sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Desejos para um novo ano.

Gosto de dedicar aos meus amigos e entes queridos um conjunto de pensamentos no início de cada ano.

Sei que não podemos mudar em nada o que passou mas podemos desejar ter um presente e um futuro de alegria e felicidade , em que gastemos menos tempo em coisas e mais tempo com pessoas.

Desejo de coração que no próximo ano os dias lhe sejam brilhantes e floridos, que risos e alegria estejam a sua volta e mesmo naqueles dias em que não parecer ser assim que flores , sorrisos e abraços lhe apareçam. 

Que o ano lhe seja ruidoso com os sons da alegria e também com momentos de silêncio, pois por vezes do silêncio do coração e de nossos pensamentos partem nossos melhores votos.

Que o ano lhe seja de paz, que seus desejos bons e puros presentes em seu coração aconteçam a você e a seus entes queridos. 

Tenha a certeza que no próximo ano estaremos lado a lado, como amigos que somos, e que ao final de 2013, ao olhar para trás, a lembrança de tantos bons momentos vividos lhe aflore e traga um sorriso e saudade , pois este será um ótimo ano .

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

No Supermercado


Fila de caixa de supermercado é um dos lugares onde podemos observar como anda o nível de civilidade e educação de nossos vizinhos.
Como no dia de ontem, domingo antes de Natal, a loja está cheia e com filas grandes.
Havia pensado que isto iria ocorrer, final de semana imediatamente depois do dia 20, dia de pagamento da 2ª parcela do 13º salário, é minha culpa não ter vindo na noite de sexta-feira .
Observo as filas de cada caixa antes de escolher uma.
Carrinhos de compras com volumes diferentes estão em cada fila , faço as contas tentando visualizar como se equiparam , e assim escolho uma fila.
Ao me posicionar observo quem está em cada fila, faço assim marcações de quão certo estava em minha escolha.
A minha esquerda , duas posições atrás da equivalente a minha, está um senhor negro enorme, camisa do Flamengo de 92 , carrinho cheio de carnes e cerveja.
Penso que o churrasco vai ser bom, pelo menos a cerveja é boa.
A minha direita , quase ao meu lado, uma posição atrás, está um rapaz falando ao celular em voz alta, é impossível não ouvi-lo falando da festa de fim de ano da empresa, de quem ficou mal, de quem ficou com quem , de quem saiu antes.
Enquanto fala mexe os braços e as mãos sem parar, os trejeitos são femininos.
Desconfio que está aborrecido, não pegou ninguém .
A minha frente está um casal e um senhor mais velho.
Falam sobre a melhor maneira de se preparar o bacalhau que estão levando.
Noto que esqueci de pegar pasta de dentes, atrás de mim está um carrinho também cheio com muitos itens, também devem ter esquecido algo e foram buscar eu pensei.
Largo o carrinho e vou até a seção de higiene.
No caminho falo com o senhor do carrinho de carnes e cerveja.
- Meu senhor, vejo que o senhor tem bom gosto para se vestir e para a escolha da cerveja.
Ele me responde com um sorriso enorme.
- É Natal , temos que festejar.
Na volta surpresa, um senhor com dois filhos está com seu carrinho a minha frente.
Vejo que percebe minha chegada mas não se altera, continua falando com os filhos.
Fico parado a observar a quantas vai a cara de pau do sujeito.
O senhor com a camisa do Mengão me sorri reconhecendo minha situação de surpresa , está com uma garrafa de cerveja aberta bebendo aos goles.
Não resisto e falo ao cidadão agora a minha frente.
- Desculpe, eu saí para buscar dois itens, não me lembro de ter visto o senhor antes na minha frente.
Com ar de enfado o cidadão mal se vira para me responder .
- Não havia ninguém na fila, só os carrinhos, assim estou aqui.
- Desculpe mas isto não está certo, não demorei 2 minutos , o senhor me viu chegar e continuou como se nada houvesse acontecido.
Ele então se vira mas ao acabar de se virar ouve o enorme rubro-negro da fila ao lado falar :
- O rapaz está certo, ele estava há muito tempo aí . Não é certo o que o senhor está fazendo, furando a fila na maior cara de pau.
Está com as duas mãos postadas em seu carrinho de compras, a cerveja largada no carrinho,o rosto está sério.
Penso que ganhei um trunfo enorme.
As pessoas se voltam para o sujeito, o rapaz que falava ao celular traz uma das mãos a boca.
O cidadão percebe meu olhar direto e mais ainda o olhar de todos, meu agora amigo rubro-negro o está encarando com firmeza.
Puxa o carrinho irritado dizendo , está bem , não vou brigar por isso e sai em direção a outras filas.
Ocupo novamente minha posição, escuto agora um monte de comentários sobre a cara de pau do sujeito.
Meu amigo rubro-negro me sorri e levanta a cerveja em saudação.
Sorrio de volta e digo :
- Obrigado, saudações rubro-negras, Feliz Natal .
Ele agradece e empurra seu carrinho, as filas voltaram a andar.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O perigo está no chão

