o peito de ar.
Penso que na frente de um delegado ou um juiz a postura dele seria diferente.
Para encerrar logo a conversa digo-lhe então :
- Certo , estou convencido, por favor registre a infração e me dê o recibo.
Minha resposta o desarrumou.
- Como , o senhor quer ser multado ?
- Sim, o senhor me convenceu, citou o artigo do código. Peço-lhe, por favor, que registre o artigo em campo de observações do formulário da multa.
- Mas serão R$ 74,00 e perda de 5 pontos , o Sr quer isso ?
- Sim senhor, se errei devo pagar a multa.
Ele me olha de cima a baixo, está de fato desconcertado.
Adota então outra postura .
- Já que o Sr admitiu o erro merece outra chance. Não vou lhe multar , pode retomar sua viagem.
Certos indivíduos tem que "vencer " sempre.
Resolvo lhe conceder a vitória , agradeci e voltei a dirigir.


domingo, 30 de maio de 2010

Narradores esportivos e matemática

Já contei em outro post caso parecido mas agora tenho certeza que narradores esportivos fugiram de aulas de matemática do ensino fundamental.

Estou voltando para casa sábado a noite , Diogo me pede para ligar o rádio , o Flamengo está jogando contra o Grêmio. O dia é 29 de maio de 2010.
No que sintonizo a estação ( Rádio Globo) sai o gol do Flamengo , Pet marcou.
O narrador pergunta:
- André , o Pet está com 37 ou 38 anos ?
- Não sei , vou pesquisar .
O jogo caminha e o André volta.
- Pet nasceu em 10 de setembro de 1972 .
- Agora sim , tem 37 ou 38 ?
- Tem 38 não é , esta matemática é complicada.
Só Luis Mendes fica fora da discussão .
Logo aparece outro gênio no ar.
- Ele disse que vai encerrar a carreira com 39 .
O narrador brilhantemente faz nova pergunta :
- Então Perrot é 38 ou 39 ?
- Olha acho que é 39.
Outra jornalista entra na conversa e dispara:
- Ele não tem nem 37 nem 38 .
A conclusão do narrador encerra a discussão :
- Perrot então é 39 , em definitivo.

sábado, 15 de maio de 2010

A pressa que o fogo traz

Aconteceu esta semana .
Estávamos na sala de reunião do departamento quando um forte cheiro de queimado empesteou o ar.
Através o vidro da divisória vejo que minha equipe também percebeu o problema.
Não vimos sinais de presença de fumaça, o problema deve estar no ar condicionado.
Levantei e fui ligar para o gerente de manutenção para pedir a verificação.
Na hora me lembrei do ocorrido há muitos anos quando trabalhava na sede de meu primeiro emprego.
Horário de almoço, estava sentado na sala que antecedia a entrada do data center, onde um técnico fazia a manutenção das então enormes unidades de disco magnético.
Senti cheiro de queimado e ao olhar para as saídas de ar condicionado vi a presença de fumaça em quantidade .
Um incêndio está acontecendo pensei de imediato.
Bati no vidro e chamei o japonesinho que com cuidado montava uma unidade de disco.
Nisto de imediato entrou gritando Jorge, um dos mensageiros da empresa, na sala .
- Ely , o prédio está pegando fogo !
- Onde Jorge ?
- No último andar, na casa dos elevadores !
Estávamos no 18o andar , a casa dos elevadores ficava no 31o andar.
Ao ouvir o aviso o técnico ensaiou a corrida em pânico até me ouvir gritar.
- Ei , onde vai ?
- Onde vou ? O prédio está pegando fogo , vou me mandar já !
- Não vai não . Volta e fecha a unidade de disco .
- Mas o fogo ...
- O fogo espera, estamos longe, é 13 andares acima. Volta e fecha a unidade.
Ainda com o olhar incrédulo com minha ordem ele voltou e começou rapidamente a fechar e colocar no lugar a unidade de disco.
Acho até hoje que nunca vi uma pessoa trabalhar tão rápido.
Jorge estava em estado de excitação total e me disparou em sugestão .
- Ely, você tem um isqueiro ?
- Para o que Jorge , vai fumar agora ?
- Não , vamos colocar o isqueiro nos sprinklers e assim se o fogo chegar aqui não vai consequir queimar nada .
- Está doido Jorge ? Se o fogo não destruir o andar a água vai destruir o datacenter. Quem está no andar neste horário ?
- Todo mundo desceu para o almoço. Só estamos nós e o Fischer.
- Ele já sabe o que está acontecendo ? Vai lá e avisa ele.
O japonesinho ao concluir ao trabalho passou por mim que nem uma bala.
Nunca mais voltou na empresa.
Comecei a desligar tudo no DataCenter enquanto aguardava o retorno de Jorge.
Não passaram dois minutos e Jorge voltou .
- E aí Jorge ? Falou com o Fischer ?
- Entrei na sala dele e disse , seu Fischer o prédio tá pegando fogo ! Ele apanhou a pasta e desceu correndo, nem levou o paletó .
- Beleza Jorge, mais um minuto e vamos descer.
Quando chegamos na escada rolos de fumaça desciam com força.
Todo o prédio descia correndo.
Fui descendo rápido até encontrar um senhor de idade que descia degrau por degrau, bem devagar .
A fumaça incomodava muito e naquele passo o senhorzinho iria ser atropelado.
Pedi a ele :
- Senhor, por favor, vamos mais rápido !
- Estou correndo meu filho, estou correndo !
Pedi licença e passei por ele.
Já no térreo o vi de novo quase meia hora depois.
Os bombeiros chegaram e logo controlaram a situação.
Apenas a casa de elevadores ficou danificada .
Durante uma semana apenas um elevador dos seis existentes funcionou .