domingo, 18 de dezembro de 2016

Um Caso de Natal

Este caso foi narrado por Valdoir Stramondinoli .
Quando o conheci Valdoir era gerente regional na rede de lojas de departamento, uma posição executiva importante .
Foi e é sempre uma pessoa de brilho, conquistou tudo a custo de muito trabalho e dedicação, superando as dificuldades que vida de início lhe reservou .
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Passei minha infância na pequena Tupi Paulista. À época, uma prospera cidade agrícola.
Crianças de cidades pequenas, não tem nomes. Tem referências.
Eu era para as mulheres, o filho da “Dona Helena Lavadeira”.
Para os homens, filho do “Orlando Careca”.
Nome? Não era necessário.

As referências bastavam
Quando chegava dezembro, o comércio como hoje, abria suas portas até as 22:00 hs.
Decoração simples nas lojas, mais ainda, as das ruas patrocinadas pela Prefeitura Municipal.
Mas era uma maravilha passear a noite pela cidade, toda iluminada.
A melhor loja de brinquedos para presente era o Bazar do “seu Paulo”.
O seu Paulo foi por um tempo nosso vizinho. Pernambucano, de temperamento “esquentado”, seus filhos sofriam com as surras que levavam quando faziam algo que ele não gostava.
Confesso que tinha um pouco de medo dele.
Então, quando passávamos em frente a loja do “Seu Paulo”, ficávamos imaginando o presente que iríamos ganhar. Meu sonho era um quadriciclo em lata, todo vermelho, como se fosse do Corpo de Bombeiros, com uma linda luz, que se acendia em cima da lataria.
A ansiedade era grande para a noite que antecedia o Natal. Em casa quase não se comentava sobre a data, talvez em função da dificuldade financeira dos meus pais e por não terem condições de comprarem absolutamente nada para nós.
Mas nós ouvíamos as demais crianças dizerem que “Bastava colocar os sapatos em baixo da janela” que no amanhecer do dia de natal, o Papai Noel colocaria ali, os nossos presentes.
Assim fizemos e fomos dormir na esperança que ao acordarmos, nossos presentes estariam ali, sobre os nossos “sapatos”.
Mas, enorme foi a decepção, ao constatarmos na manhã do dia de natal, que nossos presentes não estavam lá.
Não entendíamos o por que. 
Meu irmão mais novo achou a explicação para o fato.
- Deve ser porque colocamos chinelos.
Não tínhamos sapatos.

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Ajude a trazer alegria para uma criança pobre, procure em sua cidade, empresa, como ajudar .

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