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Tipos de rua

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Toda cidade, acho mesmo que todo bairro tem seus tipos conhecidos. Em Ipanema a mulher de branco é figura conhecida por exemplo. No Centro, quando trabalhava na sede da loja de departamentos, próximo a Praça Mauá,era fácil encontrar o maluco da tinta ou a doida beijoqueira. O doido da tinta pedia dinheiro para realizar seu desejo. Comprava uma lata de tinta em loja de material de construção e despejava sobre o corpo. Um dia estava todo azul, no outro verde, em outro de branco, não fazia mal a ninguém. A beijoqueira entretanto exigia atenção. Andava pelas calçadas, maltrapilha, suja, mas ao avistar alguém que lhe despertava interesse corria, agarrava e lascava um beijo no desavisado. Por algumas mulheres tinha especial aversão. Izilda, uma colega da empresa, nunca havia lhe feito mal algum, nunca lhe dirigido a palavra, mas não podia a beijoqueira lhe ver que partia com tudo para a agressão. Lembro de outro tipo que morava na rua de minha mãe. Férias escolares, era comum a rapaziada de ...

Fumar pode lhe fazer mal

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O fato de fumar em locais abertos, ao ar livre , me traz situações e comentários vez por outra . Como no dia, em que ao sair da agência do banco na rua Visconde de Pirajá, sou abordado por uma pessoa que me cumprimenta em voz alta : - E aí cara , como você está ? Tá tudo bem ? Onde você está trabalhando agora ? Sou bom fisionomista, guardo a imagem de um rosto conhecido, posso esquecer o nome de quem já conheci, mas não esqueço o rosto. O rosto me era totalmente desconhecido mas, a forma com que me abordou, me deixou em dúvida . Será que não conhecia mesmo o cara que me cumprimentava de forma tão espontânea ? Assim respondi : - Eu estou bem, graças a Deus, trabalho aqui perto, e você ? Minha esperança era que ao responder uma dica aparecesse para saber de onde a pessoa me conhecia . - Eu estou fazendo um trabalho por aqui . Olhou em direção ao meu bolso na camisa e continuou : - Pôxa cara , você continua fumando ? Disse isso e esticou a mão em direção ao meu bols...

Pérolas II - Soletrando

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Li há alguns dias post no Facebook, em defesa da língua portuguesa, em que se lista algumas pérolas de grafia que as vezes encontramos em comentários, e-mails, etc. O post falava das preciosidades como “ seje “, “ esteje “, “ perca “, “ menas ” e outros termos que volta e meia são utilizados. Não sei mesmo se termo é a definição correta a se usar pois não existem como palavras . Pensando de maneira mais positiva lembro dos textos de Guimarães Rosa, talvez sejam estas pessoas escritores em potencial. Já recebi mais de um e-mail de profissional de varejo em que se alertava para medidas para combater “perca “ de venda . Mesmo respondendo que não haveria perda , com a palavra grifada, em outra nota vinha novamente a menção a “ perca “. Lembro de ocasião em que ao final de um projeto com sucesso recebi nota de parabéns do então superintendente de TI : “Você é mesmo um craque , que nem Romário , um grande proficional “. Quando li a nota falei com um colega de equipe : ...

Pecado da Gula

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As vezes o pecado da gula pode realmente levar a situações muito desagradáveis. Lembrei de algumas situações assim quando conversávamos na hora do almoço , eu e parte da equipe em trabalho extra no sábado. Alguém sempre lembra de uma pessoa que só vai na aba na hora do churrasco marcado , na hora de trazer o biscoito , ou de sempre estar filando a bala , o bombom dos outros. Na primeira empresa que trabalhei assim acontecia , era deixar um pacote de balas na mesa e se ausentar que , batata, as balas sumiam . Sou da opinião que um pedido simples resolve muito , pegar sem pedir, sem nada falar , é muita cara de pau . Resolvi o mistério comprando um pacote de balas azuis, isto é deixam a boca toda azul , numa loja de artigos para mágicos na rua da Uruguaiana. Larguei o pacote e esperei o resultado . Encontrei o mensageiro aflito no banheiro lavando a boca toda cheia de tinta azul que, no esforço para se lavar, havia pingado na camisa. A estória se espalhou , nunca mais pe...

Quando uma cerveja salva

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Uma vez estava conversando com um colega de empresa, alemão em visita ao Rio , quando ele me disse que não entendia porque vendíamos a idéia de ser a caipirinha nossa bebida nacional. Em todos os lugares que ia via pessoas bebendo cerveja. Concordei com ele, acho mesmo que uma cerveja pode resolver muitas coisas. Como o que aconteceu neste caso, do tempo de antes das UPPs , unidades de polícia que acalmaram várias regiões do Rio . Aconteceu muito antes da criação e uso de GPS. Daniel era representante de vendas de indústria de equipamentos eletroeletrônicos ainda nos anos 80 , época de reserva de mercado para fabricantes nacionais no país. Recebeu um telefonema que indicava chance de negócio promissor . Um laboratório, fabricante de produtos farmacêuticos , localizado em Curicica , pediu sua visita para discutir proposta de compra de equipamentos de automação. Logo após o almoço para lá foi . Resolveu ir pela Barra , não conhecia o caminho , mas parando aqui , pergun...

Ser educado ajuda

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A empresa onde trabalhava , meu primeiro emprego, tinha escritório central em João Pessoa, responsável pela operação de subsidiária. Como responsável por sistemas administrativos ( Folha , Contabilidade, ...) para lá fui para conversar com os responsáveis de cada área visando a implantação dos sistemas da matriz. O escritório ficava em uma boa casa, próxima ao parque Solon de Lucena. Logo ao chegar, já na metade da manhã, fui procurar C. , responsável pelo Departamento Pessoal . Bati à porta, escutei o "entre "e vi C. conversando com um senhor forte. - Desculpe C. , não sabia que estava ocupada, volto depois . - Não Ely , fique , nossa conversa já está terminando. Sentei-me a cadeira próxima ao senhor , lhe estendo a mão para o cumprimentar em seguida : - Bom dia , sou Ely Barbosa, prazer em conhecê-lo . A resposta e o cumprimento forte na mão vieram em seguida . - Prazer, sou A., o senhor é o contador da empresa ? - Não , sou analista de sistemas da matriz, acabei de chegar...

Teatro do Oprimido

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O Teatro do Oprimido, criação de Augusto Boal, tinha por base a participação de espectadores na ação, produzindo através da ação a transformação de papéis, mudando o rumo da estória. Disso me lembrei quando recebi o caso abaixo enviado pelo Jackson , pai da Camila. Não posso atestar sua veracidade mas achei muito engraçado. "O dono de um circo, em passagem pelo interior da Paraíba, ao saber que determinada cidade possuía comunidade muito religiosa resolveu encenar a Paixão de Cristo na Sexta-Feira Santa. Para completar o elenco, empregando estratégia de marketing, resolveu o empresário circense escolher moradores locais . Assim mais pessoas compareceriam para assistir a atuação de seus vizinhos e amigos. Para o papel de Jesus um rapaz da cidade foi escolhido. Os ensaios começaram a acontecer, não se falava de outra coisa na cidade . Todos os ingressos já estavam vendidos quando, na véspera do evento tão esperado, o palhaço foi contar ao dono do circo que sua esp...