Todo mundo tem uma estória para contar sobre viagem em avião. Eu mesmo já contei algumas, como a de passageiro apavorado antes da decolagem e outras com situações engraçadas.
As vezes porém o perigo está no chão.
Cheguei no Aeroporto do Galeão e sem bagagem desci direto para o local onde param os táxis comuns.
Espero o táxi encostar e entro no banco traseiro.
Ao entrar digo boa noite, vamos para a Tijuca por favor ?
O motorista quase calvo por completo, com um resto de cabelos brancos continua parado, não me responde, com um olhar fixo a frente.
Insisto e volto a falar :
- Senhor, boa noite, vamos para a Tijuca por favor .
Nada acontece. Insisto mais uma vez e nada muda, o homem parece congelado.
Resolvo sair e nesta hora ao mexer no trinco da porta para sair ele se vira e em voz alta me diz :
- Boa noite, para onde vamos ?
Tomei um tremendo susto .
- Eu lhe disse, vamos para a Tijuca.
- Para onde ?
Ao perguntar novamente ele se aproxima para me ouvir.
O homem é surdo concluo , repito agora em voz alta.
- Para a Tijuca , o senhor pegue por favor a Av Paulo de Frontin e depois a rua Barão de Itapagipe.
- O senhor vai pagar em voucher ?
- Não , com dinheiro ?
- Com voucher ?
- Nãooo, em dinheirooo. Ao falar chego a sacar a carteira para mostrar.
O carro finalmente se move.
Na subida da rampa de saída do aeroporto ele se volta totalmente para a minha direção, deixa de olhar a frente, e pergunta novamente:
- Vamos pela avenida Maracanã ?
Estou com medo agora , além de surdo o homem não tem cuidado nenhum ao volante e anda com o pé embaixo, falo quase que aos berros .
- Pelo amor de Deus senhor olhe para a frente. Vamos pela Avenida Paulo de Frontin.
Deve ser uma pegadinha de Tv, começo a procurar onde estão as câmeras .
Na Linha Vermelha ao cruzar de pista o homem não escuta a buzina de outro carro e dá uma fechada espetacular em uma Blazer.
A Blazer chega a queimar os pneus na freada para não bater.
Se o meu vôo tinha sido monótono como todos são em sua maioria, a estar dentro de uma caixa fechada esperando o tempo passar, minha volta para casa em um táxi estava sendo emocionante.
No final da Francisco Bicalho ao invés de seguir em frente para pegar a Av Paulo de Frontin ele vira em direção a Praça da Bandeira.
Desta vez é meu grito que dá um susto nele.
- Não, era para seguir em frente , eu lhe disse Av Paulo de Frontin.
O homem chega a cruzar os braços na direção tentando fazer a volta na contramão.
Resolvo chegar perto e falar mais próximo dele  ainda em voz alta.
- Tudo bem senhor, continue por favor, entre na rua Mariz e Barros e depois vamos em direção a Afonso Pena.
- O senhor tem razão, não vou lhe cobrar este desvio , não sei porque fiz isso . Será que eu comi muito queijo, esqueci mesmo.
- Não tem problema, eu pago. Vamos seguir.
Próximo a poltrona, falando alto consigo fazer com que siga o caminho que dito.
Ao chegar pago a corrida, não espero o troco e salto rapidamente.
Não sei porque ainda dizem que viajar de avião é mais perigoso.